Marco Túlio Cícero - cônsul romano - 106 a 43 a.C.

A campanha eleitoral de 2018 chega ao fim e muita gente está dando graças a Deus. Nunca antes a disputa por votos foi tão agressiva e desrespeitosa quanto agora. Admita: todos ouviram algum impropério ou ameaça vindos de alguém que não concorda com as suas escolhas ou modo de agir, ainda que estejam respaldados na lei. Foi a campanha do ódio, da revanche e do fanatismo. Dos vermelhos contra os verde-amarelos, dos petistas contra o resto. As fake news disparadas de ambas as trincheiras mantiveram a população ocupada demais com o consumo de mentiras para se preocupar com planos de governo e propostas exequíveis para tirar o país da crise. Defensores de Lula e Haddad passaram meses acusando Bolsonaro de ser fascista, ao passo que os aliados do capitão não pouparam munição para derrubar cada tijolo dos governos de Lula e Dilma. Chegamos ao fim absolutamente sobressaltados porque a temperatura se elevou a tal ponto que todos – todos mesmo, de um lado e de outro – temem pelo futuro da democracia se o adversário vencer a disputa. Para abrandar a fervura, será necessário um balde de bom senso. Ganhar ou perder faz parte do jogo e não pode ser desculpa para quebrar o tabuleiro.

Desequilíbrio – A Democracia possui regras que precisam ser seguidas. Podem até ser alteradas, desde que haja consenso. E a eleição deste ano deixa uma lição importante. Quando a legislação proibiu a doação de empresas para as campanhas políticas, a intenção foi boa: impedir que os lobbies fossem favorecidos pelos vencedores como contrapartida ao dinheiro que investiram. Contudo, o poder econômico sempre tem lado e conhece muito bem os atalhos da lei. Quando um empresário ou um sindicato imprimem panfletos ou pagam o disparo de notícias falsas nas redes sociais, há um desequilíbrio no pleito e nem sempre o candidato é responsável pelo “apoio” que recebe.

Provas
– É um pouco diferente do chamado Caixa 2, embora militantes de ambos os lados, embriagados pelo desejo de vencer, não consigam fazer a distinção no momento. Na forma clássica, o doador repassa dinheiro aos partidos por baixo do pano e esses o usam no que acham conveniente. São, portanto, responsáveis diretos e devem ser punidos. Neste novo modelo, não há repasse aos políticos, mas a produção e a distribuição de materiais por estruturas criadas ou contratadas pelos próprios apoiadores. Significa que, para punir o candidato, é preciso provar que ele tinha conhecimento e que estimulou a prática. Não é fácil.

Assédio – Esta situação determina uma reavaliação da lei. Ou se libera a doação pelas empresas novamente, prejudicando claramente os candidatos sem maior identificação com o poder econômico, ou se cria mecanismos mais rígidos de fiscalização também sobre o próprio eleitor/apoiador. A verdade é que, sempre, a Democracia será assediada por aqueles que têm mais dinheiro. O preço que devemos pagar para mantê-la é a eterna vigilância.

Mentiras – Outra situação que precisa ser tratada como prioridade é a multiplicação das fake news. As redes sociais são, como disse o ex-candidato Ciro Gomes, “uma delícia”, mas têm seu preço. Antes da campanha iniciar, o TSE declarou que o combate à disseminação das notícias falsas seria sua grande preocupação neste pleito. Falhou lamentavelmente, a tal ponto que até a lisura do processo de votação voltou a ser colocada em dúvida por montagens grosseiras e repassadas alegremente por militantes de todas as correntes políticas. Se não houver providências neste sentido, dá para imaginar o que serão as eleições para prefeito e vereadores em 2020.

