Dez dias pode não ser muito tempo para a maioria das atividades, mas vão fazer uma grande diferença na trajetória política do vereador Cristiano Braatz (MDB). Prefeito em exercício até segunda-feira, quando Kadu Müller encerrou as férias, ele teve a oportunidade de estar do outro lado do “balcão” e esta experiência foi muito rica. Se, por um lado, o empoderado presidente da Câmara confirmou a sua tese de que muitos projetos não andam por falta de empenho da assessoria do prefeito, também constatou que a burocracia é, sim, um monstro sempre pronto a engavetar boas ideias. E justamente por isso, Braatz entende que a chefia do Executivo precisa ser exercida com firmeza e autoridade para, de vez em quando, dar um soco na mesa e fazer acontecer. Ao fim dos dez dias, ele admite que Kadu é um político bem intencionado, mas acha que sobra “ternura” e falta “dureza” para tocar a máquina pública.

Vaidade – Logo após a transmissão do cargo, na segunda-feira, o prefeito e o presidente da Câmara ficaram reunidos por mais de uma hora. “Tivemos uma conversa muita franca, em que passei a ele as minhas impressões sobre o governo”, conta Cristiano. Entre elas, a de que é preciso fundir secretarias, enxugar o quadro de CCs e demitir pelo menos dois integrantes do primeiro escalão. São, segundo o vereador, lamentáveis “tranca-rua”, que travam as ações da Administração por mera vaidade.

Encostos – Cristiano não quis citar nomes, mas teria ouvido do prefeito que ele já se deu conta da necessidade de fazer mudanças na equipe e afastar os “encostos” que atrapalham o desenvolvimento da cidade. Aos que insistem em saber de quem está falando, o presidente da Câmara deixa uma pista em forma de pergunta: “onde os projetos do governo ficam parados, acumulando pó por vários meses?”. Está faltando espírito público.

Fim do prazo – E por falar em ações que não andam, Cristiano está particularmente preocupado com a aplicação das verbas obtidas pelo Município para o último trecho da rodovia Transcitrus, que liga Montenegro a Maratá. Segundo ele, o prazo para entrega do projeto está para acabar e o documento ainda não foi concluído. “Se o governo não dá conta, que contrate uma empresa para fazer os projetos”, sugere.

Parados – Outras ações emperradas identificadas pelo presidente da Câmara são a doação da área de terras para a Amoga instalar um centro de recuperação de animais de rua e a concessão do café da Estação para a iniciativa privada. “Estavam paradas há meses e isso é inadmissível”, ataca. No caso do terreno da Amoga, Cristiano conseguiu encaminhar o projeto para votação no Legislativo. Quanto ao café, o jeito é rezar.

Bom trabalho – Se, por um lado, o prefeito em exercício identificou vários problemas nos fluxos internos, também se deparou com setores que, na opinião dele, funcionam muito bem. Um deles é a Secretaria da Saúde. Cristiano ficou impressionado com o conhecimento e a liderança da responsável pela repartição, Cristina Reinheimer. Também identificou boa vontade no Desenvolvimento Rural, sob a direção de Estevão Carpes, e elogiou a competência do secretário da Fazenda, Nestor Bernardes.

Responder sempre – Em linhas gerais, Cristiano entende que o Executivo precisa se antecipar às necessidades do cidadão e jamais deixar o contribuinte sem respostas, mesmo quando os problemas não podem ser resolvidos de imediato. “Os servidores e principalmente os CCs não estão prestando favores. Eles têm obrigação de atender bem”, ensina. Eis aí uma lição que muitos ainda não aprenderam.

Apoio e fiscalização – A passagem pelo Executivo – ainda que rápida – deu ao presidente da Câmara a certeza de que governar uma cidade como Montenegro não é tão fácil quanto muitos pensam ser. A complexidade da máquina pública, as muitas obrigações do poder público e as justas cobranças da população exigem coragem, persistência, humildade e disciplina. Cristiano diz que, na medida do possível, vai trabalhar na Câmara para ajudar o governo naquelas iniciativas que beneficiam a comunidade, mas não abrirá mão do seu papel de fiscal. “Estou satisfeito com a experiência e espero que o prefeito Kadu pense nas observações que fiz”, conclui.

Os dez dias à frente do Executivo não aceleraram no vereador Cristiano Braatz o desejo de governar a cidade por um mandato inteiro, de quatro anos. Significa que ele deve manter o plano de voo original, que prevê a busca de um segundo mandato na Câmara ano que vem e uma vaga na Assembleia Legislativa em 2022 ou 2026.

Rapidinhas
* A Prefeitura iniciou ontem as obras de melhorias no acesso à Unisc pela ERS-124. As máquinas mal haviam chegado ao local e já tinha vereadores nas redes sociais reivindicando a paternidade dos trabalhos. É muita fome para pouca marmita.

* Alguém ouviu falar em Carnaval em Montenegro? No resto do país, a folia será 2 a 5 de março.

* O ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, envergonhou os gaúchos novamente ao comparar o perigo de ter uma arma de fogo em casa, para as crianças, ao uso inadequado de um liquidificador. O Rio Grande do Sul já esteve melhor servido.

Pedindo explicações
As inúmeras reclamações sobre a falta de água em Montenegro, nos últimos dias, levaram o vereador Talis Ferreira (PR) a marcar uma reunião com o gerente da Corsan, Lutero Fracasso. O encontro será nesta sexta, às 10h, na Câmara, e o tom será de cobrança. “Queremos saber que medidas serão tomadas para resolver este problema”, avisa Talis, que convidou todos os colegas para participarem. “A população não pode continuar sofrendo desse jeito”, ressalta.

Cobre – A suspensão do abastecimento é especialmente penosa no verão, em virtude das altas temperaturas, e parece mais frequente este ano. Semanalmente, ocorrem rupturas em adutoras e, se não bastasse, em apenas nove dias, a Estação de Tratamento sofreu dois ataques de bandidos. Ao roubar o cobre dos transformadores de energia que movimentam as máquinas, eles paralisaram as operações. As comunidades de pelo menos 15 bairros foram prejudicadas nesta terça-feira.

Proteção – Os furtos registrados na Estação de Tratamento de Água provocaram certa inquietação na comunidade. Se a Corsan não consegue manter as instalações protegidas de ladrões de cobre, quem garante que a própria água não será contaminada durante o processo de tratamento? Com a palavra, a gerência.

Túnel do tempo
Ontem, 16 de janeiro, fez exatamente quatro anos que começou a instalação da ciclovia bem no meio da rua Capitão Cruz, no centro da cidade. Foi o começo do fim do governo Paulo Azeredo, que acabou sendo cassado cinco meses depois pela Câmara de Vereadores por conta das irregularidades envolvendo a obra. Tanta coisa ocorreu desde então – incluindo um segundo Impeachment – que é difícil acreditar que sejam só quatro anos.

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