É um velho ditado. Um aprendizado que se tem desde criança. Pelo menos eu, no alto dos meus 28 anos, ouço desde muito nova esse conselho. Junto dele vem um dos mais sábios ensinamentos que já ouvi: “Não somos, NUNCA (assim, em caixa alta mesmo), obrigados a tratar algo com qualquer pessoa. Mas, se for combinado, temos a obrigação de cumprir”. Porque a palavra dada é um documento de muito valor.
Levo isso pra vida e é algo que, de certa forma, me tirou um baita peso doa ombros. Não tenho mais a obrigação de acordar nada. Posso dizer não e ficar ok com isso. Não preciso fazer algo que não quero agora que fui desobrigada a dizer sim sempre.
Olha como isso é incrível! Já pensou?
Não há necessidade de prometer, de se comprometer. Apenas a liberdade em dizer “não quero”. “Não posso”. “Não vou”. Com o passar do tempo aprendi também que não há necessidade em dar explicações detalhadas, desculpas esfarrapadas ou contar histórias mirabolantes. Apenas o não querer ou não poder já basta. Temos essa liberdade também (incrível né?).
Mas esse conselho também carrega consigo uma grande obrigação: a de cumprir sempre a palavra dada. Porque a palavra… ah! Como a palavra pesa! Ela tem valor e tem poder. E deve ser dada com sabedoria e consciência de que poderá ser mantida. Não importa quanto esforço demande ou quão trabalhoso seja. Não importa quanto tempo demore ou de que forma será feito. A palavra é um contrato social e todo contrato tem sanções a quem não cumprir. No caso das relações sociais, a quebra desse contrato significa, também, deixar de ser digno de confiança. E isso, confia em mim, é muito grave!
Talvez seja por ouvir e internalizar tanto esse conselho que eu desconfio tanto, sobretudo de políticos. Não me julguem, está bem difícil acreditar neles nos últimos anos. Pelo menos na maioria. 2020 é ano de receber promessas, ver contratos sociais sendo firmados para serem quebrados e esquecidos logo ali, nos primeiros dias de 2021, logo após a diplomação (com toda pompa que o momento exige). E os eleitores já começam a ligar o sinal de alerta: sabem que grande parte dos combinados feitos a partir de agora não serão cumpridos. Haverá uma chuva de promessas, de pessoas preocupadas com os problemas sociais dos recantos mais longínquos dos nossos municípios, mas que, na verdade, nunca souberam direito como chegar lá sem o GPS.
E eu me questiono: como é possível colocar a cabeça no travesseiro e ter uma noite tranquila de sono ao saber que você não é digno de confiança? Que quebrou um contrato social (ainda que informal e não registrado em cartório, com toda a burocracia exigida pelo nosso sistema), sobretudo com pessoas mais simples, que confiam com o coração aberto, depositando suas últimas esperanças naquela promessa feita?
E como recuperar a confiança? Essa, meus caros, não se recupera. Só se renova quando se trocam as peças do jogo e essas prometem de acordo com o que conseguirão manter. Esperamos, então, que, conforme o ensinamento que tive desde criança, as promessas feitas sejam tratadas como contratos sociais dos mais sérios. Porque são, principalmente para aquelas pessoas que vêem a oportunidade de ter os problemas que lhes assombram por anos, sendo resolvidos. Que os combinados não sejam apenas um fio de esperança que desaparecerá ao longo do tempo.

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