Em nossa vida, nos deparamos com vários obstáculos e desafios que, muitas vezes, parecem intransponíveis.
São situações que nos tiram do eixo e nos levam a sensações das mais diversas, nos fazendo chorar, reclamar, sentir raiva, desestimular, decepcionar. Às vezes, tudo ao mesmo tempo… Em outros momentos, esses desafios surgem e nos motivam a avançar e, imbuídos de uma resignação que não sabemos bem de onde vem, nos levam ao enfrentamento e ao combate…
Essas mazelas que surgem e parecem tocar nossas fragilidades e medo, de maneira arrebatadora, muitas vezes, são os resultados de nossas preces.

Estamos nesse mundo com o objetivo de evoluir, assim eu acredito, e, nesse objetivo, a evolução passa pelo fortalecimento do caráter, pela capacidade de superação e pela forma como vemos e encaramos tudo isso.

Pedimos e esperamos uma vida tranquila, onde temos maior capacidade de superar as dificuldades e maiores e mais abundantes momentos de felicidade. Queremos um emprego melhor, uma família unida, conforto, saúde e paz.

Todavia, não prestamos atenção ao que fazemos para ter um emprego melhor. Qual nossa formação, nossas competências e nossos desejos. Substituímos o prazer de realizar uma atividade na qual temos as competências necessárias por um trabalho, afinal, temos que pagar as contas. Renunciamos a nossa felicidade, muitas vezes, pelo medo de encarar nossas capacidades e delas retirar nosso sustento.

Queremos uma família unida, mas nos tornamos reféns de nossos paradigmas pessoais, de nossa criação, de nossas crenças e não entendemos que as pessoas em nossa família são diferentes entre si. Tem sonhos e expectativas que, necessariamente, não estão em linha com o que esperamos do mundo e isso nos frustra, nos torna rabugentos e mal humorados, causando uma tristeza interna que, muitas vezes, nos leva à depressão.

Queremos saúde, mas nos alimentamos mal, dormimos pouco, não tomamos água. Enchemos nosso organismo com toxidades da vida moderna e não olhamos nossos limites. Não praticamos esportes, o que reduz as capacidades orgânicas; não lemos bons livros, o que limita nossa capacidade mental e comunicativa; não temos, de fato, a fé que equilibra nosso ser espiritual.

Queremos paz, mas não entendemos que a paz advém, muitas vezes, do conflito, onde verdades são ditas e o oculto se torna conhecido. Onde a sinceridade pode magoar, mas a verdade do convívio supera tudo isso. Queremos paz, mas não estamos preparados para ela, pois mantemos em nossa rotina a correria alucinada por algo que não sabemos o que é, e que, talvez, já tenhamos atingido, ou conseguido, e sequer tivemos tempo para apreciar, valorizar ou absorver.
São tempos loucos, onde o querer já não é tão certo, nem o ter, o indispensável.

Mas Ser, isso sim, passa a ser fundamental.
Precisamos ser corajosos, sinceros e gentis. Precisamos ser ousados, mas, acima de tudo, precisamos ser alegres. Por mais que essa alegria esteja escondida nos locais mais profundos de nosso eu, precisa ser acessada; e isso, depende apenas de nós.

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