Cássio Brito
Contador, Professor e Pensador

Existem pessoas que são como chuva.
Igualitárias, renovadoras, sociáveis. Chegam para todos, ao mesmo tempo, da mesma forma. Por vezes, são tempestuosas e ruidosas; em outros momentos, tranquilas e constantes.
Pessoas necessárias para a continuidade da vida nos campos, a regar os sonhos e a alimentar as expectativas, a marcar a terra e os corações. Pessoas que vivificam o fruto, que trazem o cheiro.
Existem pessoas que são como a chuva.

Refrescantes nos dias quentes, alegres e necessárias.
Pessoas que fazem as crianças sorrirem. Que embalam o sono com seu som tranquilo, que temperam o beijo dos apaixonados, que fazem transbordar, sem força ou caos, as pessoas que são lagos e rios. Que determinam os ciclos e afetam os humores.
Existem pessoas que são como a chuva a voltar para a terra, trazendo consigo as energias do cosmo para dar a paz necessária para os homens. São pessoas abrangentes e repletas de vida.

São aquelas que chegam, às vezes sem avisar, e ocupam seu espaço, dando a impressão de que sempre estiveram ali, de que este é o lugar em que devem estar e que ninguém tem qualquer dúvida de que deve ser assim…
Existem pessoas que são como a chuva e nos molham, por inteiro, nos evolvendo sem que percebamos, nos abraçando sem que entendamos, nos completando sem que sequer sentíssemos sua falta, mas que, de fato, trazem a certeza de que sempre deveriam estar ali, a nos envolver e abraçar, a nos acalmar, a nos relaxar, a dar a segurança da totalidade da existência junto a um DEUS maior, que se manifesta na forma de chuva.

Existe a chuva que queríamos que fosse pessoas, pois no calor adequado, na força necessária, no silêncio dos dias calmos, na paz que antecede os momentos de fúria, das tempestades de verão ou das tormentas do outono, chegam e vão, deixando suas marcas.

Quando caem ruidosas, assustam os incautos; quando caem suaves, embelezam o jardim…
Enfim, existem pessoas que são como a chuva, barulhentas e explosivas, acompanhadas por raios e ventos, arrancam árvores, destelham as casas, balançam as estruturas e mostram poder, mas, ao mesmo tempo, podem ser suaves e tranquilas, silenciosas em uma névoa úmida, regando os jardins e embelezando as flores….
Existem pessoas e existe a chuva…

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