As pressões para que a Prefeitura mude as regras do Estacionamento Rotativo Pago no centro da cidade continuam. Na Câmara, é do vereador Felipe Kinn da Silva (MDB) a crítica mais contundente, sobretudo em relação às multas para os que deixam os carros na chamada “área azul” e não pagam. Se, ao fim de duas horas, o motorista não faz o acerto, o sistema registra uma notificação de R$ 20,00, que devem ser pagos em até 24 horas. Quando isso não ocorre, fica autorizada a emissão de uma multa de trânsito por estacionamento em local proibido, no valor de quase R$ 200,00, mais a perda de cinco pontos na carteira. Neste caso, o dono do veículo também perde o desconto de “bom motorista” no pagamento do IPVA. O vereador diz que o prazo é curto demais e quer estendê-lo para 30 dias. A Administração concorda em esticar, mas não tanto. Possivelmente, para de sete a dez dias.

Mais tempo – De fato, 24 horas é pouco tempo, embora haja placas suficientes alertando os condutores sobre a necessidade de pagar, bem como funcionários prontos a receber o dinheiro e a esclarecer dúvidas. A questão é que Montenegro recebe muita gente de fora, de cidades menores do entorno, que não está acostumada com o sistema. Permitir que façam o pagamento em até uma semana, evitando a multa, será uma demonstração de cordialidade da qual os montenegrinos também poderão usufruir.

Vagas – Quanto ao trabalho dos motoboys, por enquanto, vem imperando o bom senso. Os condutores estão sendo autorizados a pararem temporariamente no limite entre as vagas dos carros, onde não geram maiores transtornos, para pegar e entregar mercadorias e lanches. Por sinal, o número de vagas para motocicletas foi ampliado na semana passada. São mais 60 dentro do perímetro da Faixa Nobre e outras 50 nas proximidades.

Cautela – Semana passada, a Faixa Nobre completou um mês. Na maior parte desse tempo, a cidade esteve sob a bandeira vermelha, com regras mais duras de distanciamento social e com o comércio praticamente fechado. Ainda não foi possível avaliar o comportamento dos motoristas numa situação “normal”, o que deve levar a Prefeitura a agir com extrema cautela em eventuais mudanças de regras.

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Pé no freio
A Câmara decidiu adiar, por enquanto, a votação dos projetos de lei que incluem o Conselho dos Pastores Evangélicos (Copem) na formação de sete conselhos municipais. Depois das reclamações nas redes sociais e de alguns e-mails enviados diretamente ao Legislativo, o presidente Neri de Mello Pena, o Cabelo (PTB), colocou o pé no freio. Está dando um prazo de dez dias para que as entidades se manifestem sobre a mudança na composição. Além disso, quer conhecer melhor a entidade que congrega os religiosos.

Atrasados – A decisão do presidente da Câmara (foto) é bem-vinda. Inclusive, está atrasada. Os vereadores deveriam ter feito isso antes de colocar os projetos em pauta. Temas dessa importância requerem mais cuidado de parte dos nossos representantes. Desta vez, deu tempo de corrigir o erro.

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Tudo de uma vez
Noites frias, poucos projetos para votar e ausência de público roubaram o sabor das últimas sessões da Câmara. Não fossem as eternas reclamações do vereador Valdeci Alves de Castro (Republicanos) sobre o trabalho das secretarias de Viação e de Desenvolvimento Rural, quase daria para dormir. Quinta-feira, por sinal, depois de vários dias de chuva, ele cobrou a manutenção das vias em 27 localidades do interior e de TODAS as ruas de chão batido do perímetro urbano. Pensa num desperdício de papel.

Socorro
Depois de pedir que a Prefeitura subsidie o pagamento do aluguel dos microempreendedores individuais, agora o vereador Felipe Kinn da Silva (MDB) deseja que o Município contribua com os transportadores escolares. A ideia é que o governo lhes alcance R$ 500,00 por mês por 90 dias ou até que possam retomar as atividades, suspensas em virtude da pandemia do novo coronavírus. Como atua no ramo, Kinn diz que, se a Administração atender ao pedido, abrirá mão do benefício, pois tem outra fonte de renda: salário de R$ 6.386,48 como vereador. Pelo menos, até dezembro.

Salários – A propósito, só em salários de vereador e de seu assessor, cada gabinete custa R$ 10.970,69 por mês aos contribuintes. Com o vencimento de cada um desses auxiliares (R$ 4.584,21), seria possível socorrer nove profissionais do transporte escolar todos os meses.

Cabos eleitorais – Por falar em assessores, é bom ficar de olho para que, pelo menos no horário de expediente, alguns vereadores não os transformem em meros cabos eleitorais remunerados pelos contribuintes. Inclusive, isso implicaria em concorrência desleal com aqueles que disputam o primeiro mandato.

Sem filas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu: mesmo nas cidades onde já havia voto biométrico em pleitos anteriores, a escolha de prefeito e vereadores se dará da forma convencional este ano. Os técnicos concluíram que a coleta das digitais é mais demorada que a assinatura dos livros de presença e, em meio à pandemia de coronavírus, a ordem é tentar evitar a formação de filas. Montenegro teria sua primeira experiência com o novo modelo neste pleito.

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Rapidinhas
Vereador Cristiano Braatz (MDB) anunciou ontem a conquista de uma verba de custeio, no valor de R$ 49 mil, para a Apae Montenegro. O recurso é fruto de uma emenda ao orçamento da União proposta pelo deputado federal Márcio Biolchi.

Quem segue o ex-prefeito Percival de Oliveira nas redes sociais já percebeu que suas contas agora estão nas mãos de profissionais. Pré-candidato a um terceiro mandato, perdeu rugas nas fotos. E expressões com “amplexos” (sinônimo de abraços) e “Beijo no coração” ainda não deram as caras.

Os gestores da campanha de Gustavo Zanatta devem apresentar seu vice, Cristiano Braatz, apenas como Cristiano nas peças de marketing. É para diferenciar sua caminhada da que foi realizada pelo pai, o veterano Roberto Braatz.

A morte da ex-prefeita Madalena Bühler, na semana passada, reavivou uma lembrança curiosa. Sua eleição, em 1996, foi a última em que se formou um “frentão” de partidos. A União Montenegro Maior era composta por PDT, PTB. PMDB, PFL (hoje Dem) e PSB, cada um com seus próprios interesses e um grande apetite por cargos.

Nesta edição, a coluna o Cenário Político completa 15 anos. Queremos registrar nossa gratidão pela confiança dos leitores e renovar o compromisso de trazer os bastidores desta atividade tão importante com ética e independência.

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