Foto: reprodução Pixabay

Essa semana eu assistia na televisão um programa jornalístico que, para fechar a edição no clima natalino, apresentou uma matéria sobre como decorar a casa para o Natal. Num ano de crise, claro que o mote era esperar o Papai Noel com a casa embelezada, mas sem gastar muito dinheiro. Foi então que a atendente da loja orientou aos telespectadores que comprassem um pinheiro “gordinho” ou o “engordasse” com a ajuda de alguns adereços que dão volume e, depois, definissem duas cores para compor a decoração. A melhor combinação, segundo ela, é vermelho e dourado. Na hora, meus olhos foram em direção a minha árvore, colorida e nem tão gordinha e pensei: não queiram colocar padrões no meu Natal!

Os decoradores que me desculpem, mas, no Natal da minha casa, tem espaço para muita cor. E entre os enfeites, alguns, estão com a gente há muito tempo. Tem aquele “meio quebradinho”, que é colocado de forma estratégica na sala, mas que não pode ficar de fora porque representa o real sentido do Natal e traz boas recordações.

Se eu, com minhas rugas e lascas, me reciclo a cada dia, a minha decoração natalina também pode passar pelo mesmo processo. Um enfeite que não consigo simplesmente descartar é um acessório de colocar na maçaneta da porta. Anos atrás, um Papai Noel lindo, cujas pernas eram molas e os pés pesos. Assim, ele pulava animadamente. Só que, no ano que entrou para a família, Papai Noel atraiu a atenção de uma criança esperta e muito animada, na época com quatro anos. E o Bom Velhinho não chegou ao Ano Novo com suas pernas pulsantes. Nós rimos muito disso. E toda vez que esse enfeite vai pra porta eu lembro daquelas risadas.

Este ano, talvez pelo período difícil que vivemos, me parece haver menos decoração natalina nas casas. As luzinhas vêm minguando ano após ano. Entendo, afinal, a gente acaba de ser avisado que as próximas contas de energia elétrica virão mais salgadas. Mas é lindo. Lembro de, ainda criança, sair de casa à noite pelas ruas de Canoas para admirar as casas brilhando. Elas davam o clima do Natal, em decorações rebuscadas, que formavam cascatas e iam trocando as cores em um ritmo que encantava. Na minha casa eram mais simples, uma dúzia de pequenas lâmpadas em volta da janela. Mas era lindo. E com elas ali, eu sabia que o Papai Noel ia encontrar minha casa.

Ainda hoje, com três décadas de experiências natalinas, preparar a casa para o Natal é algo que me aquece o coração. Cada bolinha que vai ganhando seu lugar carrega um significado, um sentimento, uma reflexão. Penso nesse momento como uma preparação para o ano que está chegando. As coisas ruins a gente esconde para que os bons sentimentos ganhem espaço. Neste ano, quando eu estava pegando a caixa do Natal no fundo do armário, pensei que de 2020 não queria levar nada. Mas aí, bolinha por bolinha, a árvore foi ganhando vida e o meu coração ficando mais esperançoso. Eu me dei conta que, realmente, tem um monte de coisa que eu não quero levar pra 2021. Mas outras sim. Alguns amigos feitos. Realizações profissionais.

Lembranças de momentos em família. Conquistas pessoais – às vezes pequenas – que foram importantes e pelas quais deve a eu mesma uma comemoração. Quando a árvore ficou pronta, os sentimentos estavam reciclados e a vida – assim como a casa – tinha mais cor e beleza aos olhos de quem interessa, os meus. Enfeita a tua casa e o teu coração pro Natal, com as cores que te agradarem. É a sua felicidade que importa.

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