A chegada do fim do ano tem sido um tormento para muitos prefeitos em todo o Brasil. É que a crise na economia reduziu a arrecadação e, com isso, ficou mais difícil quitar compromissos como o 13º salário do funcionalismo. Há cidades em que as máquinas estão paradas há mais de um mês por falta de combustível e de materiais para a manutenção de ruas e estradas. Em Montenegro, pela primeira vez desde 2016, a Administração Municipal chega a dezembro sem déficit, com fornecedores em dia e dinheiro em caixa para todos os compromissos com os servidores. E com a expectativa de alcançar o dia 31 com um saldo de mais ou menos R$ 1 milhão em caixa. Considerando que há quatro anos as contas fechavam no vermelho, é uma boa notícia, sem dúvida.

Em dívida
Desde que a informação foi divulgada pelo Jornal Ibiá, no fim da semana anterior, centenas de contribuintes foram às redes sociais para criticar o governo. Na opinião destes internautas, o fato de haver saldo não é sinônimo de boa gestão, mas de abandono da cidade. Muitos lembraram dos buracos nas ruas, redes de esgoto entupidas e calçadas quebradas. Também reclamaram de obras inacabadas, como a da Biblioteca, dos ginásios e da falta de luz no Parque Centenário. Acreditam que, assim, fica fácil sobrar dinheiro.

Munição
O prefeito Kadu Müller reconhece que a Administração Municipal é lenta demais na entrega das obras. Algumas estão atrasadas há quase um ano. Ele diz que se sente como o treinador de uma “tartaruga obesa”. A metáfora não poderia ser mais apropriada e provavelmente será explorada à exaustão pelos seus oposicionistas, que agradecem a dica.

Aceleeeeera…
A lerdeza da tartaruga se deve, de acordo com o prefeito, a dois fatores, um interno e outro externo:
1 – as empresas que vencem as licitações não dão conta de cumprir os contratos;
2 – o excessivo zelo dos servidores após a Operação Ibiaçá.
Algumas pessoas podem acreditar nisso, mas no ano que vem tem eleições e a chance de vencer pilotando um quelônio acima do peso não é boa. Talvez seja hora de colocar patins no bichinho.


 

“Militarização” da Prefeitura
Desde semana passada, o prefeito Kadu conta com uma trinca de coronéis no primeiro escalão do governo. A “invasão brigadiana” começou com Edar Borges Machado, logo após o Impeachment de Aldana, inicialmente como chefe de gabinete e depois como secretário de Administração. Em maio deste ano, Ronaldo Buss assumiu a secretaria de Obras, cargo que agora entregou para Marcus Vinicius Dutra, para se dedicar à pasta de Gestão e Planejamento. Os três têm muito em comum: pertencem à reserva da Brigada e ocuparam diversas posições de comando nas unidades da região, o que lhes permitiu acumular grande experiência administrativa e liderança de equipes.

Intimidação – Kadu explica que as nomeações visam aproveitar o conhecimento e a experiência dos oficiais. “A participação deles no governo certamente traz grandes benefícios à comunidade”, reforça. O chefe do Executivo ressalta que os três possuem elevado espírito público e sabem da importância de tratar o dinheiro dos impostos com zelo. Entre a oposição, porém, há quem veja a “militarização” como uma forma de intimidação daqueles que criticam o governo.


 

Portaria
Demorou, mas ontem a Câmara de Vereadores finalmente passou a contar com um serviço de portaria. A tarefa foi entregue à empresa LF Facilities Ltda, escolhida mediante licitação. Ela receberá RS 3.000,00 por mês, garantindo maior controle nos acessos aos gabinetes e demais dependências do legislativo montenegrino. A melhoria foi uma promessa de Cristiano Braatz (MDB) assim que assumiu a presidência do legislativo, lá no começo do ano.

Banheiros – A partir dessa contratação, surge a possibilidade de abertura da Usina Maurício Cardoso aos finais de semana. A ideia é assegurar acesso aos banheiros ao público que frequenta a beira do Rio. Uma resolução de mesa deve ser apresentada ainda esta semana para que a melhoria ocorra já neste verão.


 

Cobranças

Quinta-feira, o vereador Talis Ferreira (PR) criticou a situação das estradas do interior e a buraqueira em muitas ruas do Centro e dos bairros. Segundo ele, embora o prefeito garanta os meios para que a equipe faça um bom trabalho, isso não ocorre. O principal alvo parece ser o secretário de Desenvolvimento Rural, Ari Müller, que estaria colocando seus próprios interesses acima dos pedidos dos vereadores e da comunidade. Há cheiro de fritura no ar.

Bolha – Talis não é o único que anda insatisfeito e acredita que alguns integrantes do governo deveriam gastar sola pelos bairros. Sairiam da “bolha” que é o Palácio e veriam que a situação não anda nada boa.


 

Vistorias
É relativamento comum ver alguns vereadores fazendo promoção pessoal sobre obras realizadas pela Prefeitura. Eles vão até o local, dão uma olhada, sempre pedindo que seus assessores registrem a visita com muitos cliques. Depois, em seus perfis no Facebook e no Instagram, as fotos são acompanhadas de uma legenda do tipo “acompanhando trabalhos”, “fiscalizando ações”, entre outras. Semana passada, Joel Kerber (Progressistas) cumpriu o ritual e foi até a ponte na estrada que dá acesso ao Balneário Municipal, que finalmente está em recuperação. Ao divulgar seu “trabalho” nas redes, porém, sua Excelência teve uma supresa desagradável.

Perguntas – Algumas pessoas, ao lerem a postagem, começaram a fazer algumas perguntas até bem óbvias ao vereador. Por exemplo, valor da obra, prazo de conclusão e fase de andamento. Kerber não soube responder na hora, deixando claro que não estava lá para realmente fiscalizar os trabalhos. Foi duramente criticado.

De olho – O episódio deveria servir de lição a todos que agem dessa forma. O eleitor está de olho na Câmara e talvez não goste do que está enxergando.


 

RAPIDINHAS
A suspensão da maioria das linhas de transporte universitário pela Viação Montenegro deve ser tema de uma reunião na Câmara. A proposta é do vereador Talis Ferreira (PR). A empresa alega que a maioria dos estudantes usa vans, o que tornou o serviço deficitário. Esperar que ela opere no prejuízo seria ingenuidade.

Depois de homenagear os empresários Protásio de Oliveira, Rui Seelig e Arnaldo Gauer com os nomes de três ruas, o próximo que será lembrado pela Câmara é Tadeu José Weiss Fernandes.

Na quinta, a distinção foi concedida a Vitorino Fidélis Ferreira. Com Síndrome de Down, ele era muito conhecido e estimado por todos. Falecido em 1979, o resgate de sua história foi feito pelo vereador Felipe Kinn da Silva (MDB).

Valdeci Alves de Castro (PSB) reclama que há meses não é recebido e nem atendido ao telefone pelo prefeito Kadu. Difícil saber se, politicamente, quem perde mais é o chefe do Executvo ou o vereador. Do ponto de vista prático, a maior prejudicada é a comunidade.

A coluna errou na semana passsada, ao informar que o presidente da Câmara tem poder para preencher livremente quatro cargos na estrutura do legislativo. Na verdade são três. Um deles, de assessor especial, foi extinto no começo deste ano.

Quinta-feira, às 19h, ocorre a última sessão do ano na Câmara de Vereadores. Dia 23 começa o recesso, que vai até o fim de janeiro. Só haverá sessão em caso de convocação extraordinária, tanto pelo Executivo quanto pela mesa diretora.

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