Embora esteja meio sumido desde a semana que antecedeu a votação do processo de Impeachment, quando inclusive foi submetido a uma angioplastia, o prefeito afastado Luiz Américo Aldana espia de longe tudo que vem ocorrendo no cenário político. Quinta-feira, na primeira manifestação pública após a cassação, pela rede social Whats app, informou que o seu silêncio é necessário. “Todavia, estou vivo e trabalhando muito”, anunciou. Aldana diz que tem recebido informações sobre as tentativas de incriminá-lo e se refere a elas como “vulgaridade”. Também afirma que tem tido muita dificuldade em acessar os conteúdos processuais da Operação Ibiaçá, mas assegura que não desistirá de provar sua inocência. “Vou até o fim do mundo e ficarei lutando a vida inteira para provar que a realidade é composta por fatos apresentados à população de Montenegro de maneira equivocada”, avisa.

Devendo explicações – Afastado do cargo por decisão judicial e cassado pela Câmara, Aldana já estava oficialmente “recolhido”, em tratamento médico, quando foi levantado o segredo de Justiça sobre os áudios da Operação Ibiaçá. O ex-prefeito foi gravado em diálogos suspeitos com um empreiteiro habituado a vencer licitações para obras e serviços e alguns de seus assessores mais próximos aparecem combinando fraudes em concorrências. Passam a impressão de que o “chefe” sabia de tudo. Isso ainda precisa ser muito bem explicado.

Em breve – Aldana garante que vai falar e responder a todas as acusações que lhe são feitas. Contudo, não marca data porque estaria ainda em tratamento médico e seus advogados seguem reunindo os elementos necessários à defesa. Na Justiça, até aqui, fracassaram suas tentativas de anular o processo de Impeachment.

Poder discricionário – Na semana passada, também passou a circular nas redes sociais cópia de uma decisão judicial que teve Aldana como réu. Do outro lado, o então companheiro de chapa Carlos Eduardo Müller, contestando a decisão do titular de afastá-lo de suas atribuições, lá no começo do ano. Para a juíza Deise Fabiana Lange Vicente, as funções do vice dependem de delegação do titular. Logo, o prefeito tem o poder discricionário de decidir quando seu substituto deve entrar em campo. Kadu perdeu a ação e ainda terá de pagar as custas do processo.

Julgamento – As boas relações entre o então prefeito e seu vice duraram pouco tempo. Kadu chegou a assumir a chefia de gabinete, mas permaneceu apenas algumas semanas na função. Aliás, os apoiadores de Aldana estão convictos de que ele atuou fortemente nos bastidores para derrubar o governo. Se é verdade ou teoria da conspiração, o tempo vai dizer. O fato é que só os áudios da Operação Ibiaçá teriam sido munição suficiente para condenar Aldana num julgamento político.

É absolutamente indispensável que o ex-prefeito Luiz Américo Aldana venha a público esclarecer todas as conversas de que participou ou em que foi citado. É uma dívida que ele tem com cada um de se seus eleitores.

(In)segurança em pauta
A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Câmara vai promover uma audiência pública sobre Segurança Pública em Montenegro. O requerimento já foi apresentado em plenário e, em breve, deve ser marcada a data. Os autores, sob a liderança de Josi Paz (PSB), visitaram delegacia de Polícia, unidades da Brigada Militar e casas prisionais para fazer um diagnóstico da situação. Constataram que o quadro é muito grave, especialmente no que diz respeito aos efetivos para proteger a população contra a violência crescente. Uma discussão mais que urgente.

Bem-vindos – A pretensão dos vereadores é reunir as lideranças locais e colocá-las frente a frente com representantes da secretaria estadual de Segurança Pública. O comandante-geral da Brigada Militar e o secretário César Schirmer seriam muito bem-vindos, mas conhecendo a situação de penúria do Estado, dificilmente darão as caras para ouvir mais cobranças.

