Foto: reprodução internet

Definitivamente, é no caos que se conhece as pessoas. Isso pode ser dito considerando a humanidade toda. Ou o teu círculo de amigos e familiares. Eu já desconfiava disso faz tempo. Mas, na última semana, a convicção cresceu bastante. A culpa é do coronavírus – não, na verdade, o vírus, apesar de um tanto assustador e perigoso – mas do que ele fez. Ele despertou nas pessoas as suas características básicas, e algumas das piores se destacaram: egoísmo e desrespeito.
Como é de praxe nesses casos, o Ministério da Saúde e as secretarias municipais e estaduais não divulgaram nomes das pessoas que possivelmente teriam o vírus. Isso ocorre para que elas não sofram nenhum tipo de constrangimento. Nas primeiras suspeitas de coronavírus, até informavam um perfil geral com o sexo, idade, cidade onde mora e país onde esteve viajando. Depois, isso mudou. A razão? Uma inabilidade completa da população em lidar com uma suspeita próxima. E nós tivemos exemplos aqui em Montenegro mesmo.
Teve quem foi acusado de ser o caso em investigação – como se isso fosse um crime – sem ter nada a ver com o fato, apenas por ter viajado para a Europa recentemente. E houve quem, sim, apresentou sintomas compatíveis e passou por exames, sendo considerado caso suspeito, mas, ao invés de respeito, recebeu acusações a ponto de sentir a necessidade de explicar-se nas redes sociais e garantir que não é rica, apenas trabalha e sabe economizar seu dinheiro, conseguindo assim viajar.
Só para deixar claro, ser rico não é crime. Viajar, muito menos. E quem aguarda um exame para saber se está ou não com uma doença que já matou milhares mundo afora – quando existem apenas nove casos confirmados no Brasil e nenhum óbito (até o início da tarde desta sexta-feira) – não precisa se preocupar com julgamentos populares descabidos.
Outra atitude comum e bastante egoísta vem do comércio em geral. Por que, nessas horas, o preço do álcool gel sobe? E isso não diz respeito ao comerciante montenegrino. Ocorre em grande parte do mundo. E acontece o mesmo sempre que a demanda por algo cresce ou a oferta diminui. É uma conhecida lei da economia, inclusive. Mas não é por isso que está certo. Se há, por qualquer razão, uma súbita escassez de água, os galões e garrafas da bebida em versão mineral sobem de preço. E quem não tem dinheiro para pagar? Que fique sem algo básico à sobrevivência. Quem se importa, não é mesmo?
Talvez seja culpa da minha mentalidade um tanto pragmática, mas não estou excessivamente preocupada com o coronavírus. E não é porque temos poucos casos confirmados no Brasil ou pelo Rio Grande do Sul ainda estar livre da presença do vírus. Ao contrário. Acredito, por simples questão lógica, que logo teremos casos no Estado. Afinal, não estamos numa redoma isolante, as pessoas saem de casa, trabalham, estudam, se comunicam. Vivem! E o vírus circula.
Mas então, por que não estou preocupada? Bom… eu até estou, mas tomo as medidas de proteção que me cabem, confio na minha imunidade, acredito que as autoridades médicas estão atentas e, por fim, seguro na mão de Deus e vou. Sim, espiritualidade também conta. Quem não gosta, sinto muito, mas encarar a vida com fé que vai dar certo faz toda a diferença e afasta desespero desnecessário. A gente não tem como evitar, com 100% de acerto, que vírus algum chegue até a nossa comunidade. Mas a gente pode cuidar para tratar o assunto e as possíveis vítimas com respeito e dignidade. Nem mesmo nos momentos de caos temos permissão social para agir como se fôssemos os donos do planeta, ignorando as dores, direitos e sentimentos dos outros.

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