Não mais que o habitual, a sessão de quarta-feira da Câmara (antecipada em função do feriado) teve alguns minutos de atraso. Mas, dessa vez, os legisladores não foram tão ágeis em encerrar. Dos 10, apenas Valdeci Alves de Castro (PSB) não fez uso da tribuna. Em todos os discursos, o tema da segurança foi repetido em uníssono. Talis Ferreira (PR) até aproveitou o espaço para lembrar da necessidade de instalação de câmeras de videomonitoramento no município. Juarez da Silva (PTB) e Josi Paz (PSB) direcionaram o discurso ao fato de Montenegro oferecer incentivos aos policiais. A ideia é construir moradias no município para os policiais fixarem residência aqui. Em geral, os aluguéis são inversamente proporcionais aos salários desses corajosos homens e mulheres que arriscam diariamente as suas vidas.

Enxugando gelo – Governos municipais e comunidades podem fazer bastante pela segurança pública, mas os resultados não irão muito longe sem policial na rua, leis duras e cadeias bem estruturadas e devidamente controladas pelo Estado, não por facções. Neste contexto, o Rio Grande do Sul vem decaindo há anos e, infelizmente, o governador José Ivo Sartori (PMDB) não mostrou eficiência para reverter esse quadro. Não são poucos que acham que ele piorou as coisas ao cortar na carne o orçamento da segurança pública. Não há milagre: é só com muito investimento que os gaúchos voltarão a se sentir seguros e livres nas ruas.

Alô, governador – Sartori, na verdade, parece não ligar para o fato de que em menos de um ano haverá eleição para seu cargo. Já se foram 33 meses de gestão e ele ainda não conseguiu derrotar a palavra crise. Nem mesmo a comunicação entre governo e sociedade, que não precisa de muito dinheiro, funciona bem. Exemplo em nosso quintal é a desastrosa forma como é conduzida a situação da RSC-287, sobretudo quanto à instalação das sinaleiras. Um telefonema de Sartori ao Daer poderia encaminhar uma saída para o impasse. Trânsito também é segurança, só que com o Daer até conversar é difícil.

Lembrete
Comunidade de Pinheiros, fique de olho! No dia 30 de outubro ocorre aí a sessão legislativa, dentro do projeto “Câmara vai aos bairros e interior”, numa iniciativa de promover uma maior aproximação entre a classe política e seus representados. Em Brasília, é justamente essa falta de contato entre o povo e o governo que ajuda a alimentar tanta maracutaia.

Eeee saudade!
“Saudade” foi o termo usado pelo presidente da Câmara de Vereadores, Neri de Mello Pena (PTB), ao dar as boas-vindas ao colega Cristiano Braatz (PMDB), que retornou à Casa depois do período de licença. Braatz voltou empolgado (que essa empolgação dure por muito tempo) cobrando ações da gestão municipal e lembrando que Montenegro passou por uma turbulência no âmbito político. Apesar disso, ele disse que “o prefeito sabe o que fazer para Montenegro não ser uma vergonha”. Esperemos mesmo que saiba, Braatz.

Por falar em licença – Quem deixa o Legislativo a partir desta segunda-feira é a vereadora Rose Almeida (PSB). Quem assume neste período é Márcio Müller (SD). Será apenas por três semanas, disse a socialista.

Projetos aprovados
Todos os seis projetos que estavam na ordem do dia na sessão do dia 11 foram aprovados. Entre eles, Projeto de Lei do Executivo que autoriza abertura de crédito especial de R$ 150 mil para a compra de um gerador que irá beneficiar os citricultores. Outro, de autoria do vereador Felipe Kinn (PMDB), é sobre a listagem de medicamentos disponíveis e em falta na rede municipal de saúde.

Esgoto a céu aberto
Se depender do caixa da Prefeitura, o esgoto que corre a céu aberto na “área verde” do loteamento Bela Vista vai continuar desse jeito por tempo indeterminado. Foi o que se concluiu de reunião na Câmara, na última semana, entre o vereador Cristiano Von Braatz (PMDB), o secretário de Obras Públicas, Argus Machado, a diretora da Diretoria de Serviços Urbanos, Cátia Schu, e o servidor Cláudio Abreu. A única saída é captar recurso federal, dizem os entendidos. “É um problema de saúde pública que precisa ser combatido”, afirmou Braatz.

