“Quer chamar a atenção? Pendure uma melancia no pescoço e vá para a rua.”
Aqueles que não cozinham na primeira fervura provavelmente já ouviram esta expressão, empregada como reprimenda a comportamentos exibicionistas. Na campanha eleitoral, como em nenhum outro momento, o alerta é importante. Para se destacar na multidão de candidatos, tem gente fazendo de tudo. Semana passada, o vereador Márcio Miguel Müller, do PL, transformou a pesada fruta num colar, ao propor que, na próxima legislatura, os parlamentares de Montenegro recebam apenas um salário mínimo por mês. Müller está na Câmara por apenas 30 dias. Suplente, ocupa a cadeira de Rose Almeida, afastada temporariamente para tratamento médico. Pela sua proposta, os vencimentos diminuiriam de R$ 6.386,48 para R$ 1.045,00. O principal argumento do autor é a economia que, caso a proposta vingue, alcançaria quase R$ 2,8 milhões em quatro anos.

Saia justa – É difícil votar contra um projeto desse tipo, especialmente num momento em que todos estão de olho nos políticos e qualquer passo pode custar muitos votos. Márcio Müller sabe disso e, possivelmente, muito mais do que aprovar a matéria, ele pretenda colocar os colegas numa “saia justa”. Para ele, é um projeto “ganha-ganha”. Se for aprovado, vira herói. Em caso de rejeição, complica a vida de quem votou contra e constrói uma imagem de austeridade.

Dedicação – Como a classe política está super desacreditada, é natural que alguns eleitores se deixem iludir por este tipo de proposta e ignorem as verdadeiras intenções que ela oculta. O projeto é ruim? Depende. Para um vereador que se limita a comparecer às sessões de quinta até o salário mínimo é muito. Para aqueles que participam de reuniões, audiências, visitam as comunidades e vão atrás de verbas e projetos, é pouco, até porque isso exige dedicação integral.

Dá tempo – O salário atual é de R$ 6.386,48 e, em setembro, foi fixado o mesmo valor para a próxima legislatura. A lei permite mudanças até o dia da eleição, no caso, 15 de novembro e, na prática, há tempo suficiente para isso, o que deixa a responsabilidade nas mãos dos atuais legisladores, a maioria deles, candidatos à reeleição. No apagar das luzes do mandato, é uma polêmica que ninguém quer.

Assessores – Do ponto de vista prático, qualquer medida que venha a representar economia aos cofres públicos é bem-vinda. Contudo, como dizem nossos avós, caldo de galinha e bom senso não fazem mal a ninguém. Existem outras formas de reduzir despesas no próprio Legislativo. Muitos não sabem, mas cada vereador tem um assessor pago pelos contribuintes, que hoje recebe R$ 4.584,21. Durante a campanha, alguns deles atuam como meros cabos eleitorais, desequilibrando a disputa política.

Nivelamento – Como a escolaridade mínima exigida para desempenhar a função de assessor parlamentar é Ensino Médio, não seria o caso de reduzir estes salários para níveis semelhantes aos praticados pela iniciativa privada? Aliás, tem sentido pagar salário mínimo para quem é eleito pelo voto popular e quatro vezes mais para um assessor? Tem que vê isso daí…

Cargos – Quinta, após ouvir a defesa do projeto pelo autor, o vereador Felipe Kinn (MDB) fez algumas ressalvas. Ele considerou curioso Márcio defender a redução de despesas na Câmara quando mantém três pessoas de sua família ocupando cargos de confiança na Prefeitura. Müller pediu um aparte, mas não foi atendido.

Com atraso – É provável que, após o barulho inicial, a “melancia” murche e haja um acordo. Se a proposta do salário mínimo para os vereadores não for revista, a oposição – que tem maioria na Câmara – vai mexer também nos salários do prefeito, do vice e dos secretários. É uma pena que isso não tenha sido acertado antes da campanha. Quantos, dos 106 candidatos ao parlamento, teriam entrado na disputa para ganhar pouco mais de mil Reais por mês?

