Embora o Governo do Estado e a Brigada Militar, através dos seus comandantes, insistam em dizer que a violência está sob controle, os montenegrinos sentem medo. Ainda que oficialmente tenha sido registrada queda na quantidade de alguns tipos de crimes em relação a 2015, está cada vez mais difícil ficar tranquilo. A incômoda sensação de insegurança passou a fazer parte do nosso dia a dia e a impressão que se tem é a de que, a qualquer momento, seremos a próxima vítima. Dois casos registrados esta semana, com diferença de pouco mais de 24 horas, reforçam este medo. O primeiro foi o assassinato de um morador de rua na Praça Rui Barbosa, um dos locais mais movimentados da cidade. O outro foi um assalto na RSC-287, em que uma família perdeu seu furgão em meio ao trânsito movimentado, junto à lombada eletrônica do bairro Cinco de Maio. São situações diferentes, mas ambas deixam a certeza de que nenhum lugar é seguro hoje em dia.

Prevenção – Sobre o crime ocorrido na Praça, é necessário fazer algumas ponderações. Não se tratou de um assalto, mas provavelmente de um acerto de contas em torno de uma garrafa de cachaça. Por outro lado, o homicídio poderia ter sido evitado se houvesse policiamento no local ou a presença permanente de guardas municipais. Por mais criminosa que seja a índole de um indivíduo, a presença de autoridades tende a inibir comportamentos mais agressivos. Também é preciso levar em conta que, desta vez, a briga foi entre os mendigos, mas é comum vê-los achacando pedestres e ofendendo aqueles que não ajudam a sustentar seu vício. Só isso já deveria motivar uma ação mais enérgica das autoridades.

Fugas rápidas – Quanto ao assalto, é verdade que a Polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tornando difícil uma prisão em flagrante. Por outro lado, os criminoos sabem que os efetivos da região são poucos, o que facilita suas fugas depois do cometimento dos crimes. Logo, o Vale do Caí desperta a cobiça de quem faz do assalto seu meio de vida.

Articulação – Por isso, cresce a importância de um trabalho regional articulado em busca de novos agentes de segurança para Montenegro e cidades vizinhas. A Brigada e a Polícia Civil fazem, sim, um excelente trabalho, mas não é o suficiente para vivermos tranquilamente.

A maior prova da omissão do poder público na Praça é a ausência de um guarda municipal num local por onde, diariamente, transitam milhares de pessoas. Difícil imaginar outro ponto onde os agentes são mais necessários do que ali. Acorda, prefeito!

Cereja – Não é de hoje que a população vem reclamando da situação da Praça Rui Barbosa. Além da falta de manutenção, da coleta de lixo deficiente e da má conservação dos banheiros, a transformação do espaço em uma espécie de resort pelos mendigos afasta o público do local. A Administração Municipal, há mais de uma década, alega que não pode retirá-los à força, pois eles têm o direito de ir e vir. Como os incomodados é que se retiram, foram os demais usuários é que perderam a chance de usufruir o espaço com segurança. O assassinato desta semana é a cereja de um bolo preparado com doses generosas de descaso e de incompetência, assado no forno da omissão.

Semana que vem
Deve ficar para a semana que vem a votação, em plenário, do requerimento que propõe a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a construção do Loteamento Bela Vista, no bairro Estação. É que alguns vereadores solicitaram uma análise jurídica do caso ao advogado Adriano Bérgamo, que ainda não entregou seu parecer. A iniciativa é de Talis Ferreira, do PR, mas já tem o aval da bancada governista do PSB, formada por Josi Paz, Rose Almeida e Valdeci Alves de Castro. A instalação da CPI depende dos votos de mais dois colegas, num total de seis dos dez componentes do Legislativo.

Desvio de foco – Se ainda estivesse no Legislativo, Roberto Braatz disse que provavelmente votaria contra a proposição. Não por considerar a investigação inválida, mas porque já existe um processo na Justiça em que os responsáveis pela obra, incluindo a Prefeitura, foram condenados a recuperar as casas e fazer a infraestrutrura que ficou faltando. Além disso, Braatz acha que a CPI é uma manobra divercionista para desviar o foco do “péssimo” governo Aldana.

Paternidade contestada
Uma reivindicação antiga da comunidade do bairro Municipal foi atendida nesta terça-feira pela Secretaria de Viação e Serviços Urbanos: a reconstrução da ponte da Rua Hortêncio Rodrigues Machado. Segundo nota da Assessoria de Comunicação, a obra teve “o apoio do vereador Talis Ferreira (PR)”. Nas fotos divulgadas, porém, ele não aparece “com a mão na massa”, como era de se supor.

DNA – Na postagem da notícia na rede social Facebook, o ex-vereador Gustavo Zanatta (PP) reivindica para si a paternidade da obra. Lembra que desde 2015, através de um pedido de providências, vinha cobrando a solução do problema. Pelo jeito, será necessário um exame de DNA.

Tapas e beijos – É curiosa a relação de Talis com a Administração Aldana. Quando o atual prefeito assumiu, após o Impeachment de Paulo Azeredo, praticamente o expulsou do Palácio Rio Branco, onde atuava como assessor. Por meses, o hoje vereador foi um dos principais críticos do governo. “Por Montenegro”, as feridas foram cicatrizadas em tempo recorde. Mas podem reabrir a qualquer momento.

Ponto eletrônico
O deputado estadual Lucas Redecker (PSDB) protocolou, na Assembleia Legislativa, projeto de lei que institui a adoção do ponto eletrônico no âmbito do Poder Executivo. Pelo texto, o não cumprimento integral da jornada, resultante de atraso ou saída antecipada do serviço, importará em desconto proporcional à remuneração do servidor no valor dos minutos correspondentes. Bem que essa moda podia pegar por aqui, moralizando de vez a atuação de CCs e assessores da Câmara de Vereadores. Alguém aí tem coragem para isso?

Rapidinhas
* Ao contrário do que foi divulgado nesta coluna na segunda-feira, ainda não há certeza de que a obra de reforma da Biblioteca Pública estará pronta para inauguração no dia do aniversário do Município, em 5 de maio. A fonte que havia passado a informação foi “otimista demais”.

* Nestes tempos em que dá calote nos fornecedores, a Administração Municipal alega que não tem condições de recuperar o Parque Centenário com a agilidade que a população espera. Com a ajuda de algum milagre, talvez, em dezembro, a nova instalação elétrica esteja pronta.

* Demorou, mas saiu o dinheiro que o Estado devia ao Hospital Montenegro. O desafio agora é cortar cabeças e adaptar a estrutura a uma redução de R$ 400 mil mensais nos repasses para este ano.

* O projeto de criação de uma casa regional de passagem para mulheres vítimas de violência é uma excelente ideia, mas deve ser bem amarrado. Em geral, as prefeituras da região prometem contribuir e, com o tempo, deixam a conta toda para os contribuintes montenegrinos pagarem.

* Agora que os meses de janeiro e fevereiro terminaram, será que finalmente a Prefeitura voltará a ter funcionários para atender as estradas do interior? Sim, porque justamente na melhor época do ano para fazer a manutenção, a maioria está de férias. Gestão parece não ser o forte no “pátio”.

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