 

R$ 100 mil – Cátia disse que são necessários cerca de R$ 100 mil para colocar 300 metros de rede. “O recurso que temos hoje na secretaria, para esta finalidade, vai no máximo atender as demandas judiciais”, adianta. Outro problema, diz a diretora, é que a força operacional do DSURB é muito reduzida, contando apenas com quatro equipes, com dois servidores cada. “Temos mais de 800 pedidos aguardando soluções”, desabafa. Não é fácil para o contribuinte brasileiro entender como paga tanto imposto e tem tão baixo retorno. Talvez a Operação Ibiaçá ajude a explicar esse “fenômeno”.

Iluminação
Outro tema salientado no expediente da última sessão da Câmara foi iluminação pública. Diversos pedidos de providência para consertos neste sentido foram protocolados — 11 por Valdeci e um por Josi Paz. Eis aí mais um assunto que tem tudo a ver com segurança.

É proibido, mas se quiser pode
Por 6 votos a 5, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última quarta-feira, que o afastamento de qualquer parlamentar de suas atividades deverá ter o aval da respectiva Casa Legislativa a que está ligado. O voto de minerva foi da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Os ministros entendem, vejam bem, que não cabe ao Judiciário tomar sozinho a decisão. Na prática, a posição da Corte dá aval para o Senado reverter as medidas cautelares impostas a Aécio e devolver a ele suas prerrogativas decorrentes do cargo. Parlamentares da maioria dos partidos já declararam ser contrários ao afastamento e que o Judiciário estava interferindo no Poder Legislativo. Não é por nada que as instituições têm perdido a credibilidade perante a população.

Anésio Scherer

Brochier de mãos dadas
Em entrevista à coluna, o presidente da Câmara de Brochier, Anésio Scherer (PT), conta que os moradores da cidade têm dado um belo exemplo de cidadania ao comparecer em bom número às sessões, que ocorrem sempre às quintas-feiras, às 19h. Independentemente dos projetos que estão em pauta, entre 30 e 40 pessoas, em média, acompanham de perto o trabalho de cada vereador. Segundo ele, essa cultura se difundiu este ano depois que o Legislativo foi renovado em dois terços na eleição de 2016. Os novos vereadores, diz Anésio, estão todos unidos pelo bem da cidade, algo que não se via até então. “A população cansou de ver muita briga, picuínha, confronto e, ao mesmo tempo, pouca ação concreta. A imagem ficou desgastada. Isso refletiu no Executivo e na população”, afirma.

Cidadão paga o pato — O presidente conta que até o ano passado havia na Casa do Povo muitos conflitos politiqueiros e pessoais, enquanto a cidade ficava em segundo plano. Chegou-se ao absurdo de determinados vereadores não lutarem por emendas parlamentares para evitarem o crescimento de outros políticos, ignorando por completo que são eleitos para trabalhar por todos e que o interesse público sempre é prioridade. Que bom que, por meio do voto e das urnas, o povo disse claramente que não quer nem saber deste tipo de político que pensa somente em si.

Em busca de dinheiro — Além de um clima harmonioso e respeitoso, a Câmara de Brochier arregaçou as mangas em busca de dinheiro extra, ou seja, emendas parlamentares. Anésio e seu colega de bancada Darci Scherer, por exemplo, conseguiram este ano cerca de R$ 500 mil para investimentos na área da saúde, mas há outros exemplos neste sentido. Outra medida moralizadora adotada pela atual legislatura foi colocar freio nos gastos com diárias e passagens, que em 2016 ficaram na casa dos R$ 25 mil. A ideia dos nove vereadores é poupar um bom dinheiro até o ano que vem para que o Município possa abrir novas vagas em creches.

* Coluna sob a responsabilidade do jornalista Marcelo Fiori. O titular, Márcio Reinheimer, está em férias. Colaboraram André Herzer, Daniele Angnes e JB Cardoso.

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