Relacionamentos são dinâmicas complexas e complicadas… porém, nem tanto…
Às vezes, sofremos por relacionamentos desfeitos, ou por relacionamentos sem vitalidade, e colocamos no outro a totalidade da responsabilidade pelo fracasso da relação. Muitas vezes estamos certos, todavia não percebemos os sinais que foram dados para que chegássemos a esse final. Não escutamos as dicas do parceiro, ou os sintomas consequentes da relação que se debilita. Não notamos o que o outro quer dizer, ou não quer dizer, e vamos vivendo dia após dia na esperança de que tudo melhore, até que não melhora, e acaba.

Não falamos o que nos entristece e acreditamos que o outro tem a capacidade de ler pensamentos, de entender sinais, de perceber os sintomas que demonstramos. Deixamos no outro a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso da relação. Não mudamos, mas esperamos mudanças. Não falamos, mas esperamos que falem conosco. Não escutamos, mas esperamos ser escutados.

Outras vezes, sofremos eternamente ao lado de alguém, por acreditar que vão mudar, que estão tentando, que é uma fase, que precisam de nós. Vivemos relacionamentos abusivos por pensar que deve ser assim. Sofremos calados maus tratos, violência, desprezo, insensibilidade, achando que essa é a nossa sina, que merecemos isso.

Mais uma vez, não escutamos o que nos é dito, não percebemos os sinais, não entendemos o que está acontecendo e demoramos a tomar uma atitude. Quando tomamos, nos arrependemos e voltamos atrás, sofrendo tudo novamente, em um ciclo destrutivo para todos.
Um relacionamento não se baseia apenas no amar o outro, mas também no amar a si.

Não se baseia apenas no escutar e no falar. Se baseia também no sentir, se surpreender, querer.
Se baseia em olhar e ver o outro. Em ser visto também. E isso nos faz notar que, somente quando essa troca acontece, o amor consegue sobreviver.
Não vamos mais sofrer porque o outro não nos escuta. Vamos escutar também, sentir e ver o outro.

Não vamos reclamar mais do outro, que não se cuida. Vamos nos cuidar e cuidar do outro, mas, antes de tudo, vamos enxergar exatamente o que acontece, os porquês da vida e aceitar que, talvez, muitos desses “porquês” sejam os que precisamos conhecer, não o que queremos conhecer. O conhecimento deve mudar nossa atitude e, com isso, novos caminhos e horizontes se abrem, onde possamos, de fato, ser felizes e fazer o outro feliz também.

Dessa forma, entenderemos que os relacionamentos não são complicados. Nós os complicamos, porque queremos que sejam o reflexo de nossos sonhos e esperanças e não o que de fato são. Pessoas com defeitos e qualidades, misturando suas vidas, sonhos e desejos, aceitando e sendo aceitos, trocando energia e construindo, com essa troca, pessoas melhores.

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