O presidente da Câmara, Neri de Mello Pena (PTB), está em maus lençóis. Possivelmente estimulado por más companhias e ainda despido da “malandragem” que domina o meio político, ele aceitou indicar para um cargo de alto escalão uma pessoa ligada ao Partido Progressista, que atuou ativamente na campanha do ex-vereador e candidato a prefeito Gustavo Zanatta. O cidadão começou a trabalhar na sede do Legislativo em fevereiro e por lá ficou alguns dias. Ocorre que a função disponível – de assessor especial – exigia curso de nível superior e registro na respectiva entidade de classe. O sujeito apresentou uma carteirinha do Conselho Regional de Administração e um diploma de administrador de empresas, emitido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda não foram esclarecidos os motivos, mas o fato é que a nomeação acabou não sendo concretizada e o pseudo assessor deixou o trabalho. Agora, surgiram fortes elementos indicando que os dois documentos são falsos.

Espertezas – Como no Brasil a política está cheia de corruptos e criminosos de toda ordem, que alguém tente enganar a Câmara não surpreende. E que o presidente aceite nomear um CC indicado por outro partido que não o seu, também, mesmo sem conhecê-lo. Infelizmente, é assim que funciona no cenário político, onde capacidade não é um ativo muito importante. Até aí, Neri apenas seguiu o script, mas derrapou feio na sequência, ao não explicar, inclusive para os colegas, exatamente o que estava acontecendo. Agora ele corre o risco de pagar – e caro – por isso.

Perguntas – O presidente da Câmara tem OBRIGAÇÃO, com seus pares e com a sociedade, de dar explicações sobre o episódio:
1 – Por que permitiu que uma pessoa que não havia sido oficialmente nomeada despachasse na Câmara, tendo acesso, inclusive, a documentos internos?
2 – Por que, exatamente, a nomeação não ocorreu?
3 – Os documentos apresentados são mesmo falsos?
4 – Se são, por que o caso não foi levado à Polícia, já que a apresentação de documentos falsos é crime?

Sem explicações – Os mais irritados com a situação são Rose Almeida (PSB) e Talis Ferreira (PR). Quinta, na sessão, Rose atacou duramente a mesa diretora, composta ainda por Erico Velten (PDT), Cristiano Braatz (PMDB) e Joel Kerber (PP). Segundo ela, o grupo está jogando na lata do lixo a história de transparência do Legislativo, ao não prestar esclarecimentos sobre o episódio. Para sexta-feira, o presidente havia prometido uma Comunicação Interna (CI) explicando tudo que ocorreu, mas o documento não foi distribuído. Cabelo está brincando com fogo.

De acordo com a assessoria de comunicação da Câmara, o encaminhamento do assunto ainda depende de um parecer do consultor jurídico, Adriano Bérgamo. Só mesmo um bom advogado será capaz de tirar o presidente da enrascada em que se meteu.

Mobilização
A intervenção do deputado federal Alceu Moreira (PMDB) junto à Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) vai garantir a realização de uma audiência pública, em Montenegro, para discutir a instalação do pedágio na BR 386. Será nesta quarta, às 14h, com espaço para 450 pessoas. A mobilização partiu dos vereadores Felipe Kinn da Silva e Cristiano Braatz, também do PMDB, que pretendem trazer o debate para mais perto das comunidades. Acreditam que, quando as pessoas souberem o que está em jogo, não aceitarão passivamente o que o governo quer impor à sociedade. No caso, a cobrança de R$ 14,00 para ir e voltas de Porto Alegre.

Ampla participação – Como as consequências serão sentidas por todas as comunidades da região, a meta dos organizadores é encher o Clube Riograndense – local do evento – com moradores de várias cidades do Vale do Caí. Para isso, pretendem contar com o apoio dos prefeitos e dos colegas legisladores comprometidos com o bem-estar das suas populações. Também as entidades empresariais, sindicatos e associações de moradores estão sendo chamados a colaborar. Pode até não surtir o efeito desejado, mas a ordem é “cair atirando”.

