Conviver não é fácil. Por isso que os relacionamentos começam, viram namoro, noivado e só depois os envolvidos sobem ao altar e prometem amar, respeitar e ser fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Infelizmente, o amor só é eterno enquanto dura e, num passe de mágica, as juras são esquecidas. Não é diferente na Política. Esta semana, tivemos um importante divórcio em frente às câmeras, com o vice-prefeito Carlos Eduardo Müller, o Kadu, tirando a aliança que trocou com Luiz Américo Aldana no ano passado e que foi abençoada não por um padre, mas por 10.479 eleitores. Ele entregou o cargo de chefe de gabinete, mas promete continuar colaborando com a Administração. Na partilha de bens, não ficará desamparado. Além de uma “pensão” de R$ 3.806,78, paga aos vices que não exercem funções permanentes no governo, manteve vários cargos para o partido que preside, o Solidariedade. Pelo menos por enquanto.

Degola Ao comunicar sua decisão, Kadu apontou uma série de razões, mas a principal seria a quebra da relação de confiança entre ele e o prefeito. Ficou particularmente incomodado com a exoneração de filiados do seu partido sem que, antes, tenha sido consultado. A baixa mais sentida foi a de Edar Borges Machado, na semana passada. O ex-secretário de Obras disse, inicialmente, que saiu por razões pessoais, mas agora afirma que o prefeito Aldana solicitou sua demissão, sem, sequer, apontar os motivos.

Grupo – O vice-prefeito ainda citou a existência de um grupo, muito próximo ao prefeito, que interfere nas decisões do chefe do Executivo e ele, que é o vice, não era consultado. Embora não tenha citado nomes – por uma questão de sinceridade deveria tê-lo feito – trata-se de uma referência a Valter Robalo, Gilson Hartmann, Carlos Alberto da Silveira Junior e Evandro Machado. Os quatro, apelidados por alguns servidores como D’Artagnan e os três Mosqueteiros, são, de fato, as pessoas mais próximas ao chefe do Executivo e provavelmente as que ele mais ouve.

História – Que Aldana escute mais este grupo é perfeitamente compreensível. Dois deles são seus companheiros desde a época em que militava no PSol. Robalo, inclusive, foi seu candidato a vice em 2008. Quando Paulo Azeredo sofreu Impeachment, foi nele que o novo prefeito encontrou apoio para governar no mandato tampão, enfrentando, inclusive, uma Câmara de Vereadores majoritariamente disposta a cassá-lo também. Essa lealdade sempre será recompensada.

Descarte – Aliás, é ingenuidade imaginar que o prefeito jogará para escanteio justamente as pessoas que mais o ajudaram – ainda que, muitas vezes, de forma equivocada – para privilegiar outro grupo. Kadu e os demais filiados do Solidariedade deveriam saber disso.

Toalha – Por outro lado, erra o prefeito ao relegar a segundo plano seu companheiro de chapa, que deu a cara a tapa na hora de encarar os eleitores e pedir votos. Se realmente era necessário demitir CCs que pertencem aos quadros do partido que ele dirige, custava comunicá-lo antes? Parece briga por toalha molhada na cama.

Metade – Durante a entrevista coletiva em que o vice-prefeito comunicou seu afastamento da chefia de gabinete, o ex-secretário Edar Borges disse que metade dos votos conquistados pela chapa majoritária, em outubro, são do Solidariedade. Curioso que toda essa “densidade” eleitoral não tenha ajudado a legenda na obtenção de uma vaga na Câmara. Já o PSB do prefeito Aldana elegeu três.

Desconfiança – Existem situações que desafiam a lógica, até mesmo na Política. Kadu disse que não há confiança suficiente entre ele e o prefeito, mas o partido, ou melhor, os outros oito filiados que possuem cargos, seguem no governo. De certo eles confiam mais no chefe. Ou estariam colocando os salários que recebem acima dos princípios partidários.

Críticas – Em vídeo, o prefeito Aldana elogiou o vice, destacando sua sinceridade e garantindo que, embora sem cargo no governo, ele continuará trabalhando ao seu lado. Também disse que as críticas recebidas serão usadas para “melhorar”.

Diplomacia – O “grupo” a que o vice se referiu é considerado truculento não apenas por outros integrantes do governo, mas também por boa parte dos vereadores. Kadu é tido como mais diplomático pela Câmara, característica que poderia resultar em vantagens à Administração diante de pautas e projetos polêmicos.

Conspiração – Sem maioria no Legislativo, o prefeito Aldana precisa de bons interlocutores no parlamento. Kadu chegou a se reunir com os edis algumas vezes, mas teria sido acusado de conspirar contra o chefe do Executivo. Daria um bom roteiro para um filme de espionagem. Ou, no mínimo, para uma excelente comédia pastelão.

Terapia – Montenegro já teve outros casos de prefeitos e vices com relações turbulentas. Quem não lembra da gestão Madalena Bühler e Roberto Braatz, entre 1997 e 2000. Espera-se Aldana e Kadu não repitam aquela situação patética, que só prejudicou a comunidade. Quem sabe, uma boa “terapia de casais” não salva esse casamento?

Rapidinhas
* Apesar de toda a mobilização das lideranças da região, o Hospital Montenegro ainda não conseguiu receber os quase R$ 15 milhões prometidos pelo Estado para a quitação de seus débitos com a entidade. E nem o que a Prefeitura lhe deve desde o mês de outubro.

* Os municípios da região estão conseguindo a liberação de mais R$ 4,5 milhões para a Transcitrus. Foram contemplados trechos de estradas em Brochier, Maratá, São José do Sul e Harmonia. A Administração de Montenegro, mais uma vez, “chupou bala” e ficou de fora, para desespero dos moradores de Santos Reis e Campo do Meio.

* A falta de visão para a importância da comunicação produz situações surreais na Prefeitura. Para conseguir informações com agilidade em alguns setores, nem rezar ajuda. Até mesmo quando se trata de serviços para a comunidade, como os prestados na área da saúde, a burocracia e a falta de boa vontade são lamentáveis.

* É nesta tarde, em Porto Alegre, a audiência pública em que será discutida a concessão da BR 386 para a iniciativa privada e a consequente instalação de um pedágio entre Montenegro e Nova Santa Rita. É grande a expectativa para saber quais as lideranças locais que estarão lá para defender os interesses da comunidade.

* Que o poder público não adote políticas voltadas ao desenvolvimento econômico não chega a ser novidade. Mas quando ele prejudica os empreendedores locais, não pagando aquilo que lhes deve em troca da compra de produtos e serviços, simplesmente perde o respeito. O calote da Prefeitura já está aumentando as filas do Sine.

* Nas redes sociais, são fortes os boatos de transferência de professores de várias escolas municipais. Estariam sendo perseguidos por questões políticas. Até pode ser, mas alguns deles estão caindo porque, em conversas de Whats app, teriam combinado ações para boicotar o trabalho das novas direções, nomeadas no fim do ano passado.

Tempos de calmaria
Esta semana, em sua página no Facebook, o ex-vereador Marcos Gehlen (PT) fez uma análise do momento político atual. “…acostumados que estávamos com declarações fortes e emoções sempre à flor da pele, hoje vemos uma calmaria que beira a inércia, com movimentos que lembram os passos de um ballet, cheios de equilíbrio e flexibilidade. Ou não!”, escreveu. Segundo ele, a boa política é feita de enfrentamentos e disputas em nome da cidadania. Há quem pense que o entendimento produz mais resultados. Ainda bem!

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