Imagina olhar para a esquerda e ver um paredão gigantesco, cor de terra com a pontinha branca de neve. Agora, imagina esse cenário se mantendo por milhares de quilômetros. A paisagem da direita até se transformava aos poucos e ia ficando mais verde, mais arborizada, movimentada, ou plana e desértica. Mas a vista do lado esquerdo não se modificava em quase nada, a não ser por trechos com mais ou menos neve no alto das montanhas. Assim é a Ruta 40, na Argentina, que passa do ladinho da Cordilheira dos Andes.

Nos deparamos com a Cordilheira no sul da Patagônia e chegamos mais pertinho dela pela primeira vez quando cruzamos para o Chile, em julho. Foi desta vez que atravessamos a cadeia montanhosa pra chegar na Carretera Austral e às cavernas de mármore. Porém, nada se compara à sensação que vivemos no caminho de Mendoza para Uspallata, uma pequena cidade situada entre os morros, no último mês.

Primeiro, após atravessar apenas alguns montes, passamos por Potrerillos. Do povoado não vimos nada, ficamos hipnotizados pelo lago que está na entrada dele. Água azul turquesa (que é utilizada para abastecer a população), com margens bem irregulares e mais altas, que vistas de cima compõem formas incríveis. Um oásis entre as montanhas.

Os antigos túneis utilizados pelos trens agora são habilitados para passagem dos veículos e dão um charme muito especial ao caminho a partir de Potrerillos. Ao todo, são 10 túneis curtos, distribuídos em poucos quilômetros de distância, que permitem a passagem por dentro das montanhas. Inclusive, a parte interna deles não possui concreto ou algo assim; vemos direto a pedra natural. É lindo, lindo!

É claro que paramos durante o trajeto diversas vezes para preparar um sanduíche com a melhor vista de todas. Tudo isso acompanhados pelo Luiz e a Bruna, do projeto A Kombi Viajante, que estão há quase dois meses com a gente. Eles já tinham ido a Uspallata e nos guiaram por esse caminho.
A nossa ideia inicialmente era ir além de Uspallata. Cruzar a fronteira com o Chile novamente e seguir em direção a Santiago, capital. Na verdade, o desejo era repetir o caminho que fiz com os meus pais e meus irmãos em 2001 e que foi refeito pelo meu pai de bicicleta anos depois. Porém, como estávamos sem o sensor de ar (que esperamos uns 20 dias até chegar do Brasil), decidimos não arriscar em pegar um trecho tão pesado. as esse gostinho da Cordilheira já encheu nosso álbum de cenários inesquecíveis. E seguiremos acompanhando a cadeia montanhosa no nosso lado esquerdo por mais alguns meses, já que ela sobe pelo mapa, assim como faremos.

Uspallata de pequenos grandes encantos
Diz uma placa na entrada da cidade: “Uspallata, cidade de filme” (traduzido por mim mesma). Concordamos com toda certeza. Entre montanhas coloridas e nevadas, campos com cavalos e ovelhas, pequenas lojinhas típicas, o povoado protege uma vida tranquila dos ventos que descem a Cordilheira e dos turistas que tomam as poucas ruas na alta temporada.

A cidade é hiperpoliciada em função da existência de um quartel do exército argentino, do qual fazem parte jovens do pequeno povoado e diversas cidades vizinhas. Brincamos que Uspallata tem mais milico do que não-milico. Eles estão por toda parte e passam uma sensação de segurança a todos, o que já não é raro aqui na Argentina.

Além de tudo isso, a prefeitura disponibiliza um espaço para dormir, wi-fi e água potável para todos os viajantes, tipo um paraíso. Óbvio que ficamos por lá durante vários dias e aproveitamos a calmaria pra por a casa em ordem, preparar mais umas receitinhas deliciosas e curtir o clima.

Onde estamos
Novidade nenhuma dizer que estamos em Mendoza. Essa semana completará dois meses nessa cidade. Estamos ainda no aguardo do sensor MAP, que está com problema há algumas semanas.
A última notícia é que está no setor aduaneiro do Correio Argentino e deve ser liberado em breve. Ficamos no aguardo.

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