Apesar de Kadu Müller ter enviado à Câmara um documento informando que se ausentará do cargo entre 2 e 11 de janeiro, para o gozo de férias, a assessoria declarou na sexta-feira que a decisão não é definitiva. Durante a sessão de quinta-feira, porém, já houve quem cumprimentasse o vereador Cristiano Braatz (MDB) como prefeito. Assim que estiver empossado oficialmente, dia 1º, ele se torna o primeiro na linha de sucessão do Executivo. Pela lei, porém, Kadu só é obrigado a transmitir o cargo se a saída for superior a 10 dias e não é o caso. Pode, contudo, fazê-lo como prova de confiança e para estreitar os laços com o Legislativo, fragilizados desde o começo deste ano, por conta das dificuldades financeiras do Município. O prefeito não consegue atender aos pedidos de suas excelências. De 1º de janeiro até agora, foram 1.485, média de 29 por semana.

Medidas drásticas –
Se o prefeito titubeia em fazer a nomeação, ele deve ter os seus motivos. Cristiano tem marcado sua atuação na Câmara por uma forte crítica ao Executivo. Pessoas próximas ao poder temem que, ao assumir interinamente, ele queira ter seus “15 minutos de fama”, adotando medidas drásticas que poderiam ter sérias consequências. Os mais antigos ainda lembram do que ocorreu em janeiro de 1998, quando o pai de Cristiano, Roberto Braatz, então vice-prefeito, assumiu o cargo no lugar de Madalena Bühler.

Sem afinidade – A relação entre Roberto e Madalena nunca havia sido boa, mas o desejo de tirar do poder um grupo que estava na Prefeitura há muitos anos, desde a década de 60, levou os partidos a construírem uma ampla coligação. E, para a cabeça de chapa, optaram por pessoas boas de voto, mas sem afinidade. Não tinha como dar certo. Na primeira vez em que Madalena tirou férias e Roberto assumiu, ele demitiu o braço direito da prefeita, o então secretário geral José Breno da Cruz. Resultado: ela voltou 15 dias antes do que havia previsto, redmitiu o assessor imediatamente e nunca mais tirou férias.]

Degola – Muita gente ainda lembra da situação e até brinca, sugerindo que possa acontecer o mesmo se “Braatz filho” chegar à principal cadeira do Palácio Rio Branco. Não é segredo para ninguém que Cristiano tem sérias restrições a vários integrantes do primeiro e segundo escalões e que, se pudesse, promoveria modificações. Uma delas poderia custar a cabeça do chefe de gabinete, Edar Borges Machado, casualmente, o braço direito do prefeito.

Lições – O tempo é o senhor da razão e o passado deixa lições. Lá em 1998, Roberto Braatz sabia que Breno voltaria ao governo. Já ele acabou se afastando de vez da Administração e passou três anos no ostracismo, o que também foi ruim para a cidade. Cristiano não tem por que agir desta forma.]

Perigo – Se deixar o presidente da Câmara de Vereadores assumir a Prefeitura, ainda que interinamente, tem lá seus riscos, negar-lhe esta oportunidade também pode ter consequências, especialmente para a imagem do governo. Vai ter gente achando que o prefeito não quer passar o cargo porque está com medo de que ele descubra algo que não pode vir a público. Ou seja, se Kadu correr, o “bicho” pega. Se ficar, o “bicho” come. É a situações como esta que costuma se dar o nome de “dilema”. As próximas duas semanas serão de muita reflexão.

