Os bugios são comuns nas áreas de mata da região Sul do país, mas a população desses macacos vem diminuindo à medida que as cidades avançam sobre o seu habitat. Mesmo assim, muita gente já deve ter visto ou ouvido falar das brigas entre os machos da espécie, seja por territórios ou pelo direito de acasalar com as fêmeas. Antes de partirem para as “vias de fato”, eles dão um verdadeiro show. Sua característica mais marcante é o som, que pode ser confundido com gritos e rugidos. Dá medo e é justamente este o objetivo. Muitas vezes, quem berra mais acaba espantando o oponente e a luta é cancelada. Também há situações em que arremessam as próximas fezes contra os adversários, na tentativa de humilhá-los e fazer com que fujam. No Youtube, há alguns vídeos, mas se o leitor estiver a fim de testemunhar algo parecido, pode ir até a Câmara de Vereadores. Nas quintas-feiras, a partir das 19h, tem showzinho.

Chance perdida
Na quinta-feira, quem começou – de novo – o espetáculo foi o vereador Joel Kerber (Progressistas). Da tribuna, ele elogiou a qualidade das estradas do interior e provocou a reação do colega Valdeci Alves de Castro, do PSB. Não é para menos: há dias, o Jornal Ibiá vem noticiando as dificuldades das comunidades rurais por conta do barro e dos buracos. Em algumas localidades, inclusive, os próprios moradores estão fazendo a manutenção porque não aguentam mais esperar. Sabe quando alguém perde a oportunidade de ficar quietinho? Pois é…

O melhor
De outro lado, a reação do vereador Valdeci foi completamente desproporcional. Passou 15 minutos na tribuna batendo no governo e repetindo exatamente as mesmas críticas que vem fazendo há meses, castigando os ouvidos da plateia, não por acaso, cada vez menor. Além disso, o socialista não perde uma chance de dizer que foi o melhor diretor de estradas de Montenegro, do Brasil, da América Latina, da Terra… Curioso que algo tão óbvio para ele tenha de ser repetido tantas vezes.

Sem comparação
Na verdade, não estamos comparando políticos com macacos. Até por que, os símios têm motivos nobres para agirem desta forma. A citação aos bugios, neste caso, é uma metáfora para discussões barulhentas que raramente levam a algo concreto. É muita gritaria e perda de tempo por… nada. Os elogios do governista Joel Kerber não tornam o governo melhor, assim como as críticas de Valdeci não o fazem pior do que é. Só os dois parecem ainda não ter entendido.

Nanicos
Quando as eleições são o tema de uma discussão, em geral, as pessoas focam na votação para os cargos executivos (prefeito, governador e presidente). No entanto, em relação à disputa de 2020, a votação para as câmaras também deveria despertar interesse desde já. Será o primeiro pleito em que estarão proibidas as coligações na apresentação de nominatas para a Câmara e isso fará uma grande diferença. Hoje, o Brasil tem dezenas de partidos que, sozinhos, não conseguem votos suficientes para eleger um vereador e, por isso, se aliam a legendas maiores. A partir do ano que vem, isso será proibido.

Grandes – Quem quer ingressar no Legislativo terá de deixar os nanicos e aderir a um dos “grandes”. Em Montenegro, as opções são poucas: Progressistas, MDB, PDT, PTB e PSB basicamente. Na situação atual, nem mesmo o PT é viável e legendas criadas há pouco tempo, como PSL e Novo, terão de trabalhar muito para adquirir a musculatura necessária para emplacar algum nome. A situação é tão perigosa que, mesmo entre os atuais vereadores, há possibilidade de trocas.

Troca – Entre os dez vereadores, a situação mais delicada no momento é a de Talis Ferreira. Eleito pelo PR, numa coligação com o PDT, ficou de costas para os antigos aliados logo no começo da gestão Aldana e agora é líder do governo Kadu na Câmara. Talis já disse que vai para o Progressistas, junto com o prefeito, assim que “janela partidária” for aberta e ele puder trocar sem perder o mandato. Até uma xícara “progressista” ele já usa.

Paradas e pedras
No fim do ano passado, o vereador Cristiano Braatz (MDB) apresentou, como sugestão ao prefeito, uma lei que permite aos ônibus das linhas urbanas parar em qualquer lugar, mesmo fora dos pontos, para a descida dos passageiros à noite e durante a madrugada. Kadu gostou da ideia e, como a iniciativa deve partir do Executivo, mandou um texto para a Câmara, que foi aprovado por unanimidade. Nem poderia ser diferente, já que a medida visa a segurança, especialmente de estudantes e mulheres, mais visados pelos criminosos. Ocorre que, depois disso, cabia ao prefeito sancionar a lei, para que ela entrasse em vigor. Só que, no meio do caminho, tinha uma “pedra”.

Último passo – De acordo com a legislação, após a aprovação de um projeto pela Câmara, o prefeito tem 15 dias para transformá-lo em lei ou vetar seu conteúdo. No segundo caso, o texto volta ao Legislativo para avaliação do veto. Como Kadu não fez nem uma coisa e nem a outra, a promulgação da lei coube ao próprio presidente da Câmara. A pergunta é: se o projeto era do Executivo, por que o prefeito não deu o último passo para a sua aplicação na prática?

Motivações – Há duas versões para atitude do prefeito. Marque a que você acha mais adequada:
( ) 1 – O prefeito Kadu quis homenagear o presidente da Câmara, de quem partiu a ideia de garantir mais segurança aos passageiros do transporte coletivo à noite, permitindo que seu nome ficasse vinculado à lei que propôs.
( ) 2 – O prefeito está magoado com Cristiano Braatz, que há poucos dias o chamou de “enrolão” na tribuna da Câmara.

Filiação
O ex-presidente do PSB, Mano Endres, distribuiu ontem fotos à imprensa da filiação da ex-

secretária de Gestão e Planejamento, Kellen de Mattos, ao partido. E ele quer fisgar outro peixão: o chefe do Executivo de Pareci Novo, Oregino José Francisco, para disputar a Prefeitura de Montenegro. A possibilidade é mais concreta do que muitos pensam.
Dupla? – Kellen já foi o braço direito de Oregino em suas gestões anterior – ele está no terceiro mandato – na cidade vizinha. Atualmente, ela é responsável pelo Departamento de Regularização Fundiária e Reassentamentos do governo do Estado. Será que sai uma dobradinha?

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