Essa semana eu dormi ouvindo um canto muito especial, que tem um poder de me por em um estado de tranquilidade muito grande, rapidamente. Esse canto em si foi construído para um foco contemplativo e meditativo, e é cantado em um estilo que lembra o gregoriano. É realmente lindo. O canto abre com o verso “Nada te turbe, nada te espante. Quien a Dios tiene, nada le falta. Nada te turbe, nada te espante. Solo Dios basta”. A versão que ouço é do coral francês da Comunidade de Taizé; uma comunidade ecumênica voltada à reconciliação, que abriga tanto protestantes, como católicos e tem por base a oração e a meditação Cristã.

Porém, o foco da coluna de hoje não é a comunidade em si, mas o estilo reflexivo da sua música e o efeito que causa em quem ouve: Tranquilidade. E o que ela espera que quem ouça atinja: PAZ.

A humanidade busca primeiro a felicidade e o prazer, antes da Paz, achando que um é sinônimo do outro; E não poderiam estar mais enganados. A felicidade, por si só, é passageira. Ela tem um fim si mesma e terminará em determinado momento. E é assim para que haja contraste e ela possa ser observada. Sem a falta da felicidade ela não seria conhecida. E essa é a dualidade do mundo manifestado em que vivemos. Porém a Paz, essa é um estado de eternidade. A Paz não tem fim, a Felicidade tem. São naturezas diferentes.

Hoje em dia todos, quando ouvem o termo “Paz”, são levados a pensar em tranquilidade, em não ter nenhum problema. E isso é reduzir um estado de eternidade a um estado momentâneo, fugidio e sempre falso. Paz é uma palavra que traz nela o sentido de ausência de violência. E é claro que se pode aplicá-la em um conceito mundano e material, mas não pode ser reduzida a esse único aspecto. E é o que acontece.

Com o passar do tempo, tudo o que nos foi trazido através do conhecimento reflexivo, meditativo e filosófico, que sempre tratou dos estados mais altos e sublimes do ser humano, foi sendo aplicado a conceitos puramente materiais e o sentido original foi se perdendo na obscuridade da ignorância humana, que só cresce.

O que a Paz traz no sentido de “ausência de violência” é o cessar do conflito. E que conflito é esse? Ora, sendo a Paz um conceito de origem puramente superior, é claro que trata de um conflito sutil, interno. O conflito que todos possuem e que muitos querem apaziguar através da felicidade e prazer efêmeros, que causam mais conflito, posteriormente.
A Paz não é um momento que temos em um dia tranquilo, a Paz é um estado eterno que todo o ser humano espiritualizado da antiguidade buscava, cujo conceito foi sendo aplicado a um mundo material, inconstante e passageiro, e acabou tendo seu significado sublime apagado da vida comum.

A frase “A Paz esteja convosco” dita diversas vezes na bíblia, tanto por Jesus, quanto por seus apóstolos, não se trata de uma Paz qualquer. É a sublime Paz eterna que provém dos níveis mais altos da criação. A Paz de Deus que, colocada ao lado da Graça, quando Paulo diz “Graça e Paz estejam convosco”, demonstra a estirpe dessa Paz. É um estado de perfeição, de ausência de conflitos internos. Um estado de pura luz. E esse estado é descrito em todas as tradições espirituais ao redor do mundo e é um dos, senão o, objetivo máximo delas. Atingir esse estado de Paz é estar em Unidade com aquele ou aquilo que nos criou.

Por isso, não deixe de fazer as coisas que gosta, mas saiba em qual posição colocá-las. Saiba que felicidade e prazer são temporários, a Paz é eterna. E atingir a Paz em vida já foi demonstrado ser possível por diversas pessoas ao longo da história da humanidade. Basta buscá-la. E eu sei que você pode.

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