Você me perdoa?
Algumas vezes, ouvimos essa expressão e temos sentimentos diferentes dentro de nós.
Em alguns momentos, não somos transparentes. Dizemos que perdoamos, mas deixamos uma mágoa sendo aprimorada dentro de nosso peito até que se torne uma imensa ferida, regada pela tristeza ou decepção. Outras vezes, o que é pior, dizemos que o perdão é divino, não compete a nós, e deixamos o outro em uma situação estranha, pois o perdão que pediu, de fato, vai depender da relação dele com seu Deus.

Existem, todavia, aqueles momentos mágicos onde olhamos de forma tranquila para o outro, percebemos o quanto aquele perdão é importante para ele e o damos, do fundo de nosso coração, retirando aquela semente de rancor que poderia estar se desenvolvendo dentro de nós.
Devemos perdoar? O que você acha?

O perdão é um ato divino, exemplificado em todas as religiões, praticado com frequência entre os cristãos e que, quando sincero, elimina os motivos que nos trazem sentimentos negativos e dolorosos para dentro da alma. É uma ação que, para ser verdadeira, tem que ser sincera.
O problema em perdoar é o medo daquele que perdoa, de que seu ato apague a falta do outro… embora não seja essa a questão.

O que foi feito de errado, foi feito. Nada vai apagar isso. Trouxe consequências, muitas vezes nefastas para a vida das pessoas, e levou os envolvidos na história a momentos de decepção, dor, tristezas e desapontamentos. Muitas vezes, à agonia de não poder mudar o passado e reconstruir, ou resgatar, o que foi perdido. Ao pedir perdão, quem o pede sinceramente tenta arrancar de dentro de si a dor e a agonia do arrependimento e buscar algum sinal de cura para sua alma.

Ao perdoar, quem perdoa sinceramente entrega ao outro o conforto de que necessita e recebe, do Deus que habita dentro de si, a paz e o conforto que procura. A dor não deixa de existir, a saudade não desaparece, mas o alimento para a tristeza e para a angústia se esvai, na mesma proporção da sinceridade e da grandeza de seu presente, para o outro!
Ao perdoar, nos perdoamos também.

Eliminamos o terrível combustível que mantém pessoas, muitas vezes por uma vida, envoltas na revolta, na tristeza, na decepção ou na mágoa, por algo que lhe fizeram. Ao perdoar, nos livramos das âncoras que nos aprisionam no momento escuro e triste do evento, e ficamos leves para os voos que de fato merecemos.
Você me perdoa?

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