Andressa Kaliberda
Jornalista

A vida é um sopro. Vemos ela passar diante de nós a cada piscada. A cada instante, um segundo a menos de existência. Então, essa semana, me peguei fazendo uma pergunta a mim mesma: “você está vivendo ou apenas olhando a vida passar pela janela?” Será que estamos, realmente, fazendo coisas que nos dão prazer? Ou estamos mecanicamente trabalhando, estudando e vendo a vida passar através do olhar de outras pessoas?
E por que essas dúvidas? Ora, porque é muito fácil nos fecharmos na bolha que é nosso dia a dia e deixarmos as coisas prazerosas, simples ou complexas, passarem despercebidas. Levantamos pela manhã, tomamos um café correndo, entramos no carro e vamos ao trabalho. Ao fim da tarde, voltamos para casa para tomar banho, jantar e dormir. No máximo, em algum desses momentos do dia, vamos à academia ou à escola/universidade; passamos rapidinho no mercado e na padaria – sempre correndo, atrasados (para quê mesmo?) e a vida vai soprando diante dos nossos olhos.
Os finais de semana, em geral largado no sofá olhando Netflix ou rolando o feed do Instagram, são mais uma forma de olharmos a vida passar pela janela. Não estou julgando os finais de semana em que nos propomos a fazer nada. Eu mesma amo finais de semana de preguiça. Mas eles não podem ser nossa única opção. Ao menor descuido, podemos estar apenas curtindo a vida de blogueiras e influenciadores digitais através das telas dos celulares. E, ao invés de presenciarmos momentos únicos que nos são proporcionados, sonhamos com as oportunidades criadas por e para terceiros.
Há alguns dias, vi a foto de uma pessoa conhecida no Túnel de Linha Bonita, em Salvador do Sul. Esse, que é o primeiro túnel da América Latina escavado em rochas em estilo curvilíneo, é um dos meus locais favoritos no Vale do Caí. É um lugar que me transmite uma paz genuína, com sua escavação e a cascatinha que corre bem próxima da estrada. E é pouco visitado. Fiquei alguns minutos olhando a foto e fui buscar – nas redes sociais – outras imagens do local, que está há poucos minutos daqui. Então me dei conta de que não vou há meses neste, que é um dos meus lugares favoritos no Vale do Caí! E não me custa nada ir até lá desfrutar de momentos únicos de tranquilidade!
Após essa reflexão, me fiz outra pergunta, que deixo como sugestão: há quanto tempo você não faz algo realmente prazeroso? E não que trabalhar não me seja agradável. Amo ser jornalista. Mas precisamos nos atentar a outros pequenos momentos de prazer. Daqueles que fazem a chegada do fim de semana – ou do dia – serem tão esperados quanto a final do campeonato, ou que nos dêem tanta satisfação quanto o cheirinho da cozinha quando um bolo de chocolate está saindo do forno. Esses momentos não precisam custar caro. Podem ser um piquenique no parque com os amigos, uma visita a um dos tantos lugares incríveis existentes no Vale do Caí ou um chimarrão curtindo o pôr-do-sol no Cais do Porto que, mesmo com seus problemas estruturais, oferece espetáculos diários de tirar o fôlego. Basta, para isso, abrir a mente para o que é novo e sair da zona de conforto. Te desafio a tirar do papel aquele projeto que estava, há meses, guardado, mudar a rota um dia ou conhecer algo novo. Pode ser longe ou aí mesmo, no teu bairro. Aceita?

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