A Câmara aprovou, nesta quinta, o projeto de lei do Executivo que concede incentivos à Vibra Agroindustrial SA. O texto despertou polêmica porque o auxílio proposto pelo prefeito consiste no fechamento e doação de um trecho de estrada que corta duas propriedades da empresa, em Vendinha. A medida vai impactar nos deslocamentos de dezenas de famílias da região. A aprovação se deu por seis votos a três. A doação permitirá o aumento da produção em 2 milhões de matrizes ao ano, representando um incremento de até R$ 45 milhões no faturamento e R$ 2 milhões de aumento na arrecadação de ICMS. Quanto ao número de funcionários, passará de 86 para 103. Como contrapartida, a Vibra ainda investirá R$ 70 mil em melhorias na Escola Bello Faustino dos Santos, de Fortaleza.

Audiência – Por representar o fechamento de uma estrada usada por muitas famílias, o projeto, em si, já é polêmico. Contudo, muitas arestas poderiam ter sido aparadas se, antes do encaminhamento para a Câmara, tivesse ocorrido uma audiência pública na comunidade. Um debate entre os moradores e os representantes da indústria teria dado aos vereadores a chance de votar com maior conhecimento de causa. E, quem sabe, poderia ter surgido até alguma nova alternativa para não dificultar tanto o ir e vir de quem mora na região.

Tentativa – Semana passada, em reunião na Câmara, a direção da Vibra concordou em fazer a audiência. Mas como o projeto foi encaminhado pelo prefeito em regime de urgência, era necessário que ele abrisse mão da votação na quinta para que a reunião ocorresse. O vereador Talis Ferreira (Progressistas) tentou convencer o chefe do Executivo, mas não teve êxito.

Tramitação – O que mais chama a atenção no projeto foi o tempo em que ele ficou se arrastando na Prefeitura. O processo iniciou em outubro do ano passado. Significa que ficou inacreditáveis 11 meses voando de uma mesa para outra até que, no fim de setembro, pousou na Câmara para votação. Segundo a vereadora Josi Paz (PSB), a culpa foi da pandemia. A justificativa até seria válida, não fosse por um detalhe: quando a Covid-19 se tornou uma ameaça, em março, já haviam se passado quatro meses desde a abertura do processo.

Ferramentas digitais – Os defensores do projeto também alegaram que a pandemia impediu a realização de uma audiência pública antes, em virtude das regras de distanciamento social. No método tradicional, em que todos dividem o mesmno ambiente, de fato, depois de março, teria sido inviável. Porém, existem alternativas que a própria Administração vem usando, como Google Meeet e outras plataformas de videoconferência. E se isso não fosse possível, ainda poderia ter ainda aberto um canal de manifestação dos moradores nas redes sociais, durante um período pré-determinado.

Decisão difícil – A forma como a situação foi conduzida expôs a empresa e possivelmente arraste a discussão para o Judiciário, com inevitáveis prejuízos para todos. Fechar a estrada vai prejudcar muita gente, mas como a legislação federal não permite que a Vibra continue operando com uma via pública cortando suas unidades ao meio, a falta de ação do poder público poderia causar a saída da indústria de Montenegro. O prejuízo em empregos e arrecadação seria enorme

Harmonia – Situações deste tipo requerem muito diálogo, para que todos possam pesar as perdas e eventuais ganhos. O poder público e a Câmara de Vereadores têm o dever de decidir aquilo que é melhor para a maioria, mas podem – e devem – fazer o seu papel procurando harmonizar os muitos interesses em jogo. E, principalmente, trabalhar mais rápido.

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Economia para quem?
O suplente de vereador Márcio Müller, do PL, tem um conceito bem peculiar para a expressão “economia aos cofres públicos”. Uma semana depois de apresentar projeto propondo que os parlamentares passem a receber salário mínimo a partir de 2021, pediu que a Câmara contrate um assessor para ficar a sua disposição enquanto estiver no legislativo. O curioso é que ele sai no dia 3 de dezembro, quando Rose Almeida reassume o mandato após licença de saúde.

Férias – Quando Márcio assumiu, as férias da assessora de gabinete de Rose Almeida já estavam programadas. Na prática, ele ficaria pouco mais de uma semana sem esse respaldo, o que, pelo visto, representava um problema. Por isso, gestionou a contratação temporária de alguém para fazer a assessoria. Para a Câmara, significaria pagar duas pessoas ao mesmo tempo, o que nunca antes ocorreu. Felizmente, Müller acabou desistindo da exótica ideia.

