A instalação de 15 famílias indígenas no bairro Rui Barbosa, entre o Colégio AJ Renner e o Parque Centenário, deve motivar uma reunião na Câmara de Vereadores nos próximos dias. A iniciativa é do petebista Juarez Vieira da Silva, preocupado com as reclamações de vizinhos e com a situação precária dos próprios kaingangs. Entre eles, há 26 crianças e, apesar do seu modo de vida peculiar, elas parecem estar numa situação de risco. A chuva e o frio são as grandes preocupações, ao lado das más condições de higiene. Não há banheiros e as necessidades fisiológicas produzem um esgoto que corre a céu aberto, provocando mau cheiro e atraindo insetos. O maior receio é a disseminação de doenças perigosas para todos, incluindo índios e moradores da vizinhança.

Expectativas frustradas
Paralelo às questões humanitárias envolvidas, existem outros problemas. Quando os moradores compraram os terrenos e construíram suas casas naquela região, o espaço agora ocupado pelos indígenas era um campinho de futebol e estava reservado a uma escola e a uma área de lazer. De uma hora para outra, ganharam um grupo de vizinhos de uma cultura totalmente diferente, com hábitos e modo de vida nem sempre fáceis de assimilar. Imediatamente, os imóveis começaram a perder valor. Não podemos cair na tentação de chamar estas pessoas de insensíveis. Muitas delas colocaram ali as economias de uma vida toda de trabalho, com o objetivo de viver em paz e sem sobressaltos. Isso se foi da noite para o dia.

Novo problema
O problema não são os índios, mas o espaço equivocadamente destinado a eles. Oriundos do Norte do Estado, até alguns meses atrás, eles estavam numa área particular, junto à RSC-287, no acesso ao bairro Santo Antônio, mas foram despejados. Como se negaram a retornar para a reserva de onde são oriundos, acabaram recebendo autorização do poder público para ficar nas imediações do Parque. Resolveu-se um problema com a criação de outro.

Enquadramento legal
A legislação brasileira trata os índios de um modo diferenciado. Eles não respondem às mesmas leis que os demais cidadãos, o que costuma gerar choques culturais importantes. Contudo, respeitá-los não deveria significar a simples resignação diante de tudo que fazem. Se não querem ficar nas reservas, não estaria na hora de revisar estas leis e enquadrá-los nas mesmas normas que disciplinam a vida em sociedade? Na prática, é preciso compreender que o índio não pode querer apenas o melhor de dois mundos.

Solução definitiva
A data da reunião proposta pelo vereador Juarez deve ser divulgada nos próximos dias pela Câmara. Uma coisa, contudo, já é certa: o local onde os kaingangs estão não é adequado. Qualquer ideia que não contemple uma mudança de endereço, para um espaço mais amplo e próximo da zona rural, mas com acesso facilitado, não atingirá o objetivo de preservar a cultura dos índios. Afinal, é isso que importa!


 

Em pé de guerra
Os protestos realizados pelos tradicionalistas durante o desfile de 20 de Setembro continuam provocando debates e, a cada nova discussão, fica mais claro que não existem santos nesta história. De fato, a Administração Municipal ficou devendo apoio aos CTGs, mas também é verdade que o movimento, historicamente dividido por disputas entre as entidades, nunca esteve tão “esgualepado” como agora. Desde 2016, segundo a própria gauchada, a Associação Tradicionalista Montenegrina (ATM) não se reúne. Ninguém sabe ao certo quem comanda a entidade que, inclusive, está devendo a prestação de contas dos últimos repasses que recebeu do poder público.

O que sobra? – Semana passada, durante uma reunião na Câmara proposta pelo vereador Talis Ferreira (PR), ficou claro que tanto a Administração quanto os gaúchos precisam reconhecer suas deficiências e arrumar a casa. O prefeito Kadu chegou a dizer que o Parque Centenário está à disposição, exceto os ginásios Domingão e Azulão, além da área coberta ao lado deste segundo. Não sobra muito, na verdade.

Fio de bigode – Quanto aos tradicionalistas, devem embainhar as adagas e tomar um mate para sacramentar a paz. E depois, providenciar a prestação de contas do dinheiro que a ATM recebeu. Quando o recurso é público, só o fio do bigode não é suficiente para garantir que foi gasto com honestidade e moderação.


 

Pagando o preço
Acompanhados do vereador Cristiano Braatz, moradores de Vendinha e Rua Novo estiveram no escritório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Preocupados com os riscos da travessia da BR-386, a Tabaí-Canoas, eles foram pedir providências. A empresa CCR, que ganhou a concessão da rodovia, está disposta a instalar redutores eletrônicos de velocidade junto às duas comunidades, para garantir segurança.

Indústria – A solução do problema seria, portanto, uma questão de dias, não fosse por um detalhe. O presidente Jair Bolsonaro vetou a instalação deste tipo de aparelho nas estradas, sob a alegação de que eles servem apenas para multar e não para educar os motoristas. Sua excelência está redondamente enganada, mas, por enquanto, ninguém o convenceu disso.

Bem votado – Os moradores não esperavam por isso, embora, antes mesmo das eleições, Bolsonaro tenha prometido “acabar com a indústria das multas”. Em Rua Nova, o presidente fez 40% dos votos e, na Vendinha, 46%. Isso no primeiro turno, quando havia outras dez opções de voto. Se a eleição fosse hoje, será que o resultado ainda seria o mesmo?


 

Ignorados
Anda murcha a bolinha dos vereadores Felipe Kinn da Silva (MDB) e Valdeci Alves de Castro (PSB). Craques da oposição, foram solenemente ignorados pelo Executivo, na semana passada, durante uma reunião em que pretendiam pressionar novamente o governo a reduzir as diárias de viagem do prefeito. Não apareceu ninguém.

Tempo – Talvez seja apenas uma questão de ritmo. A última reunião, na qual o chefe de gabinete, Rafael Riffel, prometeu enviar um projeto à Câmara diminuindo os valores, de R$ 1.600,00 por dia para cerca de R$ 900,00, ocorreu em 27 de agosto. Passaram-se APENAS 56 dias, o que, na métrica do governo, é quase nada.


 

RAPIDINHAS
Vereador Talis Ferreira (PR) quer colocar a gerência da Corsan contra a parede. Nos próximos dias, promove reunião sobre novos episódios de faltas de água. Bastaram três dias de calor e os “estouros” de canos voltaram com força.

Vereador Joel Kerber “desabou em si” e retirou o projeto que repassava à Prefeitura a coleta de sangue em cavalos para os exames de Mormo. Deu-se conta, enfim, que a iniciativa precisa partir do Executivo. Antes tarde do que nunca.

O projeto de lei da deputada Luciana Genro, que limita o uso de fogos de artifício a modelos cujo ruído é inferior a 100 decibéis, terá pouca validade. A maioria dos rojões que incomodam pessoas e cães tem estrondo inferior. Segundo os médicos, a partir dos 80 decibéis, uma exposição mais longa já é arriscada.

A instalação do Cartório Especializado na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato, na Delegacia de Polícia, é um alento para quem teme pelo roubo dos seus animais. Quem sabe, agora, as vítimas colaborem com as autoridades e registrem os furtos e o abate clandestino. É a única forma de acabar com as quadrilhas.

A política brasileira está em ebulição com as brigas entre o PSL e o presidente Bolsonaro e seus filhos. Ao ler a troca de acusações e farpas, fica-se com a impressão de que todos voltaram à 5ª série. Trágico!

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