Sabe quando estamos na escola ou na faculdade, prestes a nos formar e deixar aquele grupo com o qual passamos vários dias lado a lado? É quando bate o tal “efeito dos óculos de formatura”. Olhamos para aqueles colegas e para a rotina que está por acabar e, através desses “óculos”, bate uma nostalgia adiantada e é como se aquele período tivesse sido um mar de rosas. Não teve brigas, não teve polêmicas, não teve tropeços. Todos se amam. Têm apenas paz e amor; e aquela vontade de que o momento dure pra sempre. Pois é! Mesmo que ainda tenham mais um mês de trabalho pela frente, pelo visto, os vereadores de Montenegro já vestiram esses seus óclinhos. A paz reina. A sessão dessa quinta foi a primeira pós eleições e o tom, além dos agradecimentos, foi marcado por reflexões e despedida ao grupo atual.

Ao vivo – As sessões tinham deixado de ser transmitidas pelas redes sociais durante a campanha eleitoral para evitar que os vereadores que concorriam a reeleição usassem o espaço para se promover. Voltaram, agora, a estar disponíveis para a comunidade que, diante das medidas de controle da pandemia, são orientadas a não acompanhar as atividades presencialmente.

Retorno – Além das transmissões, também retornaram os vereadores Cristiano Braatz e Josi Paz. Ambos tinham deixado suas funções para se dedicar à campanha, concorrendo a vice-prefeito. Um voltou com a vitória. Outro não. Mas não houve nenhum atrito. Um abraço entre a dupla, ainda antes das câmeras serem ligadas, já denunciava o tom “paz e amor” que teria a sessão.

Contagem – Dos dez vereadores, Felipe Kinn, Juarez Vieira da Silva, Talis Ferreira e Valdeci Alves de Castro se reelegeram e voltam ano que vem. Rose Almeida e Erico Velten não tentaram nesse ano. Cristiano vai ser vice. Josi não conseguiu a eleição na chapa com Kadu, então está de saída. Joel Kerber e Neri Pena, o Cabelo, tentaram, mas também não voltam como vereadores.

Percepção – Com seus óculos, além de agradecer pelas amizades que criou nos últimos quatro anos, o vereador Felipe Kinn disparou: “A gente ouve que foi uma das piores Câmaras, mas quem está aqui sabe o quanto a gente trabalhou”. Com tantos reeleitos, parece que a comunidade enxergou o tal trabalho a que ele se refere.

Na pele – Reeleito, Kinn disse ter sentido a rejeição que muita gente tem aos políticos enquanto esteve em campanha nos últimos dias. Em 2016, ele ainda podia escapar dessas críticas dizendo que era o “novo”.

Representatividade – Entre as falas mais emotivas, Rose, que deixa a Câmara esse ano após ter conquistado um primeiro mandato em 96 e sido reeleita mais quatro vezes, expôs que temia não haver representação feminina na Câmara dada a reduzida participação de mulheres no pleito. “Ainda tenho o sonho de ver a Câmara 50% homem e 50% mulher”, confidenciou. Como já é hoje, duas vereadores foram eleitas para o próximo mandato.

Será mesmo? – Rose também disse que não descarta a possibilidade de voltar à Câmara mais pra frente, comentando que o fim de um mandato é uma pausa e não um adeus. Teve quem questionasse se o recado era mesmo uma referência a ela ou apenas um jeito de animar os colegas que tentaram a reeleição, mas não chegaram lá.

Dor de cotovelo? – Falando em quem não chegou lá, Joel e Cabelo nem mesmo usaram a tribuna. O primeiro não disse uma palavra. O segundo, enquanto presidente, teve que participar; mas houve quem achasse sugestivo o fato dele ter passado um bom pedaço da sessão esfregando o próprio cotovelo.

“Apoio” – Joel e Cabelo receberam um “carinho” da maioria de seus colegas, que consistiram em frases de apoio no estilo de “Não é o fim” e “Vocês têm um futuro brilhante pela frente”. Mas parte desse apoio pode ter vindo com um toquezinho de crítica. “Nós somos avaliados pelos quatro anos, não pelos 45 dias de campanha”, disse Talis Ferreira. Aí, entenda como quiser.

Não para – Valdeci ficou conhecido nesse mandato por suas cobranças na tribuna sobre a manutenção das estradas e melhores serviços urbanos. Já protocolou mais de 1.400 Pedidos de Providência nesse meio tempo e, ainda que, seguindo o fluxo, também tenha tirado um tempo para agradecer pelos amigos feitos no Legislativo, não mudou de perfil. Denunciou um esgoto que estaria correndo a céu aberto na rua José Luis há duas semanas, sem manutenção. Ao hoje colega, e futuro vice-prefeito, Cristiano Braatz, comentou que esperava que não precisasse passar o mês para que o novo governo fizesse o serviço. Braatz, que, pela lógica, terá em Valdeci um vereador de oposição, já disse também estar na torcida para que a demanda não seja o Pedido de Providências 01/2021 do vereador ano que vem. Ambos dizem querer boa relação no próximo mandato.

Aliás – Não só Valdeci, mas todos os que usaram a tribuna desejaram um bom trabalho ao vice-prefeito eleito. Cristiano e Zanatta já declararam que esperam que, na prática, não encontrem oposição no Legislativo ano que vem; e Braatz prometeu que, ou ele, ou seu prefeito, estarão prestigiando todas as sessões da Câmara de primeiro de janeiro em diante.

Paz – A mais experiente dos dez, vereadora Rose pediu que, passadas as eleições, não exista mais diferenças e que se tenha paz e foco numa cidade melhor. Discurso bonito e bem recebido pelos colegas. Basta saber se será praticado quando os “óculos de formatura” caírem.

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Transição
Em uma portaria assinada semana passada, o prefeito Kadu Müller nomeou as quatro pessoas de seu governo que formarão a comissão de transição para a chegada do novo chefe do Executivo. São elas: Edar Borges, secretário de Administração;  Antônio Filla, secretário da Fazenda; Ronaldo Buss, secretário de Gestão e Planejamento; e Cleusa Marca, gerente de Contratos e Convênios.

Ainda não – O prefeito eleito, Gustavo Zanatta, também está definindo quem, de seu lado, vai compor a comissão. Disse, porém, que as tratativas desse grupo iniciam só na primeira semana de dezembro. O tempo pros trabalhos, que já era curto devido à postergação das eleições, fica ainda menor.

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Educação e Saúde
Os nomes dos que irão compor o primeiro escalão da Administração Zanatta estão sendo liberados aos poucos. E os “guris” mandaram bem ao começarem por dois dos pilares de qualquer governo: Educação e Saúde. O primeiro será comandado pela professora Cíglia da Silveira; e o segundo, pela nutricionista e sanitarista Silvana Schons.

Bem recebidas – Um feito raro, a escolha das duas foi recebida pela comunidade com aprovação praticamente unânime. Viu-se até opositores do prefeito eleito reconhecendo o trabalho e a capacidade da dupla. Numa cidade tão dividida por picuinhas políticas, é, sim, um ótimo começo! Os demais nomes saem nos próximos dias.

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Rapidinhas
Vereador eleito, Paulo Azeredo veio a público dizer que pedirá revisão de seu impeachment como prefeito ainda nesse ano. Aguarde os próximos capítulos.

Sintoma do racismo estrutural, é muito pequena a participação de negros em nossa política. Tanto, que o atual secretário municipal de Meio Ambiente, Adriano Chagas, é o primeiro negro a ocupar cargo no alto escalão de um governo municipal. Ele assumiu em 2018, no 145º ano de existência de Montenegro.

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