Montenegro foi notícia na mídia estadual e por um motivo bem vergonhoso. O atraso absurdo na entrega da creche do bairro Centenário foi destaque na RBS TV. A obra de R$ 1,4 milhão proveniente do governo federal foi iniciada em setembro de 2016 para entrega em março de 2017. Até hoje, nada. Desde 2018, ninguém nem trabalha no local. O caso rendeu várias reportagens no Jornal Ibiá que mostraram o drama de famílias que, morando no bairro, acabam obrigadas a levar seus filhos para creches distantes. A Prefeitura, na outra ponta, precisa comprar vagas em instituições particulares por não ter local próprio para seus pequenos munícipes. Por dentro, a edificação vai sendo tomada pelo mato. É o retrato do descaso! Mas o que acabou nos chamando a atenção foram as justificativas dadas à afliada da Rede Globo para a situação. Há conflito de informações sobre o que realmente ocorreu naquele local.

Bom dia Rio Grande
O jornal matinal de 14 de janeiro fez uma entrada ao vivo às 7h37 direto da obra. A repórter colocava que, apesar de não ter conseguido entrevista direta com a Prefeitura, o Executivo “apenas” tinha lhe informado que a construtora contratada para fazer a creche não havia cumprido com o contrato e que, por isso, tudo atrasou e ele foi rescindido. A informação era contrariada pela própria construtora, que garantiu ter cumprido tudo o que estava no contrato, mas disse que estava com os pagamentos atrasados. Sem receber, houve as interrupções diversas vezes até a rescisão. Terá que ser lançado novo edital para concluir a obra.

Jornal do Almoço
Horas depois, em VT veiculado ao meio dia, o discurso estava “mais adaptado” ao posicionamento dado pela empresa. O prefeito Kadu Müller, aí sim, deu entrevista em vídeo. “A empresa cumpriu com sua função. Não houve atraso de pagamento por parte da Prefeitura. Os repasses dos recursos federais atrasaram. Com isso, a empresa se sentiu penalizada, do ‘trabalha e não recebe’. A gente acabou chamando a empresa para rescindir esse contrato”, colocou o chefe do Executivo. Ele deu a previsão de que a nova licitação será lançada no mês que vêm, assim que feitas adequações no projeto.

Jornal Ibiá
Mas… A última reportagem sobre o tema no Ibiá foi publicada na edição impressa de 23 de agosto do ano passado. Questionado das mesmas dúvidas, o então secretário de Obras, Ronaldo Buss, respondeu o seguinte: “Na Emei Centenário, ocorreu que a empresa responsável pela execução deixou de atuar alegando reajustes nos valores […] Os técnicos da Prefeitura analisaram o pedido, junto a Procuradoria Geral, e não concordaram com todas as exigências da empreiteira, o que levou à paralisação da obra e, consequentemente, a rescisão do contrato”. Buss é, hoje, secretário de Gestão e Planejamento do Executivo.

Ficam as dúvidas
Afinal, o que aconteceu? Sim, pode até ter sido falha dos repórteres em não irem mais fundo nas justificativas dadas. Talvez a razão de tanta demora seja o conjunto das justificativas: o atraso nos repasses federais + o não cumprimento do contrato + a demanda por reajustes de valores. Talvez! Ficam as dúvidas. Por que a creche parece ser tão difícil de sair do papel? Por que as respostas variam dependendo de quem está perguntando? O Ibiá formalizou o pedido de esclarecimentos junto ao setor de comunicação da Administração Municipal já no dia 14, data em que as matérias da RBS TV foram veículadas. Até o fechamento desta coluna, às 16h de ontem, não havia retorno.

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Embelezamento
A Prefeitura iniciou as obras de revitalização de um trecho de 105 metros da orla do Cais do Porto das Laranjeiras. A maior parte do recurso veio há tempo do Ministério do Turismo. Tudo atrelado a esta intervenção específica. Não fosse para o que está sendo feito, teria que ser devolvido a Brasília. A empresa contratada é a Upper Engenharia, a mesma que reformou a Biblioteca. Ao custo de R$ 247,5 mil, será feita acessibilidade, jardinagem, bancos e novas lixeiras.

Críticas – Quase no prazo final, o Executivo correu para não perder o valor. O que muitos debatem, porém, é se não seria mais sensato deixar, mesmo, o recurso voltar para a União ao invés de colocar dinheiro público no embelezamento de uma orla que, só nos últimos dois anos, já sofreu dois desabamentos. Um deles ainda nem foi reparado.

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Rapidinhas
Na expectativa por devolver a biblioteca pública ao Centro, a Prefeitura já estuda projeto para concessão do prédio no Centenário para um novo restaurante. A comunidade agradece!

O governador Eduardo Leite está sendo cotado pelo PSDB para a presidência em 2022. Ele é visto, internamente, como exemplo de “renovação política” no partido. Será que cola?

Vez e outra, nossos leitores comentam boas pérolas nas redes sociais. Sobre a inauguração das Óticas Diniz, um internauta sugeriu que prefeito e vereadores fossem logo levados ao estabelecimento. “Eles precisam enxergar melhor!”, escreveu. Boa, ein!

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Polêmica às margens do Arroio da Cria
Foi protocolada no Ministério Público uma denúncia para que o órgão investigue as intervenções promovidas no Arroio da Cria, no bairro Aeroclube. Nesta semana, outra está em chegar, assinada pelo vice-presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, Rafael Altenhofen (foto). O representante do Comdema diz que encontrou irregularidades no processo e na licença. A Prefeitura, por sua vez, garante que está tudo certo. Diz que tem todas as autorizaçãos necessárias; e que a vegetação retirada foi quantificada para a posterior compensação, conforme a Legislação pertinente.

Necessário!? – O que a Prefeitura fez foi o desassoreamento do corpo hídrico: a retirada de areia e demais sedimentos do fundo do arroio Era uma demanda de anos da comunidade, que pedia a intervenção para evitar enchentes, um problema real de quem mora nas redondezas. O foco das críticas, porém, foi o desmatamento da mata ciliar das margens – uma Área de Preservação Permanente. Algo necessário, segundo a secretaria de Meio Ambiente, para que a máquina pudesse se movimentar para realizar o desassoreamento. Agora desmatado, o temor é que o barranco desmorone arroio adentro.

Exemplos – As intervenções são questionadas pela decisão de desassorear com a máquina nas margens do Cria, precisando, assim, a retirada da mata. Em 2016, a própria Prefeitura utilizou dragas flutuantes para a mesma intervenção, minimizando as consequências para as margens. Aqui do lado, em Brochier, o Executivo também fez a limpeza de um arroio na última semana; mas imagens mostram o equipamento colocado dentro do corpo hídrico, com os sedimentos sendo retirados de dentro para fora. Assim, acaba sendo desmatado só o “caminho” necessário para a entrada da máquina.

Calma – Pode até ter faltado bom senso, mas denunciar ao MP não significa que houve irregularidade. O próprio Altenhofen já protocolou denúncia sobre podas feitas no Centenário, por exemplo; e a peça foi considerada equivocada pela promotoria. Cabe ao montenegrino torcer para que tudo seja devidamente analisado, levando em conta os aspectos legais, a preservação do meio ambiente e o bem-estar de quem vive próximo ao arroio. Cabíveis ou não, o certo é que as denúncias se juntam aos pedidos de impeachment na pilha de polêmicas que já tanto desgastam a imagem da gestão municipal.

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