Como está sendo a quarentena por aí? Todos em casa, respeitando as recomendações? Por aqui, da mesma maneira. Só dentro de casa, curtindo a família e inventando rotinas diferentes para esperar toda essa loucura passar.

A diferença é que nossa casa é uma Kombi, curtimos nossa família só pelo Whatsapp e nossa rotina se resume a acordar, comer, ler, jogar no celular, ler, comer e dormir. Assim temos passado os dias de quarentena geral em Medellín, na Colômbia. Já vamos entrar na terceira semana de reclusão total, que deve se estender até dia 27 de abril.

Depois dessa data, não sabemos como vai ser. Se tudo vai se acalmar de uma só vez, ou se, aos poucos, as coisas vão voltando ao normal. De qualquer maneira, as fronteiras nacionais estão fechadas por decreto do presidente Iván Duque até o dia 30 de maio. Nossa ideia é sair do país somente quando as coisas estiverem realmente melhores.

Por quê? Porque temos que passar por, no mínimo, três fronteiras para voltar ao Brasil, dentre elas, Equador e Peru, dois países que estão tratando o coronavírus de maneira bem extrema, com exército nas ruas e muitas restrições. Nosso medo é deixar a Colômbia e ficarmos em outro tipo de quarentena em um desses países.

Mas, de qualquer maneira, nosso objetivo agora é voltar ao Brasil. Até lá, estamos aproveitando o tempo parados para por em dia as leituras, cozinhar pratos diferentes e exercitar a paciência. Eu e o Rodrigo estamos mais juntos do que nunca, compartilhando absolutamente todos os momentos do dia (todos mesmo, acreditem) e isso é muito louco, porque descobrimos que, mesmo vivendo em uma Kombi, ainda não éramos tão íntimos como agora.

Como estamos nos abastecendo
Como toda a população colombiana, temos que respeitar o “rodízio de identidade”, que permite a saída das pessoas de acordo com o final do seu número da cédula de identidade. Por exemplo, meu RG termina com o número 1, então, posso sair à rua nas segundas e quintas-feiras.

Então, temos somente dois dias por semana para ir ao supermercado, farmácia ou em busca de qualquer outro produto ou serviço ESSENCIAL! Óbvio que nesses dias não é permitido sair a passear ou se reunir com os amigos. Inclusive, se vai ao supermercado, por exemplo, é obrigatório ir ao que for mais próximo da sua residência. Ao contrário, está sujeito à multa, caso a polícia o pare.

Aproveitamos esses dias para comprar o que precisamos para a semana, pão para todos os dias, água potável, frutas e verduras. Como nos dias seguintes não podemos sair, é preciso nos abastecer de tudo que possamos precisar.

Estamos contando com o apoio da comunidade do bairro onde estamos para abastecermos a água da Kombi e também para banheiro e ducha. Antes da pandemia, um ginásio e uma biblioteca perto da praça já estavam acostumados a receber os viajantes que paravam por aqui. E esses pontos, por serem municipais, foram os primeiros a fechar.

O que conhecemos antes da quarentena
Medellín era uma das nossas paradas obrigatórias na Colômbia, mesmo sendo uma cidade gigante (das quais normalmente fugimos). Não sei quando comecei a querer muito conhecer Medellín, só sei que não podíamos deixar de passar por aqui. Antes de termos que ficar presos na praça, conseguimos percorrer alguns pontos superbacanas da cidade.

Cheia de história, Medellín tem um passado triste, pesado, cheio de cartéis, mortes e muita guerra por narcotráfico. E, inclusive, tem uma “rota turística” na cidade, que passa pelos principais terrenos, casas e até pela tumba do famoso traficante Pablo Escobar. Porém, a comunidade local não gosta muito de falar sobre isso, tampouco de indicar os lugares que marcaram negativamente a história de Medellín.

Não buscamos nenhum desses pontos, porém, mesmo assim, fomos surpreendidos por esse passado em todos os locais que fomos conhecer. Principalmente, na Comuna 13, uma das comunidades mais famosas de Medellín. Hoje, possui a “Rota do Grafite”, com obras de arte incríveis que colorem o morro. Porém, nas décadas de 70, 80 e 90 chegou a ser considerada a favela mais perigosa do mundo.

Hoje, todas as atividades turísticas na Comuna são mantidas pelos próprios moradores, muitos deles, sobreviventes dessa época. Eles são responsáveis por museus, trabalham na produção de camisetas e bonés personalizados, vendem, são guias (bilíngues e, até, trilingues) e mantêm viva sua história, focando em um futuro cada vez melhor.

O centro de Medellín também reserva lugares lindos, como parques e o Jardim Botânico.

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