Lá em abril, no nosso primeiro encontro nesse espaço dedicado a viagens e aventuras no Ibiá, eu contei um pouquinho sobre o que nos fez escolher a Kombi. Como esse veículo simpático, mas cheio de pontos contra, ganhou nosso coração e se tornou a nave ideal para nossa viagem pela América do Sul. Não lembra ou não viu nosso primeiro texto? Acessa lá o portal do Ibiá (www.jornalibia.com.br) ou o blog da Analuz (www.comanaluzpelomundo.com) e confere.

E mesmo antes da nossa partida por estradas latinas, naquela primeira coluna do projeto Com Analuz pelo Mundo, já previmos que os perrengues seriam inevitáveis. A Kombi é um veículo com uma mecânica mais antiga, não está preparada para qualquer terreno, é extremamente pesado e já foi protagonista de problemas únicos e homéricos acompanhando viajantes por aí. E no último final de semana decidimos colocar tudo isso à prova. Somos malucos? Achei que todos já tivessem certeza disso!

Saímos de Salta, noroeste Argentino e capital da província de mesmo nome, em direção à Tolar Grande, um pequeno povoado quase na fronteira com o Chile. Não sabíamos quase nada sobre o caminho, só que seriam 354 quilômetros até lá, com alguns trechos de estrada de chão. Como já encaramos muita estrada ruim em cinco meses de viagem, decidimos seguir e ver como seria.

Resumindo: dos 354 quilômetros totais, somente 180 eram asfaltados. Os outros eram da pior estrada de chão que já passamos. Muita pedra solta, muita “costelinha” e muito buraco, tudo isso subindo de 2,5 mil metros de altitude (em San Antonio de Los Cobres, onde termina o asfalto) até mais de 4,5 mil. Conseguimos fazer esse trecho em sete horas, andando a no máximo 30 km/h. O lado bom foi conseguir aproveitar cada momento da paisagem, que é simplesmente maravilhosa.

Com pouquíssimos povoados ao longo do caminho, éramos praticamente os únicos fazendo aquele trajeto. E obviamente, quem passava por nós eram camionetes 4X4 ou caminhões de carga andando mais devagar que a gente. E mesmo em baixa velocidade, voltamos de Tolar Grande com todos os parafusos soltos, o bagageiro quebrado de novo, o porta-luvas também quebrado e poeira até dentro dos armários e gavetas. Foi um desafio que a gente nunca tinha encarado antes e acho que não encararemos novamente. Mas foi ótimo saber que a nossa Analuz não tá pra brincadeira e mostrou toda sua força.

Pra que tudo isso?
Porque lá, depois de um caminho horrível com um cenário lindíssimo, havia um pequeno pedaço de paraíso. Um lugar que está na lista de os mais incríveis que já visitamos até agora. Os “Ojos de Mar” – Olhos de Mar – estão no meio de um salar na localidade de Tolar Grande.
São lagoas naturais que surgiram em meio ao sal. A água é incrivelmente turquesa e possibilita enxergar as cavernas e caminhos que ela fez para emergir. Sabe aquele lugar que é difícil de explicar? Que só estando lá pra entender o quão maravilhoso é? Esse é um deles!
Então, deixo as fotos com vocês

Onde estamos
Primeira coisa: pegamos a peça da kombi!! O tal sensor MAP já está instalado e funcionando. Por isso, saímos de Salta, onde passamos os últimos dias, e seguimos para o Norte. Estamos em Purmamarca atualmente.

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