Quando comecei a me interessar por espiritualidade eu não devia ter nem treze anos. E, claro, aquela semente fora implantada por meu pai, como já disse em outro texto, quando eu ainda tinha meus cinco anos. Tive poucas oportunidades de conversar com ele sobre esses assuntos, visto que sempre desviava a conversa; com exceção da última semana antes de sua morte, quando ele e eu tivemos uma conversa muito especial.

A busca pelos segredos da vida sempre me foi uma pulguinha atrás da orelha. E, como fora criado em um lar estritamente Cristão, estive por quase toda minha vida atrelado às interpretações da Bíblia feitas por outras pessoas e, como podem imaginar, elas nunca me saciaram. O mundo é muito grande e as culturas são as mais diferentes possíveis. Porém, uma coisa sempre soube: só há uma verdade. O grande caminho que se trilha é em busca dessa verdade última e única e, em instância final, a união com ela.

Nessa questão, todas as religiões do mundo detêm suas próprias chaves para essa verdade, suas próprias interpretações da espiritualidade. Todos estão certos para si mesmos. Há doutores e mestres em todas elas, que dedicaram suas vidas inteiramente a entender essa verdade. Então, quem está certo? Todos? Seria tão simples? Se assim fosse o mundo já estaria próximo da perfeição e, obviamente, estamos longe disso.

Dentre tudo o que estudei nessas décadas de pesquisa e experimentação, duas coisas eu aprendi: a primeira é que não sabemos nada além daquilo que podemos imaginar, isto é, somos limitados e só podemos entender as coisas dentro de nossa limitação; a segunda, que me foi passada por meu pai naquele dia, eu guardarei para mim até que chegue o dia de passar adiante; mas uma coisa posso dizer: trata-se de Silêncio.

Não importa como você chame o princípio criador de tudo o que há. Pode ser Deus, Allah, Jeová, Jah, Oxalá, Brahma ou outros nomes; o importante é: quantas vezes você silenciou seus desejos e pensamentos egoístas, individuais e baixos, e ouviu o que esse princípio está lhe dizendo? Você pode dizer que escuta, mas é provável que nem saiba como escutar. Que pense que é só “querer escutar”. Não é. E, claro, não serei eu a ensinar como fazer isso. O que posso dizer é que, aqueles que escutam, possuem a Paz. Não uma paz humana, da falta de conflitos, tristeza ou estresse, e sim uma Paz sublime. Um estado de serenidade superior. Esses são raros, mas são os que estão realmente em comunhão com o princípio criador, chamem-no como quiser.

O grande presente que Deus nos deu é o de discernimento. De aprendermos por nós mesmos. E poucas são as vezes que nos armamos desse presente para buscar a verdade por nossa própria conta. E não me refiro a jogar todos os doutores e mestres das diversas religiões pela janela; muito pelo contrário. É necessário conhecer o trabalho anterior para, então, dar continuidade. Só assim há verdadeira evolução em direção a essa Verdade.

Busque silenciar seus anseios e seus gritos internos, e deixe que esse princípio criador lhe direcione para as virtudes mais sublimes, aquelas que estão além da nossa imaginação. É através desse processo que você vai realmente desvendar os segredos, um por um, até entender do que realmente se trata a vida. Essa é a busca das mais perfeitas virtudes, isso é ser humano.

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