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Uma referência
Cristiano Braatz, candidato a vice na chapa liderada por Gustavo Zanatta, aproveitou a entrevista ao Ibiá, terça passada, para destacar o papel do pai, Roberto Braatz, em sua trajetória política. Cristiano afirma que o ex-vereador – por seis mandatos – e também ex-vice-prefeito, é uma referência de ética e coerência não só para ele, mas também para seu parceiro na urna eletrônica.

Tapas e beijos – Roberto Braatz ainda não apareceu na campanha do herdeiro político e há quem suspeite que o motivo são as diferenças dele com Gustavo Zanatta. Os dois estiveram juntos na Câmara entre 2013 e 2016 e se enfrentaram na briga pela Prefeitura quatro anos atrás. Neste tempo todo, houve mais tapas do que beijos.

Princípios
Candidata a vice-prefeita pelo PSDB, a enfermeira Eliza Fukuoka pretende levar alguns traços da cultura oriental para a Prefeitura em caso de vitória nas eleições. Entre eles, a honradez, que pode ser entendida como honestidade, e a valorização da palavra empenhada. Entre os japoneses, o não cumprimento de uma promessa é motivo de grande vergonha. Infelizmente, na política brasileira, estes princípios não fazem parte da rotina da maioria dos governantes.

Canos – Especialista em prevenção, Eliza acredita que é possível avançar. Para ela, além dos agentes de saúde e do controle das endemias, é preciso investir mais em saneamento básico. Não será fácil convencer seus próprios aliados a aplicar mais dinheiro em canos, obras que ninguém vê e rende poucos votos.

Promessa é dívida III
Quinta foi a vez de Kadu Müller participar da série de entrevistas do quadro “Pronto. Falei!” do Ibiá, especial das eleições. Quis o destino que o candidato e atual prefeito pegasse o tema “Serviços e obras públicas”; que foi sorteado e só revelado a ele momentos antes da transmissão. Kadu teve que falar sobre demora na entrega de obras, a demanda por limpeza e capina das ruas e algumas recentes polêmicas envolvendo asfaltamentos e a Guarda Municipal.

Lembre-se – Kadu se esforçou para dizer que muito já foi realizado e aproveitou para renovar algumas e fazer novas promessas. Diz que vêm aí a entrega da Biblioteca e do Domingão; revitalização no Centenário e mais investimentos nas praças; mais efetivo e atribuições à Guarda Municipal; e intensificação na limpeza das ruas. Tomou nota?

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Rapidinhas
O senador Luiz Carlos Heinze provocou a ira de alguns progressistas montenegrinos ao gravar um vídeo pedindo votos para o candidato a vereador Gustavo Oliveira. Outros aspirantes à Câmara, que ajudaram a eleger o homem em 2018, também esperavam por isso. Seria, tipo… uma retribuição.

Depois de Adairto da Rosa, o Chacall, o PDT sofre mais uma baixa em sua lista de candidatos à Câmara. Ângela Leci Francisco comunicou pelas redes sociais que deixou a corrida, por não concordar com a “política do partido”. Ecos da coligação com o Republicanos de Percival de Oliveira.

Em entrevista ao Jornal Ibiá e à rádio Ibiáweb, a candidata a vice-prefeita pelo PT, Liliane Mello, disse que foi o partido que indicou Carlos Batista da Silveira para a direção do Hospital Montenegro. Ele nega. Afirma que chegou ao HM graças às Embaixatrizes Solidárias, um grupo de mulheres da comunidade que socorreu a instituição em seus momentos mais dramáticos.

O candidato do PSDB à Prefeitura, Márcio Menezes, não cansa de repetir que o prefeito deve ser um “empregado do povo”. Se a ideia é demonstrar “humildade”, visitar os bairros e as áreas mais pobres na carroceria de uma luxuosa caminhonete Toyota Hilux pode ser um tiro no pé.

A quantidade de promessas que alguns candidatos a prefeito estão fazendo para seduzir o eleitor é tanta que seria necessária, pelo menos, uma segunda “encarnação” para cumpri-las. O povo não é bobo!

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