Compensações – Na verdade, pouca gente acredita que será possível impedir a instalação do pedágio. O que se pretende, através das mobilizações, é uma redução dos danos. Primeiro, garantindo que os moradores da região – ou pelo menos aqueles que cruzam a rodovia diariamente a trabalho – sejam isentos da cobrança. Segundo, que o dinheiro arrecadado nas cancelas seja imediatamente aplicado em melhorias na estrada e não somente daqui a 12 anos, como prevê a proposta de concessão. E, finalmente, que o valor da tarifa seja reduzido, em virtude do seu forte impacto sobre o preço dos fretes.

A favor – É uma pena que, nessa mobilização, não se possa contar com o empenho do governo Aldana. Quinta, durante uma audiência pública semelhante, em Lajeado, de dez pessoas que se manifestaram a favor da cobrança, duas eram integrantes da Administração Municipal de Montenegro.

A luta continua
Uma avaliação da crise na segurança pública, publicada pelo Cenário Político na última quinta-feira, dia 16, provocou manifestação do deputado estadual Tiago Simon (PMDB). Em contato telefônico, ele admitiu que a situação é muito grave e que, apesar do quadro crítico em Porto Alegre, não concorda com a remoção de PMs do interior para a capital. Por outro lado, o parlamentar garante que está se esforçando para ajudar a região e vem trabalhando, junto com os prefeitos do Vale, para manter por aqui uma parte dos brigadianos em formação na escola da BM. “Estamos lutando por isso, assim como pela implantação de um sistema de videomonitoramento regional”, revelou.

Desarticulados – Também o coronel Leodimar Aldo Mantovani comentou a falta de força política de nossos vereadores que, dias antes, haviam pedido um reforço no efetivo da Brigada Militar à Secretaria da Segurança Pública. “Os vereadores de Montenegro não são ingênuos. O problema é a ânsia de protagonismo, de destaque. Não sou político, mas, se fosse, faria um movimento diferente”, afirma o oficial. “Chamaria para a comitiva os vereadores de Triunfo, pela importância do Pólo Petroquímico, as ACIs de Montenegro e Triunfo, o presidente do Comitê de Fomento Industrial do Pólo, que fala em nome das empresas lá instaladas, e me aconselharia com o ex-prefeito de São Sebastião do Caí, Darci Lauermann, amigo íntimo do governador Sartori”, descreve.

Rostinho colado – Mantovani observa que, sem costura ampla e abrangente, não vão conseguir nada. “O Pólo Petroquímico faz parte da Fiergs, presidida pelo montenegrino Heitor Müller, que certamente também ficou de fora das conversas. É por essas e outras disputas de vaidade e falta de articulação que o videomonitoramento regional não saiu e não vai sair. Como diria um antigo coronel da Brigada Militar, eles não dançam de rostinho colado”, conclui o oficial.

CPI instalada
O presidente da Câmara, Neri Pena (PTB), acolheu o parecer jurídico elaborado pelo advogado Adriano Bérgamo e decidiu que não vai submeter ao plenário a criação da CPI do Loteamento Bela Vista. O requerimento, subscrito pelos vereadores Talis Ferreira (PR) e Rose Almeida, Josi Paz e Valdecir Alves de Castro, os três do PSB, pretende investigar irregularidades que teriam ocorrido durante a implantação. Entre elas, o uso de materiais de baixa qualidade e a não execução de obras de infraestrutura previstas no projeto.

Composição – Pena avisou aos partidos que eles têm cinco dias para indicar seus representantes na Comissão, composta por cinco pessoas. Como a Câmara possui seis bancadas, pelo menos uma legenda ficará de fora. Os autores do pedido, PR e PSB, devem garantir duas cadeiras, restando três para serem disputadas pelo PTB, o PMDB, o PDT e o PP. De qualquer forma, a oposição terá maioria. Os integrantes, depois, escolhem o presidente e o relator.

Reações – Luiz Américo Aldana e seu governo não estão no “olho” desse “furacão”, já que a construção ocorreu na segunda gestão Percival. Mas é lógico que a investigação e o comportamento da bancada governista nos trabalhos terá consequências. Se alguém possui telhado de vidro, melhor que seja “temperado”.

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