Já dizia o professor Girafales, que somente os idiotas têm sempre certeza do que dizem. E, muito pior que isso, essas pessoas, quanto menos sabem, mais acham que sabem. O que é realmente intrigante. Porém, isso possui um nome: efeito Dunning-Kruger. Nomes dos professores que estudaram essa faceta do ignorante orgulhoso.

Enquanto para alguns, suas próprias habilidades são subestimadas por eles mesmos e estes acabem se sentindo retraídos, para outros, essas mesmas habilidades são completamente superestimadas e, assim, terminam passando vergonha em público, sem nem perceber.

Em época de pandemia, quantos não são os virologistas e epidemiologistas de redes sociais que nunca leram um artigo de uma revista científica? Ou não fazem ideia de como funciona a revisão por pares? Quantos não são os astrônomos de internet que nunca colocaram os olhos nas lentes de uma simples luneta e admiraram as crateras lunares, ou as formas de algum outro planeta, mas possuem a certeza absoluta de que a Terra é plana?

Estamos passando por tempos turbulentos, com certeza, onde a ignorância pede para ser “respeitada como seu próprio ponto de vista”. A ignorância deve ser iluminada, não respeitada. A gravidade faz com que a caneta caia de sua mão, você querendo ou não, acreditando ou não, respeitando ou não. E é disso que a ciência trata: evidências, cálculos, experimento, revisão nos pontos anteriores, revisão e mais uma revisão, e talvez outra. Para, daí, ter uma ideia de como a coisa funciona.

A ignorância deve ser devidamente combatida com a razão e com o conhecimento; ainda que não de forma agressiva, pois não devemos nunca ser tomados pela arrogância que o conhecimento também pode trazer. O aprender e o ensinar devem viver em equilíbrio para que o conhecimento possa ser transmitido de forma correta e absorvido por inteiro, sem barreiras. Isso evita problemas de credibilidade, como o das vacinas para o Covid-19.

A dúvida sobre as vacinas, de início, podia ser até válida, pois tudo mudou muito rápido. Hoje, com todas as demonstrações de eficácia e do controle estatístico das mortes, desacreditar da vacina é estupidez, não é mais ignorância. Sabemos disso e, tenho certeza, nesse caso, que você leitor, é inteligente demais para não ter se vacinado ainda, não é? Eu sei que é. Mas acredite que existem pessoas que, mesmo com todas as pesquisas, comprovações, demonstrações estatísticas e artigos de pesquisa com revisão por pares, têm dificuldade em acreditar em diversas comprovações científicas com base em nada além do “achismo”. “É uma teoria. Eu tenho a minha”, diz o ignorante orgulhoso sem sequer saber o que é uma teoria científica, mas que aprendeu na “corrente do Whatsapp”.

Duvidar é bom e é o que move as descobertas, porém, duvidar de coisas extensamente pesquisadas e incansavelmente demonstradas com fatos, é perigoso. Tão perigoso quanto duvidar da própria gravidade ao saltar de um prédio; pois ela não vai ligar para sua “teoria”. Por isso abra a mente, derrube seu ego, seja mais humano.

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