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Perguntar não ofende
– Se a ideia é passar a mensagem de que Montenegro está em construção e que a cidade melhorou muito desde que assumiu o governo, por que alguns programas do candidato Kadu foram gravados em frente a uma parede em escombros?
– Se o candidato Percival de Oliveira, com 63 anos, afirma que sua experiência será fundamental para Montenegro “voltar a brilhar”, por que os marqueteiros da campanha apagaram a maior parte de suas rugas no Photoshop?
– Se o candidato a prefeito que tem como slogan “Voa Montenegro” é Kadu Müller, por que na campanha de Gustavo Zanatta praticamente só aparecem imagens aéreas da cidade?

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Algodão
Semana passada, em entrevista ao Ibiá, o candidato Ademir Fachini, vice na chapa encabeçada por Percival de Oliveira, declarou que será o “algodão entre os cristais”. De fato, o empresário costuma ser lembrado como uma espécie de “bombeiro” quando as labaredas da vaidade ameaçam consumir o PDT. A aliança que colocou no mesmo santinho os trabalhistas e seu principal adversário tem o DNA dele. A manutenção da paz entre grupos tão antagônicos, porém, vai exigir mais do que algodão.

Rodeio e festas – Chamado a listar as contribuições que fez ao plano de governo da coligação, Fachini citou o rodeio, melhorias no Parque Centenário e a volta das “festas”. Pautas importantes, sem dúvida, mas teve gente achando que falaria algo da área da Educação, historicamente, a maior pauta do PDT.

Orgulho petista
A candidata do PT a vice-prefeita, Liliane Mello, entrevistada ontem pelo Ibiá, disse que foi um deslize o sumiço da estrela-símbolo do partido dos materiais de campanha. Diferente de alguns “companheiros”, demonstra orgulho de ser petista, mesmo num momento em que partido de Lula e Dilma luta para sobreviver nas cidades menores. É preciso respeitar pessoas que não abandonam o barco nas tempestades.

Promessa é dívida II
Márcio Menezes foi o candidato da vez na série de entrevistas do quadro “Pronto. Falei!” do Ibiá, especial das eleições. O tema sorteado e só divulgado na hora foi mobilidade urbana, uma área em que, inegavelmente, Montenegro precisa avançar. O tucano precisou falar de assuntos como transporte público, estacionamento rotativo, cuidados com calçadas e como tornar Montenegro uma cidade com mais acessibilidade.

Para lembrar – Menezes sinalizou uma calçada no canteiro central da Via II, parceria com empresas para revitalização das placas de ruas, energia solar em prédios públicos, padronização de calçadas, sorteio para mutirão de manutenção nos bairros e, alô, um viaduto na travessia da RSC-287. Anotou tudo?

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Rapidinhas
Por mais divertido que possa parecer, editar fotos de candidatos para que eles tenham a aparência de animais é crime eleitoral. O repasse dessas trucagens pelas redes sociais equivale a produzir e distribuir panfletos anônimos com mentiras sobre políticos, prática que já rendeu condenações na Cidade das Artes em tempos recentes.

A reabertura do Parque Centenário neste domingo, para lazer e caminhadas, gerou algumas críticas nas redes sociais. Há quem veja aí uma ação política para beneficiar o prefeito, candidato à reeleição. Dificilmente, já que agora as pessoas poderão concluir, por si mesmas, se o espaço está abandonado, como muitos políticos da oposição dizem, ou não.

Para as crianças e adolescentes que residem no interior, a volta às aulas é uma miragem. Sem ônibus, os alunos não têm como chegar às escolas. Alguém vai tomar alguma providência?

Alguns cabos eleitorais deveriam ter suas habilidades estudadas pela Nasa. Nas segundas, quartas e sextas, trabalham em Montenegro e, nas terças, quintas e sábados, em Triunfo. Aos domingos, nada de missa e descanso. É dia de ir a Canoas pedir votos para um terceiro candidato.

A chegada dos cabos eleitorais às ruas, na última semana, dá um pouco de ritmo a uma eleição atípica, que tem despertado pouco interesse junto ao eleitor. Porém, os partidos e coligações devem tomar cuidado para que o agito das bandeiras não atrapalhe o trânsito, reduzindo a visibilidade nas esquinas. É fácil perder votos.

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