Foto: Cleiton Perdiz

A quarta-feira dessa semana foi difícil na imprensa montenegrina. Acordamos com a notícia do falecimento do jornalista André Luiz Oliveira, que estava internado há vários dias em um hospital de Florianópolis, SC. Ele, que trabalhava atualmente na rádio Montenegro FM, sempre acabava esbarrando com o pessoal do Ibiá nas pautas e acabou, por seu jeito único, virando amigo de muitos repórteres daqui.

Quando morre um jornalista, um pouco dele fica em cada um dos colegas que dividiram coberturas, pautas e reportagens com ele. Fica também um espacinho vazio na imprensa, que jamais será preenchido da mesma forma. Isso porque quando morre um jornalista, morre uma forma própria de fazer notícia, que só aquela pessoa tinha. E é muito difícil para os outros repórteres, darem a notícia de que se foi um jornalista. Não me entenda mal. As notícias seguirão sendo dadas. Mas um espacinho ficará sempre. Por muitas pautas, falaremos o nome do André, recordando coberturas compartilhadas, informações trocadas e momentos em que ele nos falou, entre um cafezinho e uma matéria, sobre o plano de ir a Santa Catarina ver a filha; sobre sua companheira; sobre o netinho que estava uma graça ou sobre os outros filhos, que tanto lhe orgulhavam.

Eu não lembro exatamente quando conheci o André. Não lembro o momento em que descobri quem ele era ou em qual veículo trabalhava. Mas lembro claramente de, quando eu ainda estava há pouco tempo em Montenegro, ser auxiliada por ele em coberturas. Recordo claramente dele dar um toque no ombro e dizer “aquele é o cara que você quer falar”, quando eu ainda conhecia poucas pessoas aqui. Ou dele chegando nos locais de pautas sorrindo e, com a empolgação que poucas pessoas mantêm ao longo de dias inteiros de trabalho, cumprimentar a todos com um abraço, um “ô guria, tudo certo?”, trocar informações e sempre ter a delicadeza de perguntar da vida pessoal dos colegas, com a genuína preocupação que só os amigos têm. Quando sabia que algum colega não estava bem, fazia questão de se manter informado a respeito do estado de saúde. E comemorava quando recebia a notícia de que a pessoa havia melhorado.

Da última vez que o encontrei – sempre na correria – foi durante a cobertura eleitoral, no dia 15 de novembro de 2020. Trocamos meia dúzia de palavras na frente do Cartório Eleitoral de Montenegro, algumas informações sobre como estava a apuração dos votos e sobre o então travamento do site do TSE. André perguntou, como sempre, como estava “o pessoal no Ibiá”, analisamos as possibilidades de resultado daquela eleição e ele se foi para a rádio com a promessa de que tínhamos que botar o papo em dia.

A nós, colegas de profissão, ficaram pendentes algumas conversas jogadas fora, a disposição em sempre ajudar (mesmo que os repórteres de veículos concorrentes) em pautas – o que foi relatado por inúmeros outros profissionais da imprensa – e talvez alguns chopes ou cafés. Mas as informações e o compromisso com a notícia ficarão para sempre. Isso nunca foi uma pendência. Ficam, também, os ensinamentos desse repórter de longa data que, sempre humilde, acolheu e compartilhou sua experiência, de forma muito generosa, com todos os profissionais de imprensa que puderam conviver com ele.

À família, fica nosso abraço e nossos sentimentos.

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