Em operação há apenas duas semanas, o estacionamento rotativo pago já se tornou alvo de duras críticas entre muitos montenegrinos, incluindo alguns vereadores. Na sessão da última quinta-feira, várias sugestões de mudanças no sistema de cobrança foram apresentadas e deverão ser analisadas pelo Departamento de Transporte e Trânsito da Prefeitura, a quem cabe a palavra final. Via de regra, suas excelências propõem normas mais brandas para os usuários que querem deixar os carros no Centro mas não pretendem pagar por isso. Desde o dia 15 de junho, pela primeira vez em quase sete anos, os consumidores estão conseguindo parar nas imediações das lojas porque os espaços não estão ocupados de forma egoísta por empresários e seus funcionários, mal acostumados a “plantar” seus veículos até 9 horas por dia no mesmo lugar. Os efeitos dessa mudança ainda não podem ser sentidos em virtude das restrições impostas ao comércio pela pandemia de coronavírus, mas logo aparecerão no caixa.

Carência – A maior queixa dos vereadores – e de alguns usuários – é a falta de uma “carência” de 15 minutos. Assim, paradas curtas, como a rápida entrega ou retirada de mercadorias em lojas, ficariam isentas. Hoje, o condutor tem dez minutos para procurar um parquímetro ou um monitor e fazer o pagamento para não ser penalizado. No momento em que funcionário faz a leitura da placa, começa a contar esse tempo, não importa se o carro foi deixado há apenas um minuto ou há dez. Estabelecer isenção de 15 minutos pode ser válido, mas requer maior fiscalização.

Penalidades – A segunda cobrança feita pelos vereadores diz respeito à autuação dos infratores. Na regra atual, se um carro fica estacionado na Faixa Nobre por mais de duas e horas e, até 24 horas depois, o dono não efetua o pagamento correspondente, a autoridade de trânsito pode aplicar uma multa com perda de pontos na CNH. O veículos também estão sujeitos a recolhimento, o que vai gerar despesas adicionais com guincho e hospedagem no pátio do Detran.

Afrouxamento – É claro que alguns ajustes podem e devem ser feitos, mas não custa lembrar que, há alguns anos, o serviço foi extinto porque se tornou deficitário. Por falta de punições, a maioria simplesmente não pagava e “não dava nada”. Se “afrouxarem” demais as regras, vai ter muita gente tentando driblar a cobrança.

Uso democrático – Dos vários discursos que o tema levantou, o mais coerente e ponderado foi o do vereador Juarez Vieira da Silva (PTB). Ele lembra que a cobrança foi instituída para democratizar o uso das vagas no Centro e dar fluidez ao trânsito. “Se as pessoas ficarem apenas 15 minutos paradas num determinado ponto, mesmo que não paguem, este objetivo estará sendo alcançado”, alertou, ressaltando que o objetivo não pode ser arrecadatório.

Equilíbrio – O grande desafio é encontrar um ponto de equilíbrio. É claro que a empresa responsável pela operação não pode trabalhar de graça, já que investiu na pintura das ruas, instalação de placas e parquímetros e tem, todos os meses, os salários da equipe para pagar. Além disso, parte dos valores obtidos retornam ao Município para novos investimentos. A Faixa Nobre não deve ser uma mão no bolso dos montenegrinos, mas também não pode ser uma “mãezona” com os infratores.

Empurra – As críticas de alguns usuários insatisfeitos também parecem ter despertado um mesquinho jogo de empurra nos bastidores. De um lado, integrantes do governo dizendo que a “culpa” é dos vereadores, que teriam feito as regras. De outro, vereadores alegando que nada tiveram a ver com a implantação e que a lei foi aprovada na legislatura anterior. Se isso está ocorrendo, ambos mentem de alguma forma. As normas foram definidas pelo Executivo, com base em experiências bem sucedidas em outras cidades. E embora a votação tenha ocorrido há quatro anos, várias vezes os atuais vereadores, por meio de documentos e em reuniões, cobraram agilidade na implantação. Ao invés de brigar, deveriam assumir suas responsabilidades e trabalhar juntos para aprimorar o sistema. É muita picuinha!

