A implantação de um pedágio e suas consequências é um assunto sério demais para não ser discutido previamente com a população. Quinta-feira, em Porto Alegre, ocorreu uma audiência pública sobre o Plano de Concessão de Rodovias, que vai plantar uma praça de cobrança na BR 386, entre Montenegro e Nova Santa Rita. A realização de encontros regionais, incluindo um em nossa cidade, foi o ponto comum nas manifestações realizadas na tarde de quinta-feira, em Porto Alegre. A medida evitaria situações que ocorreram durante o evento. Com o auditório lotado, foi necessário até organizar um espaço externo onde as pessoas assistiram a tudo por um telão.

Esvaziamento – São 34 municípios atingidos pela implantação de seis novas praças de pedágios e todos – ou boa parte deles – estavam representados no evento. Resultado: 80 pessoas se inscreveram para falar e o debate se prolongou por mais de cinco horas. Por ser cansativa e parte do público residir distante de Porto Alegre, aos poucos, a reunião se esvaziou, pois muitos não esperaram até o final. O que é compreensível pela forma como foi encaminhado.

Privilégio – Contribuiu para essa situação o fato de a coordenação ter optado por privilegiar algumas pessoas no uso do microfone, como deputados, e passá-los à frente dos demais. Foram várias as justas reclamações de que deveria ter sido seguida a ordem de inscrição para falar. Até parece que os parlamentares sabem mais dos problemas das comunidades do que os seus moradores. Em geral, falaram apenas obviedades.

Aproveitamento – Em audiências regionais, o evento seria mais próximo da comunidade atingida, haveria público menor e menos representantes para falar. Desta forma, evitaria o cansaço visível na quinta-feira, tanto para os participantes quanto para a Mesa, formada pelos organizadores do evento, promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Mobilização – Chamou atenção a maciça participação do Vale do Taquari na audiência de quinta-feira. Vários representantes se manifestaram, predominando opiniões contrárias ao pedágio. Entre os argumentos, o de que o povo não deve arcar sozinho pelas melhorias e manutenção de estradas, pois já paga muitos impostos que deveriam ser utilizados também para isso.

Omissão – De Montenegro, basicamente, participaram apenas alguns vereadores e o secretário municipal de Obras, Valter Robalo. Lideranças comunitárias, empresariais e sindicais, infelizmente, não estão dando ao assunto a importância que ele merece. Depois que a cobrança iniciar, não adianta reclamar. E serão R$ 7,00 a cada passagem pelas cancelas.

Visão curta – Ao se manifestar, Robalo reforçou o discurso do prefeito Aldana, de que o pedágio será positivo para a região, desde que haja gratuidade para os montenegrinos. Infelizmente, no Palácio Rio Branco, ninguém parece disposto a analisar os aspectos negativos, como o encarecimento dos fretes, o aumento do transporte coletivo e os congestionamentos que a praça de cobrança vai provocar num primeiro momento. Pagaremos caro pela tranqueira.

Tarifa menor – As lideranças do Vale do Taquari que participaram da audiência pública – e não eram somente políticos – destacaram que o contribuinte já está super onerado pelos impostos e não deve ser penalizado por mais uma cobrança. Por aqui, um comportamento bem mais passivo. O vereador Cristiano Braatz (PMDB), representando a Câmara, pediu a revisão da tarifa. E, se a implantação ocorrer mesmo, que as melhorias na Tabaí-Canoas iniciem logo.

Brincando com a vida
Parece que a Administração Aldana elegeu mesmo a Saúde como prioridade para cortes em despesas. Primeiro, fechou postos, extingiu o plantão noturno na Secretaria e reduziu a quantidade de médicos na Unidade Básica de Saúde do bairro Santo Antônio. Depois, atrasou os pagamentos do Hospital Montenegro e começou a dar calote nos fornecedores. Na sexta-feira, foram os fisioterapeutas que decidiram parar de atender os pacientes porque a Administração não os paga desde outubro do ano passado. E a previsão é de que, em breve, também os pediatras e outros médicos façam o mesmo.

Socialista? – Todos sabem que as prefeituras estão em crise, mas isso não dá ao administrador o direito de penalizar justamente aqueles que mais precisam. As grandes vítimas são as pessoas doentes, os idosos e os deficientes, justamente aqueles que deveriam estar à frente em qualquer lista de prioridades de um governo. Principalmente quando ele se diz socialista. Aldana e sua equipe estão colocando em risco a vida de dezenas de montenegrinos todos os dias. Vão entrar para a história.

Liga “Brega”
A saída do vice-prefeito Carlos Eduardo Müller, o Kadu, do cargo de chefe de gabinete, 44 dias após a posse, continua gerando polêmica. O tal grupo que, segundo ele, influencia demais o prefeito Aldana em suas decisões não é conhecido apenas como “D’Artagnan e os três mosqueteiros”, como o Cenário Político revelou na quinta. Seus integrantes também são tidos como a “Liga BREGA”. Cada letra corresponde à inicial de um nome.

Rapidinhas
* A Câmara, sempre tão cuidadosa e crítica em relação aos atos do Executivo, margeia a ilegalidade ao permitir que um funcionário, ainda não nomeado, dê expediente no local há duas semanas. André Ferreira ainda não é assessor, mas age como se fosse.

* Demorou, mas os professores da rede municipal de ensino finalmente vão receber as diferenças de dissídio referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março do ano passado. O prefeito Aldana mandou para a Câmara de Vereadores um projeto de lei destinando R$ 173 mil para este fim. A votação do texto deverá ocorrer hoje, em sessão extra.

* O vereador Talis Ferreira (PR) criticou a decisão do vice-prefeito Kadu de deixar o governo municipal. Ele teria dito a Talis que havia irregularidades na Administração, e que explicaria tudo na entrevista coletiva de terça-feira. “Mas não falou nada com coisa nenhuma… se tem algo errado no governo, ele tem que apontar”, desafiou.

* Um grupo de professores da rede municipal esteve na Câmara, na quinta, usando adesivos em que pedem respeito à categoria. Estão descontentes com o governo em função de alguns remanejamentos que vêm sendo feitos desde o fim do ano passado e que seriam motivados por perseguição política. Há quem pense em entrar na Justiça.

* A Câmara de Vereadores estuda a formalização de uma parceria com a TV Cultura, pertencente à Fundação Municipal de Artes, para a transmissão das sessões semanais. Assim, de dentro de suas casas, os montenegrinos poderão acompanhar o trabalho – ou a falta de – dos seus representantes. Sem dúvida, seria um ganho em transparência.

* O senador Lasier Martins, que fez muitos votos na região em 2014, assinou sem ler um projeto do colega Romero Jucá, que blindava os presidentes da Câmara e do Senado contra processos por corrupção. O próprio autor recuou e retirou o texto, mas o episódio mostra o quanto nossos representantes são desleixados na execução de suas tarefas.

Deixe seu comentário