Autointitulada Cidade das Artes, Montenegro tem sido palco de dezenas de eventos, todos os meses, voltados aos mais diversos públicos. São atividades promovidas pela Prefeitura, pela Fundarte, pela Uergs, pelo Sesc e por outras instituições que, muitas vezes, a comunidade nem chega a aproveitar. Anualmente, nesse calendário, destacam-se as atividades da Semana Farroupilha, cujos pontos altos são o desfile, com seus cavalarianos, e, até 2016, o acampamento no Parque Centenário, com apresentações artísticas, churrasco e fandango. Nos últimos anos, porém, a área pública não foi liberada para uso pela gauchada. Primeiro, por causa de problemas na estrutura elétrica e, agora, por falta de Plano de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI). Além disso, a exigência de atestados de saúde dos animais, feita pela Vigilância Sanitária, causou revolta entre os tradicionalistas. É que os laudos custam relativamente caro e, segundo eles, não são exigidos em outras cidades. Movidos pelo espírito farrapo, eles resolveram protestar.

O vento apagou a chama crioula durante o desfile e a imagem acabou se tornando uma espécie de símbolo do evento, marcado pelo protesto dos tradicionalistas, que cobram maior apoio

Abandono
Em parte, a gauchada está certa. A situação do Parque Centenário é lamentável. Palco de grandes festas no passado, o complexo foi se deteriorando aos poucos por falta de manutenção. Os ginásios, apesar dos esforços do governo, continuam interditados, ainda há quedas de luz e o conjunto de banheiros, que deveria estar pronto desde fevereiro e servir aos usuários da área campeira, ainda não foram liberados.

Escolha de prioridades
Por outro lado, antes de levantarem o relho, os tradicionalistas devem fazer algumas ponderações. Sobre a emissão dos laudos atestando que os cavalos são saudáveis, a maioria da população certamente concorda que a Prefeitura tem demandas mais urgentes para aplicar os recursos. Muitos desses animais passam o ano todo em hospedarias ou em áreas alugadas, sob os cuidados de terceiros, tendo o lazer como único propósito. Custa caro manter um cavalo e a responsabilidade por garantir que ele não está doente faz parte do pacote. O dinheiro do contribuinte deve ser aplicado nas escolas e na compra de remédios.

Para todos
Aliás, a exigência dos laudos para os cavalos é de um órgão estadual, sobre o qual a Prefeitura não tem ingerência.Subsidiar a emissão para garantir os cavalos no desfile deixaria o Município na obrigação de financiar todas as manifestações artísticas de preservação da cultura. Seria lindo, mas é impraticável.

Desinteresse
Quanto ao Parque, o prefeito garantiu ontem que a comissão organizadora da Semana Farroupilha não identificou, entre os tradicionalistas, maior interesse em usar a estrutura. Como a Associação que congrega as entidades está devendo a prestação de contas do último repasse, a Prefeitura não pode financiar as apresentações e outras atividades envolvendo custos, como rodeio, por exemplo. Tudo teria de ser feito pelos CTGs, DTGs e Piquetes, que optaram por realizar eventos em suas próprias sedes.

Bom senso
A solução do impasse requer entendimento e doses “cavalares” de bom senso. A Associação Tradicionalista Montenegrina (ATM) precisa se reorganizar e prestar contas do último repasse e a Administração Municipal, devolver o Parque Centenário à população em plenas condições de uso. Depois, formar um grupo que realmente queira promover as tradições para garantir um desfile como os de antigamente e um rodeio com fandango para divertir a gauchada. E, sim, o poder público deve bancar as atrações do evento, sem nunca esquecer que Montenegro tem outras manifestações culturais que merecem a mesma atenção e que hoje, por falta de mobilização, estão abandonadas.


 

Socorro!
Um servidor público e um jornalista se encontram numa padaria no centro da cidade e travam o seguinte diálogo:
– Bom dia! Tenho uma sugestão de pauta pra ti – diz o funcionário da Prefeitura.
– Opa, diga lá – pede o jornalista.
– Tem um grupo de cachorros atacando os motoqueiros ali na esquina do São João. São animais de rua. Alguém tem que resolver isso – continua o servidor
– Boa ideia, mas acredito que a responsabilidade é da Prefeitura – esclarece o profissional da comunicação.
– Então acho que não vai adiantar – resigna-se o funcionário.
Dispensa comentários.


 

Desempenho dos descendentes mostra que herdaram o talento de Rivo

Homenagem
Se o desfile da Semana Farroupilha deixou a desejar, não se pode dizer o mesmo da sessão solene da Câmara. O ponto alto foi uma apresentação da “família Bühler”. As filhas do tradicionalista Rivo Bühler, Riviane e Rivana; e os netos Maria Carolina e João Pedro, acompanhados do artista Paulo Augusto Petry, interpretaram a canção “Rodeio da Natureza” composta pelo homenageado no fim dos anos 70. Advogado a ex-vereador, Rivo passa a denominar uma rua no bairro Aeroclube.


 

Manequins
A Câmara “se puxou” na decoração do prédio para a sessão solene da Semana Farroupilha. Estava tudo muito bonito, mas algumas pessoas só repararam que os manequins usados para lembrar as figuras do gaúcho e da prenda e suas indumentárias típicas não tinham cabeças. Obviamente que não se trata de uma metáfora aos vereadores. Esse tipo de crítica, por sinal, desestimula o esforço daqueles que perdem tempo e energia tentando fazer algo diferente para valorizar as tradições.


 

RAPIDINHAS
Passagem de bastão na Câmara. Na consultoria jurídica, sai o advogado Adriano Bergamo e assume Alexandre Muniz de Moura, ex-procurador geral do Município no governo Paulo Azeredo.

Bergamo deixa uma extensa folha de irretocáveis serviços prestados ao Legislativo, entre eles, o processo de Impeachment de Luiz Américo Aldana, em 2017. Formalmente perfeito, a tal ponto de nenhum recurso judicial da defesa ter obtido êxito.

Depois de uma cirurgia no joelho, Joel Kerber (Progressistas) está de volta à Câmara. Como líder do governo, precisa estar com as articulações em dia para pegar os “pênaltis” cobrados pela oposição.

Prefeito Kadu não usou pilcha nos eventos do Dia do Gaúcho. Como não veste bombacha habitualmente, preferiu não ser visto como um oportunista.

Eleição para o Conselho Tutelar começa a mobilizar alguns segmentos da comunidade e até gera enfrentamentos entre apoiadores de alguns candidatos. É uma versão reduzida do que vai ocorrer na disputa pela Prefeitura e pela Câmara ano que vem.

Todos tiveram a chance, mas apenas o vereador Cristiano Braatz fez emendas para redirecionar verbas na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020. Os remanejos contemplam tradicionalistas, artesãos, corais, bombeiros voluntários e defensores de animais.

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