A harmonia, cultivada com esmero no primeiro ano da legislatura pelos vereadores empossados em 1º de janeiro de 2017, está trincada. Esta semana, de forma surpreendente e sem comunicar ninguém, o presidente Erico Velten (PDT) exonerou a assessora especial Roberta Cardona do cargo para o qual havia sido nomeada há poucos dias. A decisão irritou sua colega Josi Paz, do PSB, que a havia indicado para a função. A tal ponto que até pensa em renunciar ao cargo de secretária da mesa diretora. As versões em torno do episódio são muitas, mas deixam claro que, tanto no Executivo quanto no Legislativo, existem disputas fratricidas por espaço e poder que a maioria dos contribuintes sequer consegue imaginar.

Os quatro – Para entender a situação, é preciso explicar que hoje a Câmara tem quatro funções ocupadas por CCs, funcionários nomeados pelo presidente, que podem ou não ser selecionados a partir de critérios político-partidários. Destes, dois são absolutamente técnicos (consultoria jurídica e assessoria de comunicação). Pela natureza das atividades e pelo preparo de quem exerce estas tarefas, raramente há substituições.

Desculpa – Não é preciso ser muito inteligente para perceber que a versão do presidente foi construída às pressas, para justificar uma decisão que tem motivos bem diferentes. Segundo Josi Paz, Velten disse que a demissão é uma forma de mostrar força e de punir o Partido Progressista, cujo representante na Câmara, Joel Kerber, tem mantido uma relação pouco amistosa com o presidente. Roberta não tem filiação partidária, mas é filha do ex-vereador Marcelo Petry Cardona, um antigo e histórico opositor do PDT montenegrino.

Infantil – Revoltada com a situação, Josi ressalta que esse não foi o único episódio em que a capacidade de liderança do presidente Erico deve ser questionada. “Embora ele seja o presidente, o bom senso recomenda que compartilhe suas decisões com os demais integrantes da mesa, mas isso não acontece”, denuncia. “Ele age de forma individualista”, reforça. Para a vereadora, o comportamento de Erico parece com o de um reizinho e, às vezes, beira mesmo à infantilidade. “O que dizer de uma pessoa que, numa semana, nomeia uma funcionária e, na seguinte, a exonera, alegando necessidade de economia?”, questiona.

Perseguição – Se o objetivo do presidente da Câmara era fazer economia, não deveria ter sequer realizado a nomeação. E se era enquadrar o PP, errou o alvo. Roberta Cardona era indicação de Josi Paz, do PSB. Porém, é provável que a real motivação nada mais seja do que um ataque ao “sobrenome”. Como Erico, que também preside o PDT, nada pode fazer contra o “pai”, desconta na filha. O dicionário define esta prática com várias palavras. Nenhuma é bonita.

Filiados – Os outros dois cargos (secretário-geral e assessor especial) têm um cunho mais político e os partidos que se revezam na mesa diretora costumam aproveitá-los para acomodar filiados. Logicamente, não significa que as funções não sejam, também, exercidas por pessoas competentes e dedicadas, mas é a filiação partidária e a relação pessoal com quem exerce a presidência que costumam garantir a vaga.

Economia – Quando Josi Paz assumiu a função de secretária da mesa, ela indicou a advogada Roberta Cardona, que atuou em seu gabinete no ano passado, para trabalhar na revisão do Regimento Interno e na elaboração do Código de Ética da Câmara. Velten aceitou a sugestão e ela foi nomeada na semana passada. Segunda-feira, porém, foi exonerada. O argumento do presidente é o de que é preciso economizar e que vai usar o cargo para premiar um servidor do quadro de carreira.

