Foto: reprodução Pixabay

A culpa. Ah esse sentimento que nos acompanha diariamente. Para alguns, ela é presença constante. A outros tantos, aparece esporadicamente, como que em ondas para relembrar o quanto somos humanos. Afinal, existir é, em algum grau, sentir culpa. Nos pressionamos o tempo todo a sermos melhores, mais bonitos, mais inteligentes, onipresentes e, acima de tudo, relaxados. Afinal, não podemos nos permitir sentir sobrecarregados pelo excesso de cobrança e afazeres que nos impomos diariamente.

Então, lá vem ela: a culpa!
Se trabalhamos muito, ela vem por não darmos atenção à nossa necessidade de lazer. Quando estamos descansando, culpamo-nos por não cumprirmos nossos deveres. Se priorizamos a carreira, ela bate à porta para dizer que deveríamos formar uma família, mas se optamos por isso, a culpa é por não nos entregarmos de cabeça ao trabalho. É uma briga constante com nós mesmos e com a percepção daquilo que deveríamos estar fazendo – ou daquilo que achamos que deveríamos fazer.

A culpa vem por produzirmos demais e por acharmos que não produzimos o suficiente. Por trabalhar de domingo a domingo e por tirar o sábado para não fazermos absolutamente nada. Ela vem, senta ao nosso lado e fica cutucando nosso ombro como aquele irmão pentelho que ficava pedindo o doce que saboreávamos na infância. E se você for mãe então? Sente-se culpada por deixar o filho para trabalhar e também por abdicar da carreira para a maternidade integral. Culpa-se por não ter tempo (que julga ideal) para a criança, e também por abrir mão dos compromissos para, simplesmente, sentar no chão e montar um quebra-cabeças.

Na sociedade hiperconectada em que vivemos, onde as notícias dos amigos chega em um turbilhão de fotos hipereditadas, carregadas de filtros, luzes, cores e com momentos felizes estampados em enquadramentos bem produzidos com conteúdo cuidadosamente pensado, a culpa é o “brinde” que chega após o like. Claro que ninguém posta as tristezas e as lutas travadas diariamente. Mesmo quando estas são subidas para as redes sociais, vêm travestidas de realizações. E a comparação é iminente.

Projetamos nossa vida pelas conquistas de outrem e, quando não atingimos aquilo que julgamos estar no mesmo nível de realização, sentimos culpa por sermos “tão pouco”. Deixamos de considerar as nossas próprias batalhas travadas e vitórias alcançadas. Não assimilamos do que aquela pessoa abriu mão para poder atingir aquilo que ostenta em seu perfil online e, mais uma vez, ela aparece. Aquele sentimento de insuficiência que é meio culpa, meio inveja de conquistas que, talvez, nem seriam tão importantes para nós se não pelo simples desejo de nos equipararmos.

E se não quisermos andar com essa muleta que nos ancora e faz sentirmos mal por qualquer conquista que nos obrigue abrir mão – ainda que brevemente – de algo, precisamos deixar de nos compararmos. Afinal, cada escolha representa uma renúncia e toda renúncia vem com uma pequena dose de culpa. Cabe a nós decidirmos se daremos espaço às nossas escolhas ou se faremos daquele sentimento de culpa uma espuma mágica que cresce até tomar conta de todo o nosso ser, não deixando espaço para curtirmos aquilo que nos pode satisfazer.
E quanto às redes sociais… usemo-nas para dividir bons momentos e ficarmos felizes pelas conquistas dos outros. Afinal, eles também precisaram renunciar alguma coisa para ter uma recompensa digna de ser postada no Instagam!

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