Preciso confessar um segredo… às vezes, no silêncio de minha meditação, eu choro.
Ouvindo uma boa música, também choro… Lendo um poema, assistindo a um filme, adivinhem, também choro.

Essas lágrimas limpam meu coração e minha alma, clareiam meus pensamentos, amenizam as angústias, me deixam leves. É difícil ser duro, ser forte, ser guerreiro o tempo todo. É difícil enfrentar as adversidades da vida, se sentir sozinho, se sentir abandonado, se sentir fraco muitas vezes, se sentir vítima, se sentir algoz… é difícil sentir a humanidade buscando lugar em nossa existência, pois a humanidade é confusa e, espíritos que somos, habitando um corpo limitado na dimensão do alcance da alma, a lágrima nos ajuda a continuar.

O choro conecta o corpo físico e suas necessidades fisiológicas às necessidades da alma, e expressa de maneira sublime as emoções que sentimos.
Às vezes, choramos por tristeza ou pela dor e o choro nos retira o peso da energia armazenada na luta diária e no enfrentamento das dificuldades que nos assolam. São lágrimas dolorosas, mas preciosas também, pois trazem ritmo ao batimento cardíaco, concedem tempo para a recuperação física e para a volta ao equilíbrio inicial. Às vezes, não conseguimos retornar a esse estágio, porque a dor é muito grande, mas isso mostra que a ferida é profunda, está aberta, precisa de mais tempo, de cuidado e de carinho.

Outras vezes, e dessas temos que ter muito mais, as lágrimas acompanham momentos felizes, de profundo sentimento de alegria, de amor, de afeição. São aquelas que chegam em momentos mágicos, surpreendentes e inesperados, nos pegando de surpresa, nos arrebatando de súbito, a um estágio de gratidão e amor. São lágrimas que alimentam o espírito e trazem a ele a sensação do estado ilimitado da alma e da realidade da existência. São expressões e presentes de Deus para os corações que O procuram…

Enfim, as lágrimas existem e devem fazer parte de nossa vida. Sejam elas de tristeza ou de alegria, não devem ser sufocadas, pois se surgem em nossos olhos, é porque precisam sair de nosso corpo e lavar definitivamente nossa alma. Devemos aceitá-las, mesmo que não saibamos o porquê de estarem ali, mesmo que não entendamos o porquê, mesmo que não aceitemos o porquê… são lágrimas quentes, salgadas, transparentes. Ao sufocá-las, estamos sufocando nossos sentimentos mais profundos, estamos encharcando nossa alma que vibra de uma alegria que não cabe em si, ou que precisa aliviar o peso das batalhas diárias, que suporta para amenizar a dor física, até o limite do espírito…

Vamos chorar, mesmo que, às vezes, apenas chorar e deixar o fluxo das águas seguir seu caminho, deixar as dores e feridas serem curadas, deixar o mundo ver o quanto estamos felizes, mostrar, de fato, quem somos.

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