Mais um ano chega ao fim e o programa de castrações de animais de rua dificilmente será reativado. A parceria entre a Prefeitura e a Amoga terminou em 2013, o que explica a grande quantidade de bichos soltos pela cidade. Felizmente, neste período, a causa animal ganhou novos simpatizantes e muitos bichinhos foram adotados ou são alimentados pela própria comunidade, nas ruas mesmo. De qualquer forma, a maioria está passando fome, procurando lixo para comer, circulando entre os carros e aumentando o risco de acidentes. O mais grave é que a Prefeitura tem R$ 20 mil no orçamento para promover esterilizações. Não é muito, mas daria para castrar em torno de 80 fêmeas. Considerando que cada uma pode parir duas vezes ao ano ninhadas de até dez filhotes, uma conta simples mostra o impacto que o programa teria.

Desinteresse
Durante reunião na Câmara, semana passada, o secretário municipal de meio ambiente, Adriano Chagas, disse que as clínicas veterinárias da cidade não têm interesse em prestar o serviço. É que o objeto da contratação prevê que ficaria a cargo delas a captura das fêmeas, o transporte até o consultório, a cirurgia, a colocação de microchip e a devolução ao local onde foram pegas. Os empresários do setor estariam, inclusive, negando-se a dar os orçamentos necessários à abertura do processo de licitação porque não dispõem de toda esta estrutura. A solução, segundo Chagas, pode estar na mudança de objeto do contrato.

Captura e transporte
Internamente, os técnicos da Secretaria avaliam a possibilidade de contratar apenas as cirurgias e a “microchipagem” das fêmeas, ficando a captura e o transporte a cargo da Prefeitura. Como hoje já começa o mês de outubro e os primeiros nove meses de 2019 não foram suficientes para sequer abrir o processo, difícil crer que ocorra algo ainda este ano.

Família
E se 2019 tende a ser um ano perdido para o controle dos animais de rua, o mesmo ocorrerá com 2020. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, programas que não foram executados nos primeiros três anos do governo não podem ser realizados no último. Ou seja, o programa de castrações só será retomado novamente em 2021. Até lá, a família de cães abandonados terá mais de 1.000 novos integrantes.

Limite de gastos
Quinta-feira, o vereador Cristiano Braatz (MDB) brigou com os colegas para incluir uma emenda na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020, destinando R$ 80 mil para castrações. Só que a Lei de Responsabilidade Fiscal, que ele aparentemente ignorou, estabelece como gastos nesse tipo de ação, no último ano do mandato, a média do que foi aplicado nos primeiros três. Simplificando: se a Prefeitura “conseguir” gastar os R$ 20 mil que tem em 2019, no ano que vem, poderá aplicar apenas R$ 6.666,66. É que, em 2017 e 2018 não foi destinado sequer um centavo para este fim. É muita “cachorrada”!

Vetores
É fácil achar que os animais de rua são um problema menor e que a Prefeitura deveria se preocupar com assuntos mais importantes. Nada disso. Cães soltos são vetores de diversas doenças e colocam em risco a segurança do trânsito, especialmente quando “atacam” ciclistas e motoqueiros. A castração, assim como as campanhas pela guarda consciente, são fundamentais.


 

Tem de pagar
Entregue há menos de dois meses, uma das obras de revitalização da esquina da Osvaldo Aranha com a Ramiro Barcelos foi destruída durante um acidente de carro, na madrugada de sábado. O motorista já foi identificado e será chamado a ressarcir o prejuízo. Espera-se que a recuperação não demore. Na beira do Rio, um condutor derrubou a mureta de proteção em julho de 2017 e, somente agora, está sendo recolocada. E quando os usuários reclamavam, eram chamados de “impacientes”.

Barbeiros? – Na esquina com a Olavo Bilac, ocorreu o mesmo. Todos esses episódios também mostram a “destreza” de alguns condutores.


 

Concessão da 287
O governo estadual está projetando nova concessão da RSC-287, agora no trecho que passa por Montenegro. Foi isso que o prefeito Kadu Müller adiantou em entrevista à Rádio América na última sexta-feira. Nada oficial ainda, ele salientou, mas disse que vai procurar os responsáveis para se inteirar sobre o tema, já que, segundo ele, o Município só teria a ganhar com isso. Concessão significa, sim, uma rodovia melhor, mas também é sinônimo de mais um pedágio, ou seja, mais um custo para andar nas nossas estradas.

Seu bolso – Uma concessão da 287 à iniciativa privada significaria também a tão esperada construção das rótulas da rodovia. O projeto feito pela EGR, afinal, já está pronto, mas a empresa não tem recursos para construí-las e passou a bola para o Município buscar o dinheiro de outra forma. Avaliadas em R$ 20 milhões, essas rótulas passariam a integrar o pacote da concessão, junto de uma possível duplicação da faixa. Imagine o valor de uma tarifa de pedágio para cobrir tudo isso.


 

Nova visão
O vereador Cristiano Braatz (MDB) admite que, após assumir a presidência da Câmara, conseguiu entender melhor por que, às vezes, a Prefeitura demora para fazer certas obras e resolver os problemas da comunidade. Em nove meses, ele próprio ainda não conseguiu concluir a contratação de um serviço de portaria para a sede do Legislativo. O que agora é “culpa da burocracia”, antes ele chamava de “incompetência”.


 

Acordo em perigo
“Subiu na árvore” o acordo feito antes da posse, em que a maioria dos vereadores definiu quem seriam os presidentes do Legislativo nos quatro anos do mandato. Mantido nos primeiros três, agora está em marcha uma operação para impedir que Joel Kerber, do Progressistas, assuma a função em 2020. Como ficaria “feio” simplesmente quebrar a palavra empenhada, alguns pensam numa alternativa um pouco mais sutil de puxar o tapete.

Decoro – O regimento interno da Câmara impede que vereadores punidos pelo Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar participem da mesa diretora e Joel responde a uma denúncia. Num discurso, declarou que moradores da Vila Esperança desviaram para seus pátios material que a Prefeitura colocou nas ruas para melhorar a trafegabilidade.

Isonomia – O Conselho de Ética tem outras denúncias dormindo em suas gavetas. Uma delas, bem mais grave. Não pode usar dois pesos e duas medidas.


 

RAPIDINHAS
Ao prestar homenagem ao ex-vereador Rivo Bühler, na semana anterior, a Câmara cometeu um deslize primário. Não incluiu na lista de convidados sua segunda esposa, com quem vivia ao falecer. Amadorismo.

Os vereadores Talis Ferreira (PR) e Joel Kerber (Progressistas) vão promover reunião sobre o Mormo, a doença que atinge os cavalos e vem causando entraves à presença dos animais em desfiles e eventos tradicionalistas.

Administração encaminhou para a Câmara projeto de lei concedendo incentivos a uma empresa, contendo um erro grave de redação. Segundo o texto, a beneficiária fatura R$ 270 mil AO ANO. Na verdade, é por mês, o que faz uma grande diferença na hora dos vereadores decidirem se o apoio vale a pena.

Domingo, em virtude das atividades na Praça dos Ferroviários, muita gente se queixou da interrupção do trânsito. Provavelmente são os mesmos que lamentam quando não há opções de lazer na cidade.

A mesma coisa aconteceu sábado, quando as “rainhas” da Oktoberfest divulgaram seu evento. Muita gente buzinou, mas gostaria que a cidade também tivesse a sua festa. A verdade é que o montenegrino gosta mesmo é de reclamar. De tudo!

Domingo tem eleição para o Conselho Tutelar. Não é obrigatório, mas é importante votar.

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