O governo Bolsonaro tem um ano e três meses e, durante grande parte desse tempo, nos perguntamos quem seria o “super ministro”. Este não teria uma capa de super-herói, mas seria o detentor de mais poder e teria o maior orçamento, sendo, na prática, muito mais decisivo. Muitos esperavam que Sérgio Moro assumisse esse papel. E considerando que ele concorria com pares como Abraham Weintraub, da Educação, que empilha erros e frases mal colocadas – para dizer o mínimo – não era assim tão difícil para Moro se destacar à frente da pasta da Justiça. Bastava agir de uma forma minimamente correta.
Mas veio 2020 – não sei você, mas eu já estou com saudade do tão mal falado 2019 – e mostrou o quanto essa discussão é mesquinha. A resposta ficou muito clara agora. Tão clara que qualquer interrogação soa como uma idiotice. O super ministro do Brasil é Luiz Henrique Mandetta, médico ortopedista que, quando aceitou o convite para ser o chefe da pasta da Saúde neste país de dimensão continental, certamente não esperava lidar com uma pandemia. O coronavírus já é tratado como a maior crise mundial após a Segunda Guerra e trará impactos em todas as áreas, da economia à vida das pessoas. É um desafio e tanto para qualquer gestor público.
É preciso, diante da grandiosidade desta crise, dizer que o Ministério da Saúde brasileiro está dando exemplo de como agir. É um órgão federal que faz entrevistas coletivas diariamente, esclarecendo a população. Quem fala em nome do órgão são técnicos, que sabem responder a cada pergunta de forma clara e sem margem para dúvidas. Quando os dados não estão disponíveis há diálogo e esclarecimentos. Outro nome que vem se destacando muito é o de João Gabbardo, ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul – no governo Sartori – que agora é secretário-executivo do Ministério da Saúde e tem comandado diversas entrevistas.
É claro que não está tudo bem e nem tudo são acertos. Mas não está tudo bem em quase nenhum lugar do mundo. Haverá quem diga – e eu concordo – que informar a população de forma digna é o básico. Mas estamos falando do governo cujo líder colocou um humorista para fazer deboche em uma entrevista coletiva. Então sim, Luiz Henrique Mandetta, João Gabbardo e os demais integrantes do Ministério da Saúde oferecem lições ao governo. Comunicação não é baderna. E ela exige qualificação de quem a faz. Quando um gestor público esconde informações de um jornalista ou o destrata, na verdade ele omite dados e falta com a educação ao povo. E população bem informada sobrevive melhor a qualquer crise.
Quando esta tormenta passar, muitas lições terão ficado. Tenho esperança em duas, pelo menos. Acredito que o brasileiro receberá do coronavírus um ótimo alerta do porquê é preciso investir em ciência e em pesquisa. Sabe aqueles que se perguntam a razão das universidades federais receberem tanta verba. É… a resposta nunca esteve na balbúrdia, mas sim na pesquisa. A outra lição é a de como precisamos defender o Sistema Único de Saúde. Cada leito hospitalar fechado nas últimas décadas no Brasil agora faz falta. O SUS tem, sim, muitas deficiências, mas quando uma crise de alta proporção ocorre é dele que dependemos porque não há sistema particular que supra o todo da demanda no país. Tomara que aproveitemos o período de isolamento para pensar direitinho sobre tudo isso e consigamos sair dessa crise com lições efetivas.

Deixe seu comentário