Força política – A audiência será uma boa oportunidade de conhecer a força dos políticos locais. Dirigentes do PMDB, do PSB e do PP, que estão no governo de José Ivo Sartori, terão a chance de mostrar que possuem alguma força. Se é que realmente têm.

Mal entendido
O prefeito Carlos Eduardo Müller garante que nunca reclamou do suposto cheiro de cigarro que teria encontrado em seu gabinete após o retorno de Brasília. A informação foi ventilada nas redes sociais e causou mal-estar, já que o presidente de Câmara, Neri de Mello Pena (PTB), ocupou o espaço por quatro dias. Embora seja fumante, Cabelo assegura que não “pitou” na repartição.

Reflexão – Da tribuna da Câmara, quinta-feira à noite, “Cabelo” comentou o assunto e terminou com uma frase de efeito, daquelas que deveriam provocar reflexões: “eu realmente fumo, mas não fumei no gabinete e ninguém vai precisar levar cigarros pra mim lá na penitenciária do Pesqueiro”.

Concorrência
O vereador Felipe Kinn da Silva (PMDB) apresentou uma Indicação ao prefeito Kadu, propondo alterações na lei que disciplina a instalação de postos de combustíveis na cidade. Hoje, nenhuma nova empresa pode se estabelecer a menos de 500 metros de onde já existe o serviço. A proposta é que a distância mínima entre os empreendimentos seja reduzida para apenas 200 metros.

Descentralizar – A justificativa para a proposta é a de que existem dois postos interessados em se instalar na cidade, mas os endereços escolhidos não se enquadram na regra. Quando a distância mínima de 500 metros foi fixada, o objetivo era descentralizar e levar o serviço de abastecimento de combustíveis a regiões mais afastadas do Centro. A meta já foi atingida.

Concorrência – Num cenário de crise na economia, como o atual, a cidade não pode abrir mão de novas empresas. Além disso, no segmento dos combustíveis, onde parece haver a combinação de preços entre os postos, a chegada de novos empreendimentos e o aumento da concorrência pode ser muito boa para o consumidor. Espera-se que o prefeito Kadu, que vem da iniciativa privada, seja sensível a este pedido.

Terceirização
Diante da dificuldade da Prefeitura em fazer a manutenção e deixá-los sempre limpos, o vereador Joel Kerber (PP) está propondo que os banheiros da Praça Rui Barbosa sejam entregues à exploração por alguma entidade. Assim, para usá-los, os montenegrinos passariam a pagar uma taxa. A sugestão está sendo encaminhada ao prefeito Kadu Müller.

Atestado – Embora a ideia não possa ser considerada totalmente absurda, colocá-la em prática pode ter um resultado fétido e nauseabundo, pois levaria o governo a passar um atestado de incompetência. Se a Prefeitura não consegue manter nem os banheiros de sua principal praça limpos e a salvo do vandalismo, o que esperar do resto da cidade?

Rapidinhas
* No final da tarde de quinta-feira, o ex-vereador Renato Antônio Kranz (PTB) teve uma reunião com caciques do governo Kadu. Há suspeitas de que negociava sua volta à Câmara. Como primeiro suplente, se o prefeito chamar o vereadores Juarez da Silva ou Neri Pena para integrar o secretariado, Kranz retorna ao Legislativo.

* A chegada do calor trouxe um desafio extra para quem deseja assistir às sessões da Câmara de Vereadores: verdadeiras nuvens de mosquitos tiram o sossego de quem frequenta o plenário. O Rio Caí tem tudo a ver com isso.

* Para quem não lembra, a instituição do feriado da Reforma Protestante, que provoca uma segunda parada em Montenegro esta semana, é obra do ex-vereador Márcio Müller (SD). É a ele que devem ser dirigidos os “elogios”.

* A Administração Municipal decidiu priorizar os artistas locais na programação de Natal deste ano. Como não há dinheiro e a maioria se apresenta “no amor”, chegou a vez deles.

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