A tendência natural do ser humano é se acostumar às rotinas. Todos nós repetimos diariamente os mesmos comportamentos, como se fôssemos programados para fazer sempre a mesma coisa. Especialmente quando esta “coisa” nos favorece. E no momento em que a mesmice é quebrada, ainda que seja por algo que representará um ganho pessoal ou profissional logo à frente, reagimos mal. É o que se convencionou chamar de zona de conforto. Se está bom, por que mexer? O problema é que, muitas vezes, aquilo a que estamos habituados não satisfaz aos interesses de maioria. É o que está ocorrendo neste momento em que, corajosamente, a Administração Municipal institui a Faixa Azul nas principais ruas do Centro. A cobrança pelo estacionamento começa dia 17 de fevereiro e, um mês antes, muitos agem como se estivéssemos diante de uma tragédia. Nada disso!

Inversão
Primeiro, é preciso reconhecer como natural a resistência de alguns condutores. Não deveríamos ser obrigados a pagar para deixar nossos carros perto de lojas e farmácias quando precisamos realizar nossas compras. E provavelmente não seríamos se o Centro não estivesse tomado, em tempo integral, pelos veículos de proprietários, gerentes e funcionários do comércio, que ocupam as ruas o dia inteiro. Por sinal, comportamento ilógico, porque afastam os consumidores dos seus estabelecimentos. Com a Faixa Nobre, teremos uma inversão. A maior parte das vagas estará à disposição da clientela. Quem trabalha no Centro terá de procurar ruas próximas se não estiver disposto a pagar R$ 2,00 por hora.

Remédio
Com a cobrança, a tendência é que a ocupação dos espaços ocorra por períodos mais curtos. Além do custo, a regra é clara quanto aos riscos. Nenhum veículo poderá ficar no mesmo local por mais de duas horas, sob pena de multa e guincho. A Faixa Nobre nada mais é do que um remédio amargo à falta de consciência de muitos montenegrinos.

Organização, enfim
A cobrança pelo estacionamento traz um efeito colateral positivo desde já: maior organização no trânsito. Com a demarcação das vagas no asfalto, os motoristas sabem exatamente o espaço de que dispõem e não haverá, salvo lamentáveis exceções, um mesmo carro ocupando o espaço de dois e até três, como hoje. Inclusive, muitos já estão observando a marcação desde já, o que é um excelente sinal.

Correções
Verdade que, na demarcação das vagas, os funcionários da Serbet cometeram alguns deslizes. Em alguns pontos, se os motoristas seguirem as riscas, não conseguirão abrir as portas dos carros, em virtude de postes, árvores e floreiras. Nesses locais, até que haja a correção, os monitores precisarão exercitar o bom senso. Na mesma linha, certos locais que possuem bicicletários foram demarcados com a tinta azul (veículos). O Departamento de Trânsito, com certeza, fará essas revisões antes do começo da cobrança.

Retorno
Apesar dos ajustes a serem feitos, é preciso dar um crédito à iniciativa. A Faixa Nobre representa não apenas maior organização no trânsito e aumento do fluxo de clientes no comércio, mas também conforto aos consumidores, mais segurança e um ganho para o Município. De tudo que for arrecadado, 22,53% irão para os cofres públicos como pagamento pela concessão. Supondo que apenas 500 vagas – menos da metade – fique ocupada nas 9 horas do dia, num mês, o retorno será superior a R$ 50 mil. O recurso deverá ser reinvestido na manutenção do trânsito, como sinalização, redutores eletrônicos, placas e, quem sabe, até mesmo pardais. Não seria maravilhoso se os bairros também fossem contemplados com estas melhorias?

Adaptação
Obviamente que haverá conflitos e dúvidas a esclarecer. Por isso, a partir da próxima segunda-feira, os funcionários da Serbet, a empresa que vai operar o sistema, estarão nas ruas para orientar a população. Serão 17 monitores identificados, em condições de esclarecer os motoristas antes do início da cobrança, em 17 de fevereiro. É uma fase de adaptação.

Poucas vagas
Também preocupa a delimitação de só 140 vagas para motos, isentas da cobrança. Como muitos funcionários do comércio já as utilizam, sobrará pouco espaço aos demais. A tendência é que condutores que possuem os dois meios de transporte substituam as quatro rodas por duas quando forem ao Centro.

Motoboys
Ainda em relação às motos, há outra demanda pedindo atenção. Como os veículos de duas rodas não poderão ficar nas vagas de carros, de que forma os motoboys farão as suas entregas? Obrigá-los a deixar as motos nos bolsões reservados a elas e fazer o restante do trecho a pé inviabilizará o serviço.

Alerta de Fake News
Para aqueles que costumam se informar apenas por meio das redes sociais e adoram ser ludibriados por fake news, vai um alerta: no pagamento da Faixa Nobre não há cobertura contra danos e furtos. A tarifa é referente APENAS ao uso do espaço e à manutenção dos serviços.


 

Reposições
A Administração Municipal fechou o projeto de reajuste salarial dos servidores. Em 2020, o quadro geral receberá apenas a reposição da inflação, que acumulou 4,48% nos últimos doze meses. Já os professores, que precisam ganhar, no mínimo, o piso nacional, terão um acréscimo de 12,84%. A matéria deve ser votada pelos vereadores assim que terminar o recesso, logo no começo de fevereiro, e as reposições serão retroativas a janeiro.

Para todos – Até sexta-feira, o Sindicato dos Municipários, que representa todas as categorias, esperava que houvesse um reajuste único, como ocorreu em anos anteriores. E defendia que a Administração considerasse as perspectivas de aumento de arrecadação do Município com o início de operações no pedágio da BR-386 e as intenções de instalação de novas empresas no Polo da Química, por exemplo.

Oportunismo – É curioso que, agora, o SIMM entenda que todos devem ter o mesmo reajuste. Na época em que foi implantado o novo plano de carreira do funcionalismo, em 2015, o magistério ficou de fora do “banquete”. Enquanto os colegas ganharam aumentos que, em alguns casos, chegaram a quase 100%, os mestres ficaram “chupando o dedo”. Alguém lembra do sindicato fazendo mobilizações contra esta injustiça?


 

Destaque
Integrantes do governo Kadu têm reagido mal a algumas críticas que vêm recebendo nas últimas semanas. Alegam que os meios de comunicação dão mais destaque aos problemas da Administração do que aos seus feitos. Talvez tenham razão, mas é preciso considerar que nem o cidadão e nem a imprensa têm o dever de bater palmas quando os agentes públicos, pagos com o dinheiro dos impostos, cumprem as suas obrigações. Quando os problemas diminuírem, as críticas cairão proporcionalmente.


 

RAPIDINHAS
Prefeitura recebeu um caminhão hidrojato, no valor de R$ 380 mil, adquirido a partir de financiamento na Caixa. Com ele, poderá soprar e aspirar as redes de esgoto, reduzindo os entupimentos. É uma aquisição mais do que bem-vinda.

Última semana de recesso na Câmara. Como 2020 é ano de eleição e há um novo mandato para conquistar, vereadores devem ser cautelosos. Melhor só abrir a boca quando têm certeza. #ficaadica

Visível o desgaste da ERS 124, entre Montenegro e São Sebastião do Caí, via Pareci Novo. Socorro, Daer!!!

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