Escravos – Apesar dos problemas da legislação brasileira, seja eleitoral ou penal, só ela é capaz de nos proteger da barbárie. Como pregou o político romano Marco Túlio Cícero, bem antes de Cristo, somos todos escravos da lei para que possamos ser livres. Então, neste domingo, independente de quem vença a eleição (Haddad ou Bolsonaro, Leite ou Sartori), ela precisa ser respeitada. Não esqueçamos disso!

Custo benefício
O vereador Talis Ferreira (PR) fez um pedido de informações interessante ao prefeito Kadu Müller. Ele quer saber quantos são e em que setores estão lotados os fiscais da Prefeitura de Montenegro, bem como os salários de cada um desses profissionais receberam no mês de agosto. Além disso, questiona quantos autos de infração cada um deles emitiu nos últimos seis meses e a que tipo de irregularidades se referem. Também, quantas notificações resultaram em multas para os infratores e qual o montante arrecadado.

Ganhando bem – Ao justificar as interrogações, o vereador disse que anda incomodado com a grande quantidade de vendedores ambulantes, vindos de outras cidades, atuando em Montenegro, sob as “barbas” da fiscalização, que estaria ignorando o problema. “Os fiscais ganham muito bem, mais do que eu, para fazerem este trabalho”, afirma. Talis ainda questionou se existem planos de ampliação do quadro de agentes e, em caso positivo, quando e quantos?

Produtividade – De fato, depois da implantação do novo plano de carreira do funcionalismo, os fiscais estão no topo da pirâmide salarial. É justo imaginar que seu trabalho dê um bom retorno ao Município.

Bunda na cadeira
Semana passada, durante um debate na televisão, o candidato do PSDB ao governo do Estado, Eduardo Leite, disse que a solução dos problemas do Rio Grande do Sul exige que se “tire a bunda da cadeira”. José Ivo Sartori, do MDB, que concorre à reeleição, ficou melindrado. Puro mimimi. Em 2004, quando concorreu a prefeito de Montenegro pela primeira vez, Percival de Oliveira usava a mesma expressão ao se referir a Ivan Jacob Zimmer, seu antecessor, que “matou no peito” a crítica, sem ficar “magoadinho”

Rapidinhas
* Os vereadores continuam caçando buracos nas estradas do interior… e encontrando. Há locais em que as crateras são tão grandes e profundas que abrigariam tranquilamente um cadáver.

* Atenção eleitores que ainda não brigaram com amigos, parentes e colegas de trabalho por causa da disputa entre os candidatos Fernando Haddad e Jair Bolsonaro: restam apenas três dias.

* Vereador Joel Kerber (Progressistas) anda comprando brigas nas redes sociais por defender a Administração Kadu. Publicou fotos da operação tapa-buracos no perímetro urbano e disse que as “coisas boas” também devem ser divulgadas. Tem gente achando que é mera obrigação.

* A retomada do Estacionamento Rotativo Pago no Centro tem nova data: o primeiro trimestre de 2019. Significa que deve estar funcionando até 1º de abril. Coincidentemente, o Dia da Mentira.

De portas abertas
Na última sexta-feira, atendendo a um pedido da coordenação de campanha, o Hospital Montenegro recebeu a visita do candidato ao governo do Estado pelo PSDB, Eduardo Leite. Como se trata de uma instituição que se mantém com verbas públicas, a direção não tinha alternativa. Mesmo assim, sem buscar informações a respeito, pessoas ligadas à campanha de José Ivo Sartori, do MDB, foram às redes sociais dizendo que o HM tinha lado e que o “Gringo” não teve a mesma oportunidade.

Heart shape from stethoscope

Confortável – Nunca foi segredo para ninguém que o diretor do HM, Carlos Batista da Silveira, é ligado ao PT. Certamente teria ficado muito mais confortável se o visitante fosse Miguel Rossetto, do seu partido. Quanto ao Gringo, ele não veio a Montenegro durante os quatro anos do primeiro mandato e nem nesta campanha, mas ainda faltam três dias. O Hospital está de portas abertas para ele também.

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