A pandemia de coronavírus e a política de isolamento social defendida pelo Ministério da Saúde colocam em dúvida a real possibilidade de fazer as eleições para prefeito e vereadores em outubro deste ano, como estava previsto. Por enquanto, o debate ocorre nos bastidores do Congresso Nacional, com várias correntes medindo forças. Um dos grupos defende o adiamento para 2022, quando então haveria uma grande eleição geral, em que seriam escolhidos presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. Neste caso, os atuais mandatos seriam estendidos em dois anos. Outros acreditam que deve ficar tudo como está com, no máximo, adiamento da disputa para dezembro. E um terceiro, um pouco menor, propõe a escolha no primeiro semestre do ano que vem. Seria um mandato tampão de três anos e meio. Deveriam perguntar o que a população quer.

Por dinheiro – Engana-se quem pensa que a discussão é de caráter prático. Tem mais a ver com dinheiro. No orçamento deste ano, suas excelências reservaram cerca de R$ 2 bilhões ao financiamento da campanha eleitoral. Semana passada, a direção da Câmara dos Deputados derrubou uma decisão da Justiça que remanejava a verba para ações de combate à pandemia. Na prática, significa que os líderes querem a eleição neste ano e financiada com recursos públicos.

Chances – Trazendo o tema para a aldeia, é fácil constatar que não existe consenso. Quem está exercendo mandato ou possui cargo político tende a apoiar a prorrogação. Já aqueles que almejam o poder não vêem a hora de buscá-lo. Uma coisa é certa: se as eleições forem adiadas, as tentativas da oposição em cassar o prefeito não vão parar até conseguirem. Caso o pleito ocorra ainda este ano, talvez Kadu consiga concluir seu mandato.

Não chega – Com relação ao fundo de financiamento das campanhas, o dinheiro não chega às legendas nas cidades menores. Logo, se for destinado à Saúde, não fará falta em municípios do porte de Montenegro. O problema mesmo é fazer as convenções e a busca de votos, de casa em casa, nestes tempos de isolamento.

Sintonia passageira – Embora pareça haver sintonia entre Executivo e Legislativo agora, a guerra vai continuar. Neste cenário de eterno conflito, quanto mais cedo houver eleições, melhor.

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Recolher
Depois de realizar algumas enquetes nas redes sociais, o vereador Talis Ferreira (Progressistas) decidiu: é contra o isolamento social da forma como é orientado pelo Ministério da Saúde. Ele apoia o modelo defendido pelo presidente Bolsonaro, o “isolamento vertical”, em que apenas os grupos de risco ficam sem circular. Talis também defende toque de recolher à noite. Ou seja, a partir de certa hora, quem estiver nas ruas seria detido.

Efeitos – Descer do muro é importante, mas tem consequências. Isolar só os grupos de risco é insuficiente, pois os demais familiares levam o vírus para dentro de casa. E toque de recolher à noite é positivo como arma contra o crime, mas não no enfrentamento à pandemia. Até onde se sabe, o vírus circula também durante o dia. De qualquer forma, qualquer mudança depende do prefeito.

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RAPIDINHAS
Ao anunciar um corte de 30% no seu salário, o governador Eduardo Leite meio que coloca deputados, prefeitos, vereadores e dirigentes do Judiciário na obrigação de fazerem o mesmo. Tomara que o exemplo seja “contagioso”.

Com as atividades da Câmara suspensas desde o dia 20 de março, os vereadores perderam o protagonismo durante a crise. Já o prefeito Kadu tem se mostrado sensato ao “seguir o fluxo” e repetir, em âmbito local, o que o governo do Estado, o Ministério da Saúde e o Poder Judiciário vêm determinando.

A expectativa de que Roberto Braatz poderia vir a disputar novamente a Prefeitura de Montenegro pelo MDB não se concretiza. O prazo para as filiações acabou e ele não retornou ao partido pelo qual concorreu em 2016.

Além da pandemia de coronavírus, em breve, os montenegrinos terão de lidar com outro problema. O Rio Caí está um metro abaixo do nível normal e, se não chover forte, o racionamento de água é apenas uma questão de tempo.

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