Uma troca de governo sempre é um momento de grande expectativa. Ainda que não se concorde com muitas das ideias dos que venceram as eleições, o otimismo típico do ser humano nos leva a encarar a alternância no poder como uma oportunidade positiva de mudança. A escolha de Jair Bolsonaro para a presidência da República e de Eduardo Leite para o comando do Rio Grande do Sul deixam muita gente com a esperança de que 2019 será melhor. E provavelmente será. Economistas das mais diversas correntes acreditam que o próximo ano será o de reversão da crise que castiga a economia nacional desde 2014 e tem sido responsável por altos índices de desemprego e pelo crescimento da pobreza. Se o setor produtivo se reerguer, mais impostos serão gerados e haverá mais dinheiro para bancar os serviços públicos.

Mais recursos – Também no cenário local, a situação tende a melhorar. A começar pelo retorno de impostos. De acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda, a arrecadação de ICMS deverá sofrer um incremento de 6,14%, resultando em R$ 6,5 milhões a mais no caixa ao longo de 2019. A Administração também anunciou o início da cobrança de IPTU em áreas que ainda não eram tributadas, o que, igualmente, vai repercutir em mais verbas para serviços e investimentos.

Cortes de fita – De outro lado, o governo Kadu Müller encaminha a realização de melhorias há muito tempo esperadas pela comunidade. Estão em andamento os processos de recuperação da Biblioteca Pública, do Teatro Roberto Atayde Cardona, do Parque Centenário e do ginásio Domingos dos Santos. Ainda no primeiro quadrimestre, é provável que ocorram várias inaugurações.

Mais máquinas – A Administração Municipal também assinou contrato de financiamento com o Banco do Brasil para a aquisição de várias máquinas a serem empregadas na manutenção de ruas e estradas. Se a licitação for concluída a tempo, estarão à disposição do governo para uso ainda no verão, reduzindo o calvário dos produtores rurais na estação das chuvas, que coincide com o escoamento da safra. E 2019 também deve ser o ano de conclusão da Transcitrus, com o asfaltamento dos dois últimos trechos da estrada que liga Montenegro a Maratá. Finalmente!

Equilíbrio – Se, paralelo a tudo isso, o prefeito conseguir dar um banho de asfalto nas ruas mais esburacadas e organizar o trânsito da cidade, reativando o estacionamento pago, os montenegrinos terão bons motivos para comemorar. Contudo, tão importante quanto tudo isso é a adoção de medidas que reduzam as despesas com pessoal – ou pelo menos impeçam que continuem crescendo. O rombo aberto pela mudança no plano de carreira do funcionalismo, em 2015, segue drenando milhões de Reais todos os meses, sem nenhum ganho visível para a população.

Tranquilidade – Lógico que existem outras demandas históricas que requerem ações urgentes, como a recuperação do Cais do Porto, do Balneário Municipal e do acesso ao topo do Morro São João. Porém o governo terá mais tranquilidade para buscar estas soluções se as contas estiverem equilibradas e a pressão da sociedade for menor.

Autocrítica – Aliás, o prefeito Kadu e seus apoiadores mais próximos têm usado eventos oficiais para dizer que existem segmentos da população dedicados a “desconstruir” a cidade e o seu governo. É natural que, em público, o chefe do Executivo busque enaltecer os aspectos positivos de sua gestão. Internamente, contudo, seu grupo de trabalho precisa fazer a autocrítica e admitir: hoje, os montenegrinos têm bons motivos para reclamar.

O próximo ano será decisivo para o prefeito Kadu. Se quiser disputar a reeleição em 2020, terá realmente de mostrar serviço para convencer os partidos de que é uma alternativa viável. Dificilmente ficará no Solidariedade.

Limpando as gavetas
O secretário de Desenvolvimento Rural, Renato Antônio Kranz, está limpando as gavetas. Professor da rede estadual de ensino, foi indicado pela comunidade escolar para voltar à direção do Ciep Ivo Bühler. Ele já conversou com o prefeito Kadu e se colocou à disposição do governo para continuar apoiando informalmente. Do ponto de vista financeiro, a troca do salário de secretário pelo de diretor é brutal. A única vantagem é que a gratificação poderá ser incorporada na aposentadoria quando deixar as salas de aula.

Construção – Nos meios políticos, a decisão do secretário é vista como estratégica. Kranz estaria descontente com a pouca visibilidade que o cargo oferece e por não ter a voz ativa que gostaria no governo Kadu. Além disso, fora da Administração, pode se movimentar livremente para ajudar a construir a nova candidatura do ex-prefeito Percival de Oliveira, que deve buscar um terceiro mandato em 2020. Os dois estão no PTB, mas o ar por lá está irrespirável.

Não vale a pena
E por falar em eleição de diretores na rede estadual de ensino, chama a atenção a total inexistência de disputa para os cargos. Deprimidos pela falta de valorização e com os salários pagos regularmente com atrasos, os mestres não têm mesmo grandes motivos para assumir mais tarefas e encargos. As gratificações são baixas, em torno de R$ 600,00, e não compensam as responsabilidades. E não é só pelo patrimônio, mas pela integridade de alunos e professores. A mediação destes conflitos é altamente estressante.

Perdas
A morte dos ex-vereadores Douglas Hallam, no sábado, e Ivan Flores Lopes, na segunda, deixou Montenegro órfã de duas importantes figuras da política local nas últimas décadas. Os dois, a seu tempo, representaram a comunidade no Legislativo com dedicação e elevado espírito público, características raras hoje. Douglas esteve na Câmara entre 1983 e 1992, nos governos Erny Heller e Schüler/Mattana; e Ivan de 1997 a 2000, na gestão Madalena Bühler.

Homenagens – Levando em conta a relevância dos ex-vereadores para a história da cidade – Ivan foi também secretário de Desenvolvimento Rural e de Viação e Serviços Urbanos recentemente – os atuais legisladores não terão dificuldades de homenageá-los. Em geral, personalidades assim viram nomes de ruas.

Natal é Arte
Está de parabéns a Diretoria de Cultura do Município e outros órgãos da Administração pela qualidade da programação do “Natal é Arte 2018”. São vários eventos, com atrações como a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e o grupo Tholl (foto), oferecidos gratuitamente à população. Que a comunidade aproveite estes momentos com alegria e entusiasmo.

Rapidinhas
* A Administração Municipal conseguiu uma grana extra vendendo, mais uma vez, o direito de pagamento da folha dos servidores. Na disputa entre os bancos, venceu o Itaú, que pagou R$ 2,2 milhões para fazer o repasse por cinco anos.
* Após a restauração da iluminação pública no Parque Centenário, no fim da semana passada, o prefeito Kadu Müller faz uma promessa que vai ativar o saudosismo em muito gente. Em breve, volta a funcionar o chafariz iluminado instalado em meio ao lago, um espetáculo à parte nas visitas ao local. Lembram?
* Já é na próxima semana, dia 6 de dezembro, a eleição da nova mesa diretora da Câmara para o ano de 2019. O acordo de rodízio feito no começo da legislatura, que excluiu o PSB, deve ser mantido, apesar dos protestos dos “socialistas”. O candidato da “tchurma” é Cristiano Braatz, do MDB, que já está eleito.
* A decisão de não vender o Banrisul elimina as chances de rolagem da dívida gaúcha com a União e a suspensão do pagamento, garantida por liminar judicial, deve ser derrubada. Eduardo Leite vai assumir ainda com os salários do funcionalismo atrasados e dívidas enormes com os hospitais. E diziam que o Gringo tava certo.

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