Rapidinhas
* A frequência com que o prefeito Kadu Müller vai a Brasília em busca de recursos desde que assumiu o cargo já despertou a veia cômica de alguns servidores. Os mais gaiatos até rebatizaram o chefe do Executivo, que passou a ser chamado de “Kadê?” Müller.
* O presidente do Partido Progressista em Montenegro, Gustavo Zanatta, recebeu uma correspondência da senadora Ana Amélia Lemos. No texto, ela comunica a liberação de emendas ao orçamento da União, no valor de R$ 150 mil, para serem aplicados na saúde dos montenegrinos. Ana Amélia é pré-candidata à reeleição em outubro.
* A assessoria de comunicação da Prefeitura passou a divulgar, em sua página no Facebook, um roteiro com as comunidades atendidas todos os dias em serviços de limpeza das ruas, manutenção das redes de esgoto e patrolamento das estradas do interior. Assim, o cidadão pode acompanhar o cronograma e cobrar quando não é cumprido.
* Aparentemente, o telefone celular do prefeito de Pareci Novo, Oregino Francisco, foi alvo de hackers. Através do aplicativo whats app, o equipamentos está enviando para os integrantes da sua lista de contatos as imagens de uma mulher dançando ao som de uma animada música gauchesca. Não seria problema se não estivesse completamente nua.

Sem-teto pressionam
O Movimento Nacional de Luta pela Moradia protocolou pedido de audiência com o prefeito Kadu Müller nesta segunda-feira. Conforme o coordenador do grupo na cidade, Elio Souza Santos, as ações por parte da prefeitura na área habitacional são quase inexistentes. “Queremos que o prefeito seja claro sobre o que ele pretende fazer de investimento em moradia durante seu mandato, pois já recomeçaram as ocupações de áreas publicas e isso não é bom”, salienta o líder dos sem-teto.

Preparando argumentos
Ainda sem data definida, a audiência pública para debater a proibição da venda de fogos de artifício barulhentos já está causando mobilizações. Os comerciantes do setor acreditam que, se uma lei neste sentido passar, os montenegrinos passarão a adquirir foguetes e rojões em outras cidades. A perturbação do sossego público não seria resolvida e ainda haveria perda de dinheiro para outros municípios.

Outro lado – É legítima a queixa daqueles que desejam a proibição para proteger cães e gatos, que sofrem muito com os estampidos. Assim como também é justa a queixa dos que se sentem prejudicados e até ameaçados pela grande quantidade de cães soltos pelas ruas, disseminando doenças e rosnando para os pedestres. Mas a verdade é que um problema não anula o outro. Ambos precisam ser resolvidos.

Internet para todos
Em sua nova viagem a Brasília, esta semana, o prefeito Kadu assinou a adesão do Município a um programa nacional que promete levar internet às comunidades do interior a um custo mais acessível. A medida é bem-vinda. Hoje há inúmeras opções de entretenimento – e até mesmo vídeos e cursos que ajudam a qualificar a produção agropecuária – disponíveis na rede. Sem banda larga, porém, não é possível acessar a todas estas facilidades, que poderiam resultar, inclusive, em aumento da produção.

Prioridades – Ao lerem a notícia nas redes sociais, alguns contribuintes questionaram o prefeito sobre as prioridades do governo. Alegam que existem outras demandas a serem atendidas primeiro, como a extensão das redes de água potável a todas as comunidades e a melhoria das comunicações por telefonia celular.

Direitos iguais – Também neste caso, uma demanda não exclui as outras. Oferecer aos agricultores serviços de qualidade em energia elétrica, abastecimento de água, telefonia e internet é obrigação dos governos em suas diferentes esferas. Se a população do perímetro urbano usufrui

destes benefícios, com que direito são negados a quem reside na zona rural?

Alô, fiscais
A lei que proíbe a colocação de cartazes e faixas em postes está em vigor, mas não inibe a prática. Talvez porque falte fiscalização e o efetivo enquadramento daqueles que a desrespeitam. O cidadão também pode contribuir, denunciando os abusos ou simplesmente arrancando os reclames e jogando o papel no lixo. A cidade agradece.

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