Rapidinhas
* Começa mal o novo governador, Eduardo Leite, ao anunciar o aumento, de 19 para 22, do número de secretarias estaduais. Não pode, de um lado, manter alíquotas mais altas de ICMS e, de outro, aumentar despesas. Ah, se o eleitor soubesse…
* O roubo de enfeites de Natal na decoração da Praça Rui Barbosa levou muita gente a criticar a Administração, por não ter designado um guarda municipal para o local. Então se houvesse alegorias no resto da cidade, o poder público teria de destinar um agente para cada rua? A culpa é do ladrão e não da Prefeitura!
* Vereador Cristiano Braatz tem uma tarefa difícil para realizar: encontrar um substituto para sua assessora de gabinete, Janete Zirbes, que afastou-se do cargo por motivos de saúde. Ela iniciou sua trajetória no Legislativo em 1993 e houve poucas pessoas, na história da Câmara, tão dedicadas e competentes.
* A existência de mais de 30 loteamentos irregulares em Montenegro é uma prova de que o Município precisa investir em fiscalização. E não basta apenas concursar mais agentes. Tem de garantir que eles cumpram seu papel. Evitaria a dor de cabeça de muita gente e garantiria redução de custos com regularizações.

Oposição ausente
Na quinta-feira à noite, ao usar a tribuna, o vereador Talis Ferreira (PR) convidou os colegas para uma reunião no gabinete do prefeito, agendada para a manhã de sexta. Em pauta, a solicitação dos garis para a suspensão da coleta do lixo nos dias 25 de dezembro e 31 de janeiro. Os funcionários da empresa que presta o serviço querem folga para, como os demais trabalhadores, passar o Natal e o Ano-novo com suas famílias. Talis entendia que se o pedido fosse feito pelo grupo, a chance de ser atendido aumentaria. Contudo, na manhã seguinte, apenas quatro dos dez compareceram.

Só quatro – Além do próprio Talis, participaram Josi Paz e Rose Almeida, do PSB; e Joel Kerber, do Progressistas. São os quatro que fazem a defesa do Executivo na Câmara. Mesmo assim, Kadu foi sensível ao apelo e garantiu que os lixeiros não precisarão trabalhar nestes dois dias. Vitória da sensibilidade.

Motivações –
Quanto aos vereadores Erico Velten (PDT), Cristiano Braatz e Felipe Kinn (MDB), Juarez da Silva e Neri Pena (PTB), e Valdeci de Castro (PSB), a lógica sugere três possibilidades. Marque sua opção:
( ) Resolveram simplesmente boicotar a iniciativa por questões políticas, já que fazem oposição ao governo do prefeito Kadu.
( ) Não estão nem um pouco interessados no Natal e na virada do ano dos lixeiros e de suas famílias.
( ) Entendem que os garis devem trabalhar normalmente, mas não querem assumir essa postura publicamente porque seria considerada antipática.

Birrento
Beira a infantilidade o comportamento do vereador Valdeci Alves de Castro (PSB) desde que ingressou no time da oposição. Todas as semanas, ele usa a tribuna para criticar o secretário de Viação e Serviços Urbanos, Jackson Oliveira, porque supostamente não atende aos seus pedidos. Os colegas estão começando a criticar o mimimi. Sabem que não é dessa forma que o socialista conseguirá resolver seus problemas.

Ranço – Na verdade, Valdeci quer, ele próprio, assumir o cargo de secretário e comandar o parque de máquinas da Prefeitura. Até as pedras do calçadão do Cais do Porto já sabem disso. O que o vereador não entende é que este “ranço” o afasta cada vez mais do governo Kadu. Fazer birra, em geral, só resulta em uma coisa: umas boas palmadas.

À espreita
Nem sempre quem planta uma roça de milho é quem, de fato, a colhe. Que o diga a vereadora Josi Paz (PSB). Depois de participar de várias reuniões com deputados e representantes do governo, ela conseguiu a cedência de máquinas do Estado para a realização de melhorias ao longo da estrada do Morro Montenegro. Só que, volta e meia, a “lavoura” é invadida por outros políticos para a produção de selfies, mais tarde publicadas nas redes sociais como se tivessem sido eles os responsáveis pelo “plantio”.

Aproveitadores – Aliás, Josi não é a única que tem suas “roças” atacadas pelos “corvos”. A Política está cheia de aproveitadores desse tipo. Cabe ao eleitor identificá-los e, de preferência, negar-lhes o voto nas próximas eleições. Xô, passarinho !

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