No mês de combate e prevenção ao suicídio, não poderia deixar de trazer minha contribuição aos nossos leitores, que nos dão a honra de todas as terças-feiras prestigiarem nosso trabalho, através deste espaço. Sabemos que para algumas pessoas este tema é considerado restrito somente ao núcleo familiar, isto por causa do estigma ou preconceito com que são abordadas as doenças mentais.

O Rio Grande do Sul é acompanhado pelo Ministério da Saúde há 10 anos. Há fortes indícios de que o problema possa estar relacionado à cultura do fumo e aos agrotóxicos usados nas lavouras.“Pesticidas com manganês aumentam o risco de provocar danos ao sistema nervoso central”, observa Fátima. Para ela, essa relação precisa ser acompanhada de perto.“Além do suicídio, a ação do pesticida está associada a outros agravos, que também precisam ser avaliados, como câncer e más-formações congênitas. Esse assunto precisa estar na agenda.”

Pelos dados coletados pelo Ministério da Saúde, estão no Estado três das quatro cidades com piores indicadores de suicídio. O município de Forquetinha é o que apresenta a pior taxa de suicídio no País. São 78,7 casos a cada 100 mil habitantes. A nível de comparação, a taxa de mortalidade nacional é de 5,7 a cada 100 mil.

Em segundo lugar, vem Taipas do Tocantins, com 57 casos por 100 mil. Travesseiro, no Rio Grande do Sul, vem em terceiro lugar, com 55,8 casos por 100 mil; e André da Rocha, também no Rio Grande do Sul, com 52,4 (Jornal do Comércio).

Ninguém de nós, independente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição, está livre de ser acometido deste mal. O primeiro passo que precisamos dar é aceitar que temos um problema. Que esta anomalia, seja ela de fator interno ou externo, existe no meio de nós, das nossas famílias e da nossa cidade.

De acordo com a enfermeira coordenadora de Saúde Mental de Montenegro, Camila Anversa, os números de suicídios ainda são preocupantes na cidade de Montenegro, e é preciso trabalhar para reverter a situação. Em 2019, foram registrados nove óbitos no município, sendo oito homens e uma mulher. No ano seguinte, o número aumentou para um total de 10 suicídios (oito homens, duas mulheres). Em 2021, já há três casos, dois homens e uma mulher. Camila destaca que os números são um alerta para que as ações sejam reforçadas, como vem acontecendo desde o início do ano.

Outro dado preocupante é o que envolve as violências autoprovocadas. Só neste ano, foram 46 casos no município. Destes, 31 foram identificados em adolescentes. Segundo Camila, não são números totais, tendo em vista as subnotificações, já que muitos casos não chegam ao setor. “Esses números são uma preocupação para o nosso serviço de saúde”, destacou a enfermeira, em sua fala inicial do Seminário, enfatizando, ainda, a importância de se ampliar as informações para que se evite novos casos (Acom).

Como podemos verificar, nosso município não está livre deste mal. É preciso que todos nós estejamos atentos a todos os sinais, e busquemos ajuda o mais rápido possível.

Para concluir, deixo aqui os telefones fornecidos pelo município, para maiores informações ligar para: CAPS 3632-5317 e da SMS 3632-3102.

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