Na fila de polêmicas do cenário político montenegrino, a ficha preferencial desta semana está com o aluguel das dez câmeras que vão ampliar o sistema de videomonitoramento da cidade. Apesar de o prefeito Kadu Müller já ter declarado que a discussão estava encerrada, os vereadores da oposição deixaram bem claro que o assunto ainda deve render. Eles não concordam que o contrato de aluguel seja o melhor caminho e acreditam que, à exemplo do que foi feito em Pareci Novo, seria mais inteligente e barato comprar e não alugar os equipamentos. O governo defende o contrário, destacando a urgência no aumento da segurança.

Comparação
Já que a Administração conta que buscou a ideia do aluguel em Lajeado e Farroupilha, os vereadores fizeram circular entre a plateia da última sessão um documento com os valores gastos em Pareci. Se no contrato de dois anos com os dez equipamentos, Montenegro vai gastar mais de R$ 560 mil com aluguel, a relação do vizinho indica que as 14 câmeras compradas lá, com validade de dois anos, custaram R$ 140 mil, mais a manutenção mensal, que é de R$ 2,3 mil.

Mas “economizar é comprar bem”
Até o slogan do Zaffari foi usado pelo vereador Joel Kerber (PP), líder do governo no Legislativo, para defender o aluguel proposto. As câmeras devem ser de alta resolução e padrão europeu. Mas o principal atrativo do contrato é no que se refere à manutenção. Com o valor pago por mês, a Prefeitura, que não tem mão de obra preparada para tanto, garante que a contratada monitore as câmeras, com resposta máxima de 12 horas para substituição em caso de falha. Se isso precisasse seguir os trâmites de compras públicas, iria demorar bem mais.

Desvalorizadas
Ao defender o aluguel, o Executivo critica que a compra das câmeras não é inteligente, visto que os equipamentos desvalorizam muito rápido, em cerca de dois anos. Mas ele também destaca como atrativo ao contrato feito que, após o término do aluguel, em dois anos, as câmeras serão “doadas” ao Município. Seria, então, para fazer o Descarte Correto?

Briga ainda vai longe
O secretário de Obras Públicas, Ronaldo Buss, criticou tanta discussão. Disse que se Cristiano Braatz – um dos principais opositores – achar que Pareci é o melhor case, que ele defina isso no dia em que for prefeito. A resposta veio na tribuna. “Nem que eu vá para o inferno! Eu vou lutar para que a boa administração do dinheiro público seja feita”, bradou o vereador.


Pedágio

A construção do pedágio de Montenegro, na BR-386, tem repercutido negativa e positivamente. Na última semana, filas de desempregados no Sine e em localidades próximas ao local da praça evidenciaram o lado bom da obra, com a geração de empregos. Por outro lado, na sexta, uma Audiência Pública discutiu a situação da Volta do Anacleto que, por causa da cobrança na passagem pela rodovia, terá o seu principal acesso bloqueado para evitar desvios. É lei, mas prejudica muita gente.

Tarifa – O que parece ter ficado em segundo plano é a “luta” pela isenção do pedágio aos veículos de Montenegro. Alguns políticos já disseram estarem batalhando por isso, mas há que se questionar se, realmente, algum de nossos representantes têm interesse nesse benefício aos montenegrinos. Com cofres públicos magros, o dinheiro dos impostos em cima de nossos carros não deve ser de se jogar fora.


Fazenda

Nestor Bernardes já havia adiantado à esta coluna que deixaria o cargo na secretaria municipal da Fazenda para curtir a aposentadoria. Garantia, porém, que encaminharia seu desligamento só após a Audiência Pública de divulgação dos números do segundo quadrimestre, em setembro. Chamou atenção, então, que sua saída tenha ocorrido na última semana, tempos antes; e que, tão rápido, já havia um nome para substituí-lo: o então diretor de Fiscalização, Antônio Filla. Foi a terceira troca de secretariado no governo Kadu em pouco mais de um mês.


Nas laterias da 287, Prefeitura assume responsabilidade do Estado

A buraqueira nos acessos às ruas Ramiro Barcelos e Coronel Antônio Inácio pela RSC-287 estava de dar vergonha. E na última semana, a Prefeitura tomou para si o que seria uma responsabilidade do governo estadual, promovendo melhorias na via. Uma ação necessária, demandada por toda a comunidade, mas que já havia sido anunciada lá em maio, quando o prefeito Kadu postou no Facebook de uma visita ao Piratini que buscava autorização para tal atividade. Pode até ter sido coincidência, mas os trabalhos só iniciaram dias depois de o vereador Neri Pena (PTB) ir à tribuna com essa postagem impressa, cobrando explicações.

Casa – A cobrança ocorreu na sessão retrasada da Câmara. Se opondo à Neri, Joel Kerber (PP) defendeu o governo por não realizar o trabalho na 287. Na ocasião, foi firme, dizendo que a comunidade precisava era cobrar o Estado; e afirmando que cabia ao Município usar seus recursos para cuidar de casa, das estradas no interior e ruas da cidade. Mas depois que o governo contrariou seu defensor, atuando na rodovia, este voltou à tribuna na última sessão para, então, exaltar a iniciativa. Quem concordava com o primeiro discurso, estranhou. Questiona-se a qualidade da atenção dada ao que, de fato, é responsabilidade municipal.

Rótulas – É evidente que a solução do problema é de ser comemorada. E Kerber aproveitou o sentimento para dar outra notícia importante: o projeto das novas rótulas da 287 está pronto. Na linha da operação tapa-buracos, ele já disse que o governo tomará para si, também, a sua construção, “mesmo que precise pegar novo financiamento”. Seria mais uma responsabilidade estadual assumida por Montenegro. E mais uma dívida.


RAPIDINHAS

A maioria do Legislativo pediu vistas ao Projeto do governo para usar recursos do Fundeb e reformar escolas. Trancaram também a compra de uma retroescavadeira, pedindo tempo para análises. Fiscalizar é, sim, direito e dever de vereador. Mas há quem leia o movimento como uma mostra da força de uma oposição que, quando não quer, não deixa o governo governar.

Presidente da Amvarc, Oregino Francisco estava na última sessão da Câmara. Cristiano Braatz (MDB) aproveitou o encejo para pedir um apoio no próximo encontro da Associação quanto a pauta da divisão dos custos da Receita Federal, que sobraram para Montenegro. Recebeu um certinho.

Braatz, aliás, marcou reunião para discutir a volta do programa de castrações de cães e gatos. Ninguém aqui está dizendo que isso é reflexo da edição passada desta coluna, que cobrou ações mais efetivas do Legislativo em prol da causa. Mas é bom ver que há perspectiva de um projeto tão importante como este ser retomado.

Talis Ferreira (PR) foi só críticas na tribuna. Falou de transporte, obras, estradas e afins. Disse que era hora do Executivo acordar, pois não estamos na Inglaterra, onde o governo fica para sempre no poder. Não é bem como funciona o sistema britânico, vereador, mas deu para entender a intenção.

Enquanto os moradores de Fortaleza batalham pelo sucesso de sua própria rota turística, o Dnit segue devendo ações de melhorias no trecho rural da BR-470, que corta a localidade. O estado da via é tão deplorável, que há quem ironize que uma das atrações da rota será um tour imersivo que imita o tráfego nas crateras lunares.

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