Primeiramente, FELIZ 2020! Que esse seja um ano de muitas alegrias, muita saúde, muitos momentos de felicidade e, obviamente, muitas viagens. Que durante esse novo período, a gente reserve ao menos um dia para conhecer um novo lugar, para deixar-nos surpreender com novas paisagens, costumes e pessoas.

A gente começou o nosso 2020 com amigos e com meus pais e meu irmão, todos aqui em Cusco, Peru. E, para explicar, a verdade é que Cusco não carrega esse título de Capital da Resistência. Porém, esse é um nome que combina perfeitamente com essa cidade, encravada na Cordilheira dos Andes, pertinho da Amazônia peruana.

Em realidade, Cusco é conhecida como a Capital Histórica e Turística do Peru, Capital Arqueológica da América Latina e é considerada um Patrimônio Cultural da Humanidade. Por tantos méritos, nos demos o luxo de conhecer o máximo possível dos seus pontos mais históricos e importantes, dentre eles, os sítios arqueológicos, onde estão diversas ruínas do tempo em que o Império Inca reinava nessa região.

Visitamos Saqsaywaman, Q’enqo, Puka Pukara, Tambomachay, Pisaq, Ollantaytambo, Moray e Chinchero em visitas guiadas durante dois dias. E foi nesses lugares que percebemos a força que o povo andino tem e a garra com a qual protegem seus lugares, seu idioma e sua cultura. Saindo da Praça de Armas, das igrejas estupendas e da arquitetura europeia, Cusco esconde uma história de luta, dominação e RESISTÊNCIA.

Vamos à história
A palavra Cusco vem do Quechua “Qosco”, que significa “umbigo” (ou “coração”, em algumas traduções). Essa cidade estabeleceu-se como capital do Império Inca em meados do século XII, embora a cidade já fosse habitada por povos pré-incas, o que faz dela a cidade continuamente habitada mais antiga da América.

O local, que representava o centro do império, foi construído em forma de Puma, um animal sagrado para os andinos, e era rodeado por vilarejos, centros religiosos e locais de vigilância. Foi governada por diversos Incas (os reis), que expandiram seu território com uma tecnologia nunca antes vista, utilizada principalmente na arquitetura e na agricultura, principal economia dessa época.

Eis que, em 1500, os espanhóis, comandados por Francisco Pizarro, chegam a Cusco e conquistam a capital inca. Deste momento em diante, templos de adoração ao sol e à mãe-terra (Pachamama) se tornam igrejas católicas construídas pelos próprios andinos, o Quechua, língua oficial, se converte em espanhol e os costumes europeus começam a ser impostos. Vale ressaltar que a ocupação espanhola não foi pacífica e obrigou câmbios duros.

Hoje, percebe-se que essa história de colonização e domínio não foi bem resolvida e ainda é uma ferida aberta para o povo originário da Cordilheira. Em todos os tours que fizemos, tivemos a chance de conversar com guias que nasceram e ainda vivem em Cusco, e que são descendentes de indígenas. Todos, sem exceção, destacam a resistência do povo em manter o idioma Quechua, principalmente nas comunidades campesinas, em usar suas roupas típicas, em manter seus rituais de agradecimento e pedidos à natureza e em insistir para que seus costumes não se percam. Uma luta que acontece diariamente e que vem ganhando força.

Segundo nossos guias, Cusco é uma das poucas cidades do Peru em que o catolicismo não predomina, e representa somente 30% da população, enquanto chega a 90% em âmbito nacional. Isso, de acordo com eles, é uma prova de que, aos poucos, o povo está voltando às suas origens, entendendo seu passado e pensando em um futuro apoiado nas bases de seus antepassados.

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