Foi lá em meados dos anos 90, mas ainda me lembro como se tivesse sido ontem. Os cabelos longos e ruivos, as sardas e aquele jeito autoritário, porém carinhoso. Como era alta a minha primeira professora! E como é que ela sabia de tudo? Tinha respostas para todas as minhas dúvidas – quase impossíveis de serem sanadas – de criança de cinco anos. Um conhecimento infinito, na minha visão!

Depois, lá pelos 10, 11 anos, já tendo devorado todos os livros das sessões infantil e infanto-juvenil da escola (eu era uma criança que passava quase o dia todo lendo), comecei a sondar a literatura brasileira. E foi com uma professora de português que tive a primeira grande discussão literária, sobre Dom Casmurro, sobre Capitu não ter traído Bentinho e, sim, ele imaginar coisas por ser “doido”. Com aquela mulher, que me permitiu amar livros mais variados, pude fazer inúmeras analogias das páginas literárias com a minha vida. E também foi por causa dela que Machado de Assis se tornou meu escritor preferido de todos os tempos.

No ensino médio, tive um professor de matemática que, vendo minha facilidade em fazer cálculos mentais, mas a dificuldade em colocar as fórmulas no papel, começou a aplicar prova oral – somente para mim e com as mesmas questões dos outros alunos. Foi a primeira vez que compreendi a magia dos números com facilidade e subi de média 7,5 para média 10 no boletim. Foi incrível. Quando descobri que poderia me sair bem em matemática (por causa daquele professor) entendi também que seria capaz de fazer qualquer coisa. Que mudança ele provocou na minha vida!

Ainda no Ensino Médio, tive professores que me desafiaram a ler livros que eu nunca conheceria sem a indicação deles. Tive mestres que me provocaram a buscar conhecimentos com os quais eu dificilmente teria contato de outra forma na época e também fui incentivada a me dedicar à carreira que sonhava – ser jornalista!

Na faculdade e no mestrado, fui abençoada por uma série de professores que me ensinaram a colocar as palavras da melhor forma, me mostraram o enquadramento correto de uma fotografia; me ensinaram a passar a informação mais completa e objetiva através de texto, imagem, áudio e vídeo. Professores que me possibilitaram conhecer um pouco de muito, e me aprofundar em cada nuance do jornalismo que eu desejasse. Acima de tudo, tive professores que me ensinaram a pensar, questionar e a criticar sempre que necessário, mas elogiar quando é merecido. E tenho certeza de que você, que está lendo esse texto, também lembra de professores que te foram muito especiais.
Em todas as fases do meu aprendizado, frequentei escolas e universidades públicas. Claro que existe um ou outro professor que já está desanimado pela desvalorização e acaba “deixando tudo pra lá”. Mas a experiência que tive, certamente, é de docentes que, mesmo ganhando pouco, trabalhando muito, sem reconhecimento e, muitas vezes, desrespeitados por alunos, pela comunidade e pelo governo, tentam dar o melhor para quem quer aprender. O mínimo que se espera, agora, é que o governo retribua o esforço desses profissionais, com um plano de carreira digno e um salário pago em dia. Afinal, todas as profissões dependem do professor para acontecerem. E é uma vergonha que estes profissionais precisem ir às ruas para provar seu valor e cobrar o mínimo: um salário justo e pago em dia.

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