Não é só de Covid-19 que são feitos milhares de testes atualmente pelo mundo todo. Nossas relações estão em constante teste nos últimos dias. E muitas vão sair reprovadas. Fadadas ao fracasso? Não. Mas alguns arranhões certamente restarão. Faz uns dias, assisti na televisão a uma reportagem sobre as brigas de casal geradas pelo isolamento social. Alguns – e eu me incluo nisso – podem achar que é bobagem, afinal, se alguns dias juntos se tornam insuportáveis é porque a relação já não ia bem. Mas, sejamos francos, passar 15 dias juntos, em férias, curtindo o campo, a praia ou uma cidade desconhecida e cheia de atrativos é bem diferente de transpor a mesma quinzena trancados num apartamento de 50 metros quadrados e, ainda por cima, vendo as contas se acumularem. Haja romance para suportar essa pandemia!

Isso está muito longe de dizer respeito apenas aos casais. Algumas pessoas que moram com pais idosos estão vivendo verdadeiras batalhas dentro de casa. Tem quem esteja trancando o portão e escondendo a chave. Parece comédia, mas, para quem experimenta, tem ares de drama. Na ânsia de tentar protegê-los, evitando que saiam de casa, passam por vilões de uma história que todos gostaríamos que fosse ficção. Filhos hoje vivem a culpa que seus pais sentiram no passado quando lhes negavam o doce para evitar uma dor de barriga. A birra às vezes é grande, mas, no fim das contas, muitas vezes o não é um ato de amor.

Tempos mais desafiadores só está passando quem tem crianças pequenas em casa. Levar no parquinho não pode. Na casa do amiguinho, muito menos. Escola não se sabe quando voltará ao normal e você sabe tão bem quanto eu que as atividades enviadas para serem feitas em casa não chegam nem perto da necessidade deles por conhecimento. Tá, mas enquanto a escola não volta, o que fazer com essa criançada? Cada família tem tentado, ao seu modo. E não está fácil pra ninguém.

“Não aguentava mais ficar na sala jogando vídeo-game com meu filho e a esposa. Fui lavar o carro”, ouvi esses dias de um pai que ama muito o herdeiro e, muitas vezes, já ouvi se queixar da falta de tempo com ele. O detalhe é que o carro estava limpo, já que pouco tem saído da garagem. Agora, ao que parece, há tempo sobrando e faltam atividades a fazer em família. Os pais estão tendo de se reinventar e quase todos estão agora, mais do que nunca, valorizando os professores. Primeiro porque sim, criança é fofa, mas dá trabalho. E pense que na sala de aula tem outros 30 iguaizinhos! Mas também porque tem muito pai e mãe agora vendo que ensinar é bem mais do que dar uma atividade qualquer e abandonar a criança. Ensinar e entreter são coisas diferentes.

É… a pandemia mexe com as relações dentro da nossa casa e também as de fora dela. Sou capaz de apostar que, quando voltarem as aulas, os pais vão encarar os mestres de seus filhos de outra forma. A Covid-19 esfregou na cara de muita gente o valor que eles têm. O mesmo vale pra diversos prestadores de diferentes serviços à sociedade. A sua relação com os colegas de trabalho certamente mudou. Ou você está sentindo falta de ver, ouvir, ou teclar com algum deles; ou está trabalhando junto – mesmo que separado – deles ainda mais. Haja coleguismo para superar. E a gente consegue. Porque não tem alternativa.

Talvez essa seja uma das lições que nós precisávamos aprender e o coronavírus trouxe, de forma nada gentil, é verdade: ter flexibilidade e adaptar-se pelo menos de vez em quando. Se aprendermos, algo de bom terá ficado.

Deixe seu comentário