Passado o período de adaptação, já está valendo a lei que proíbe o uso de canudos e copos descartáveis em Montenegro. Iniciativa do vereador Cristiano Braatz (MDB), o foco é limitar o acesso ao material e seu descarte incorreto no meio ambiente, substituindo-o por outros, como o canudo biodegradável. Importante iniciativa, mas que tem a efetividade ameaçada pelo fato de que a maioria dos empresários na Ramiro Barcelos nem sabe de sua existência. Sim, fomos perguntar! O risco é que a fiscalização do poder público é precária e a lei pode acabar como a “lei das carroças”, que já fez 13 anos e ainda não funcionou.

Força limitada
Exemplos da necessidade de uma fiscalização que faça valer as leis em Montenegro não faltam. Do próprio Código de Posturas, muito não é seguido. E sem consequências, acaba que o cidadão que segue as regras é prejudicado por quem não segue. Estão aí calçadas quebradas, pátios tomados por mato e o comércio irregular no centro que não nos deixam mentir. Há pouca gente na Prefeitura para fiscalizar mais de 64 mil habitantes. Assim, o que é lei acaba ficando de lado.

É preciso falar das obras
O mesmo se percebe quando se olha para as obras públicas. Em sua maioria, contratadas mediante licitação, elas são de responsabilidade das empresas, mas há servidores responsáveis por fiscalizar periodicamente como estão sendo conduzidas. Deixando os atrasos de lado, as recentes críticas à revitalização das esquinas com a Ramiro Barcelos evidenciam que essa fiscalização também deixa a desejar. Sem tirar o mérito das intervenções, basta olhar e ver que a qualidade das calçadas feitas com dinheiro público está aquém do esperado.

Com assim?
Falando sobre essas críticas, o secretário de Obras Públicas de Montenegro, Ronaldo Buss, disse à Rádio América que só um engenheiro formado poderia criticar as calçadas. Até comentou que seria exercício ilegal da profissão estar criticando sem o conhecimento técnico da coisa. Pegou mal. Parece que o fiscal da obra dá como correto tudo o que foi feito por ali.

Problema real
Claro, é fato que vai da consciência de cada um estar dentro das regras existentes e ser um cidadão correto. É, sim, uma pena que seja necessário um poder de fiscalização que faça as pessoas colocarem o lixo no lixo, limparem seus pátios ou realizarem um serviço para o qual foram contratadas e pagas. Mas é inegável que essa necessidade existe. E como existe!


Rodovias: o drama continua
Custou R$ 200 mil para a Prefeitura o projeto para as rótulas da RSC-287. O documento foi entregue pela EGR ao prefeito Kadu Müller após um ano e oito meses. O período foi classificado como “recorde” pelo vereador Joel Kerber (PP), perto do exemplo da rótula instalada em Capela de Santana, que levou quatro anos para ser projetada. Mas ainda há pouca razão para os montenegrinos comemorem. Eis o drama: o Estado não tem dinheiro para bancar as obras e a própria EGR, até onde se sabe, está à beira da extinção.

Segundo o prefeito, a menor das rótulas deve custar R$ 1,6 milhão. Para fazer todas, o custo deve chegar aos R$ 20 milhões. A esperança, ao menos, é que, com o projeto em mãos, se possa buscar recurso de outras fontes. Vai que cole. E nessa novela de crise, é oficial, também, que a manutenção das laterais das rodovias estaduais, não só por aqui, ficará com os municípios.

Falando em estradas, outra lamentável notícia envolve o trecho rural da BR-470, que corta a localidade de Fortaleza. Em reunião com a entidade responsável, o DNIT, Joel Kerber recebeu o posicionamento de que a muito necessária manutenção do trecho não está nos planos do governo federal. Querem empurrar mais essa para a Prefeitura.


Eleições 2020
“Meus passos são em direção ao bem comum”, escreveu Kellen de Mattos nas redes sociais ao divulgar sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro. Após Percival de Oliveira, na última semana, seu nome deve ser mais um a entrar na lista de pré-candidatos à Prefeitura de Montenegro nas eleições de 2020. Suplente na Câmara, Kellen é filha da ex-vereadora Isaura de Mattos, nome conhecido na política local.

PSL – Citado como opção do partido do presidente Bolsonaro para a Prefeitura, o coronel Leodimar Mantovani contatou esta coluna para dizer que não pretende concorrer. Disse que a má fama da política montenegrina, com campanhas sujas e mentiras, motiva sua decisão. É um sentimento que afasta do meio político muitos nomes com potencial. Alguns, até, que teriam muito a acrescentar ao desenvolvimento do Município.


Faixa “nobre”
Diz o vereador Talis Ferreira (PR) que fez imagens aéreas do centro da cidade. Isso para constatar que muita gente deixa seus veículos estacionados por dias inteiros na Ramiro, tirando vaga dos outros. Nem precisava tudo isso, vereador. Muita gente vê o quanto está difícil estacionar em Montenegro e como a falta do estacionamento rotativo tem sido prejudicial, principalmente ao comércio. Talis até pediu reunião sobre o tema. Já até se sabe que, após retificação, um novo edital da faixa nobre foi lançado pela Prefeitura para receber propostas em breve. Mas está tão difícil para alguns processos licitatórios andarem, que sempre cabe uma “pressãozinha”, sim. Estou olhando para você, transporte escolar.


RAPIDINHAS
A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades no Plano de Carreira dos servidores da Prefeitura pediu mais tempo para concluir seus trabalhos. Sem detalhar motivos, os vereadores aprovaram na quinta-feira mais três meses de apurações. A expectativa pelos resultados é grande.

E quem esperava alguma manifestação de Erico Velten (PDT) na Câmara após os novos desdobramentos das acusações de assédio sexual e “racha” de salário contra ele, saiu decepcionado. Ele nem mesmo usou a tribuna. Ficou calado sobre o caso. Todos os demais colegas, também.

Essa surpreendeu. O vereador Valdeci de Castro (PSB) elogiou o trabalho do prefeito municipal. Sim! Disse que Kadu não só foi prefeito na última semana, mas também foi secretário e diretor, “realizando” 36 de seus Pedidos de Providência. “Se ele pudesse fazer mais disso, colocava todo o trabalho do DSURB em dia”, comentou. Vai chover!

“Eu, de minha parte, não tenho medo nenhum de indicar cargos, caso a pessoa seja competente”, interrompeu Felipe Kinn (MDB), enquanto Valdeci garantia que não queria cargos no governo pois, caso o fizesse, perderia o direito de fazer suas cobranças. Teve quem achou a manifestação um “Fica a dica!” do vereador da oposição.

O financiamento da Prefeitura junto ao Banco do Brasil deu o que falar, mas os frutos estão sendo colhidos. Já vieram algumas máquinas e, dos itens do processo, mais quatro estão para chegar. E sobrou dinheiro. Como são usados preços de referência, durante o pregão, foram economizados R$ 192 mil. Serão novas aquisições.


Observados de perto
Enquanto o meio político ainda discute a questão do videomonitoramento nas ruas de Montenegro, dentro do Legislativo foram instaladas novas câmeras de filmagem. No plenário, dá para vê-las de longe, uma a uma, dispostas sobre a mesa para filmar de pertinho cada um dos vereadores. Elas vão integrar o futuro sistema de transmissão próprio das sessões, permitindo que ainda mais montenegrinos acompanhem o Legislativo municipal. Há quem espere que, com elas, nossos representantes sejam ainda mais participativos. Talvez até que limitem as conversas paralelas ou espiadas no celular durante a sessão.

Deixe seu comentário