Sempre que encaramos novos desafios, tendemos a entrar de cabeça, com a mais boa vontade do mundo. Queremos renovar tudo e dar aquele frescor leve de que tudo vai ficar melhor do que antes. E essa é a natureza progressista humana, sempre atrás da evolução. E não confunda aqui progresso com “progressismo político”. Refiro-me ao progresso evolutivo, na cultura, na sociedade, na tecnologia e, claro, no próprio ser humano.

É muito difícil encontrar um equilíbrio quando esses novos desafios impactam diretamente outras pessoas, pois além de nós mesmos, precisamos também pensar nelas. Então esse meio da barra é muito mais sensível e muito mais frágil também e, por isso, demanda uma sabedoria que, normalmente, não temos. Queremos agradar a maioria e sabemos que nem sempre a maioria é justa. Muitas vezes a maioria é somente uma soma de diversas pessoas que só pensam em si mesmas. Não se importam com o próximo e, portanto, não são justas em suas decisões.

Quando estamos em posição de decisão, isso vai muito mais além. Qualquer pessoa que decide sobre outras é como um pai ou uma mãe que, ao invés de agradar o filho, precisa, acima de tudo, pensar no que é melhor para ele. Não no que ele quer. Porém, na maioria das vezes, nosso ego só quer o sentimento de aceitação, dos sons dos aplausos das pessoas que, pensando somente em si mesmas, tem seu desejo atendido; quando, de fato, deveríamos tomar a decisão que é melhor para todas elas, mesmo que elas fiquem emburradas, como o filho que os pais não deixam ir para a rua à noite, pois pode ser vítima de violência. Os pais sabem o que é melhor, nesse caso, mesmo que o filho discorde e fique bravo porque não teve seu desejo atendido.

Posições de decisão são sempre esse quebra cabeça. Não é simples encontrar equilíbrio, nem atingir a justiça. Só nos basta tentar chegar o mais perto possível desses dois fatores o máximo que pudermos.

Se você está em uma posição de decisão, lembre-se que, ao decidir pelo que é melhor para as pessoas sob seus cuidados, quase sempre será alvo de birra, pois elas quase nunca sabem o que é melhor para elas. Elas apenas sabem o que querem de imediato. E, se você decidir por dar o que elas querem de imediato, a ignorância delas, com o seu aval, trarão consequências piores no futuro, pois as decisões foram construídas sob os pilares da ignorância.

Por isso, não busque ser querido por todos, busque ser justo. Pois os resultados de decisões construídas em cima dos pilares da justiça, visando o bem de todos (e não seus desejos) são as decisões que perduram e são lembradas positivamente. A birra passa, as consequências ficam. Portanto, que sejam consequências embasadas em justiça, e não em desejos egoístas imediatistas. Não agrade; cuide! Faça o que é melhor para todos, mesmo que eles todos não consigam ver o que é melhor.

O povo reunido é como um cão que, machucado, morde a pessoa que tenta cuidar de sua ferida. Ele não sabe que está sendo cuidado, mas sentirá os efeitos positivos depois. Por isso pense sempre primeiro no bem de todos e seja mais justo. Seja mais humano.

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