_________________________________________

Apenas surpresa
Semana passada, ao divulgar a troca de comando no PL (antigo PR), a coluna usou a expressão “tomou de assalto” para descrever a operação, liderada pelo secretário da Administração, Edar Borges Machado, o novo presidente. Coronel da reserva da Brigada Militar, ele considera o termo inadequado, pelas múltiplas interpretações que seu uso permite. Então, para dissipar as dúvidas, queremos esclarecer que não houve a intenção de colocar em dúvida a legalidade do processo, apenas manifestar a “surpresa” pelo fato.

Adiantado
Na Política, agilidade é fundamental. Ainda mais quando se tem que disputar a atenção do eleitor com outros nove vereadores. Quinta-feira, dia 25 de junho, Felipe Kinn da Silva (MDB) usou parte do seu tempo na tribuna para mandar um “salve” aos colonos e aos motoristas pela passagem do seu dia. Faltando ainda um mês para a data – 25 de julho – com certeza foi o primeiro parabéns que eles receberam. Daqui a pouco, já dá para desejar feliz Natal.

Desmatamento
A Prefeitura de Montenegro está sendo investigada, mais uma vez, pela prática de crime ambiental. A princípio, servidores cortaram mais árvores do que deveriam em frente ao mirante onde se encontra a estátua de São João Batista, no Morro. A Secretaria de Meio Ambiente promete fazer o replantio.

Exagero – Nas redes sociais, a denúncia foi descrita como um “exagero” por pessoas que certamente ignoram que, pelo tipo de solo existente no local, sem a cobertura das árvores, pode haver deslizamentos. Caso isso ocorresse, estes mesmos “entendidos” acusariam os órgãos fiscalizadores de negligência.

Exemplo – Também não se pode ignorar que a Prefeitura tem um corpo técnico bem remunerado para acompanhar este tipo de operação e evitar danos. Além do mais, exerce poder de polícia para punir o cidadão que corta uma única árvore sem licença. O mínimo que se espera é um bom exemplo.

FOTO: JAIME BÜTTEMBENDER

_________________________________________

Rapidinhas
Nem todos os filiados concordam que o PDT deve ser um mero coadjuvante nas eleições municipais deste ano, simplesmente apoiando a candidatura Zanatta/Cristiano. Caso a família Azeredo não queira mesmo ir para a disputa, lembram que a legenda possui pelo menos outros dois bons nomes: Adairto da Rosa, o Chacall, e Iria Camargo.

Se dependensse da bancada progressista no Senado, os atuais prefeitos e vereadores teriam seus mandatos prorrogrados até 2022. Felizmente, a proposta foi derrubada por 53 votos a 16. Se os deputados federais concordarem, a disputa será em 15 de novembro.

Com a mesma discrição com que o nomeou, o prefeito Kadu exonerou o secretário do Desenvolvimento Rural, Renato Caiaffo Rocha. A única explicação foi a de que os CCs podem ser demitidos a “qualquer momento”. Por enquanto, o próprio chefe do Executivo acumula as funções.

A Guarda Municipal, acompanhada pelo Departamento de Transporte e Trânsito, isolou diferentes espaços públicos a fim de evitar a circulação e aglomeração de pessoas. Entre eles, acesso ao Morro São João, praças, Estação da Cultura e quiosques no Porto das Laranjeiras. Se pedir não adianta, o jeito é proibir.

O videomonitoramento da cidade, aos poucos, começa a mostrar seu valor. Imagens das câmeras de segurança ajudaram a Polícia a identificar e a prender um grupo que assaltou uma joalheria no centro da cidade, no sábado. É bom que a informação viralize.

Deixe seu comentário