Na semana que passou, um vídeo vem circulando na internet e nos veículos de comunicação. Um jovem brutalmente espancado, por três homens. No vídeo ainda aparecem pessoas tentando reanimar o rapaz, que após brutais agressões, não resistiu.

Repercute até agora e não há o que falar sobre a agressão em si. O jovem foi brutalmente assassinado, mas o que levou aquelas pessoas a chegar a este ponto?

Aprendi que, com toda a razão que possamos ter e mesmo que, para defender a própria vida, pode-se revidar a qualquer injusta agressão, com o intuito de parar o agressor, não se pode evocar espíritos primitivos e cruéis, amarrar as mãos e continuar a bater até matar. Visivelmente se fosse um agressor, o jovem Moïse, já estava dominado e caberia a polícia dar segmento dali em diante.

Não vamos ter a versão de Moïse, mas sua família diz que era uma pessoa muito querida por todos, versão que várias pessoas que frequentavam o local confirmaram.

Um jornal americano fez uma manchete que chamou minha atenção, pois falava que, apesar de ser habitual a violência no Brasil, não haviam ainda relatos de tamanha brutalidade.

A própria mãe de Moïse disse que perdeu o marido na guerra do Congo e que, veio com o filho para o Brasil pois sabia que o país era acolhedor e dava chances para todos, mas justamente onde procurou o “porto seguro”, perdeu o filho, assassinado por pessoas que falam e postam vídeos dizendo que estão tranquilas quanto ao que ocorreu e que provarão ser inocentes.

Os estrangeiros que chegam aqui, desesperados, são “acolhidos”, recebem atenção à sua saúde e empregos. Porém, os empregos que aqui recebem, não consegue lhes conferir a dignidade que merecem, pois há uma diferenciação bastante importante nos vencimentos quando comparadas funções entre brasileiros e estrangeiros.

Quem em sã consciência ficaria “de boa” tendo usurpado a vida de alguém, mesmo que para salvar a própria vida, fato que, não me pareceu ser o caso. Aliás, caberá à polícia, juízes e promotores julgarem e não a nós, baseados naquelas imagens, impactantes que, acredito não deveriam ser mostradas na televisão.

Mas em contrapartida, quantos Moïses são assassinados todos os dias e sequer sabemos?
São congoleses, haitianos, brasileiros…
Não importa a nacionalidade ou a cor da pele.

Mortes violentas acontecem todos os dias, só que algumas ganham notoriedade e outras tantas ficam no submundo, sobrando apenas desgosto e lágrimas a mães e pais, que perdem seus filhos e não podem ter voz, não podem sequer saber o que de fato aconteceu.

Talvez o jornal americano tenha razão em falar que a violência no Brasil é tão corriqueira que já se tornou parte da cultura e um morto é apenas um número a mais nas estatísticas da violência.

Carlos Eduardo Vogt
Enfermeiro

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